21 de Out de 2017

Minha Admiração Pela Cabala

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Cabala (grafado de inúmeras maneiras como "kabalah" "cabalá" etc) é uma matéria pela qual eu tenho enorme fascínio. Durante muito tempo eu fiquei andando em círculos sem conseguir entender certos conceitos da cabala até eu conhecer as obras do cabalista Ian Mecler que me esclareceram.

Atualmente estou pesquisando e escrevendo sobre cabala e tem sido muito gratificante sondar esse terreno. Hoje em dia graças a celebridades como Madonna, Ashton Kutcher e outros que "dizem" seguir a cabala e andam por aí com fitinhas vermelhas amarradas no braço a coisa ficou meio vulgarizada. A cabala é um sistema mágico que possui milhares de anos é óbvio que os cabalistas não deixaram seus segredos se difundirem entre as massas desse jeito. Muitos dos conceitos que eu encontro em obras de adeptos que dizem seguir a cabala são no mínimo exageradas ou distorcidas. No meu livro tenho procurado esclarecer certos enganos, sem, naturalmente, revelar certos conceitos que todo ocultista instintivamente sabe que não deve revelar de modo vulgar pra qualquer um.

Ainda existem certos aspectos da cabala que me parecem obscuros. Blavatsky diz em sua obra "A Doutrina Secreta" que a cabala tal qual é praticada aqui no ocidente é apenas um fragmento da "verdadeira" cabala que ainda é praticada por uma escola do oriente, possivelmente de origem sufi e que a cabala originalmente veio dos caldeus.

Como praticante eu sei que certas técnicas são ótimas, mas, reconheço que ainda há muito o que se aprender e admiro a cabala, entre outros motivos, por ela proporcionar a seus adeptos mais do que apenas técnicas ocultas, mas também uma filosofia que leva a auto-realização.

 

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  • A cabala que além de um sistema mágico amplo e excessivamente complexa aos iniciantes, ainda se apresenta como uma área pouco explorada e pouco compreendida. Um conceito que eu considero controverso é o termo "cabala prática". Naturalmente a cabala assim como tantos outros sistemas mágicos possui técnicas para serem colocadas em prática. Porém, eu considero o termo "cabala prática" muito mais abrangente. Técnicas como a aplicação da árvore da vida em muitas áreas, considerações de códigos como gematria e notarikon, o "yichudim" onde se medita em combinações de nomes de Deus em hebraico para certos propósitos são bem conhecidas pelos cabalistas em geral, mas, quando eu penso nesse termo "cabala prática" isso me induz a pensar em coisas como técnicas e livros mantidas em segredo especialmente pelos cabalistas judeus. Tudo na vida possui uma parte "externa" e uma parte "interna", na cabala isso não é diferente. Tradicionalmente a cabala já foi mantida em segredo por séculos, mas, certas técnicas eram mantidas ainda mais secretas. Costuma-se considerar as técnicas mais densas do livro "Sêfer Yetsirá" (como as usadas para se criar um "golem") e as técnicas relacionadas a merkabah para se ascender aos planos espirituais superiores as duas mais secretas, mas, isso não é tudo. Já na época da elaboração do Talmud se falava em "rolos secretos" manuscritos mantidos secretamente pelos adeptos. É muito significativo que o grande cabalista Baal Shem Tov que pertenceu a uma sociedade secreta conhecida como "nistarim" (significa "escondidos") tenha ganho o apelido de "baal shem" (significa "senhor do nome") porque essa sociedade era composta de membros peritos em técnicas relativas ao uso dos nomes de Deus em hebraico. Os "nomes de Deus" na verdade não são nomes de Deus, são títulos que representam facetas de Deus, quase que arquétipos e o uso prático desses nomes na verdade é capaz de gerar grandes feitos em nosso plano material. Um paralelo desses nomes de Deus são os "99 nomes de Deus" da tradição árabe/muçulmana. Talvez eu faça um post sobre esses nomes no meu blog https://esoterismojudaico.blogspot.com.br. O fato é que "cabala prática" diz respeito a técnicas que causam mudanças rápidas e visíveis em nosso plano físico. Tais técnicas sempre foram conhecidas pelos cabalistas de todos os tempos. Mas muitos deles dissimulavam seu próprio conhecimento de tais técnicas dizendo publicamente que eram técnicas de chalatães, faziam isso para dissuadir os leigos de se enveredarem por esse caminho. Mas muitos cabalistas de alto nível realmente praticaram essas técnicas e muitos livros e manuscritos sobre isso são mantidos em segredo em bibliotecas particulares desses cabalistas. Resumindo, "cabala prática" são técnicas que causam efeitos rápidos e visíveis no plano material e que por isso costumam serem consideradas perigosas pelos praticantes e ocultadas, mas, ainda assim, certos princípios dessas técnicas são muito relevantes e profundas e por isso praticadas por muitos, embora tratadas de modo restrito.
  • Nos últimos tempos eu estava explorando esse território amplo e por vezes confuso da cabala e descobri muita coisa que eu não sabia por lá. Uma dessa coisas que me chamaram a atenção é a maneira como eram tratadas os diferentes caminhos e fontes de estudo. Haviam escolas e grupos de cabalistas que se focavam nos mistérios da merkabah e seus textos(que a antiga seita dos Essênios conhecia bem), até hoje esse segmento é considerado o mais secreto e perigoso. Abraham Abuláfia considerado um dos grandes cabalistas do passado dizia que havia um "sistema das séfiras" e um "sistema das letras", o "sistema das séfiras" é uma referência a técnicas focadas no esquema da árvore da vida, já "sistema das letras" é referência as técnicas que envolvem os mistérios do Sêfer Yetsirá o chamado "Livro da Formação". Eu já havia dito em vários pontos do meu blog e livros que o Sêfer Yetsirá é o meu livro cabalístico preferido, acredito realmente que ele contém técnicas que não foram devidamente exploradas pelos cabalistas atuais. O fato é que dentre o vasto acervo de técnicas que a cabala apresenta os cabalistas acabam se focando em uma ou outra. Eu já havia comentado em outro ponto que os cabalistas modernos davam importância exagerada ao livro Zohar. É um livro admirável, porém não apresenta muitas referências a técnicas práticas. Já o Sêfer Yetsirá tem muita coisa pouco explorada. Talvez no futuro eu escreva um livro me profundando no Sêfer Yetsirá para cabalistas mais avançados. As técnicas desse livro envolvem estados meditativos muito avançados e colocam o praticante em contato com as forças básicas usadas na criação do universo material, por isso são técnicas tão avançadas. Embora o ponto mais lembrado do Sêfer Yetsirá seja a criação do golem, um tipo de "androide místico", na verdade isso é apenas um acessório, uma prova para o praticante mostrar que foi capaz de atingir o domínio total das técnicas do livro e alto grau de elevação espiritual. No mais, as outras técnicas que me chamam atenção na cabala são técnicas universais de ocultismo que tem paralelos equivalentes em várias outras tradições e sistemas mágicos de outros povos. Por mais que se explore, creio que é quase impossível um adepto dominar totalmente todas as técnicas e práticas que a cabala oferece. Recomendo aos leitores darem uma olhada no meu novo blog onde falo não apenas de cabala mas de tudo que envolve a tradição judaica em geral: https;//esoterismojudaico.blogspot.com.br abaixo ilustração referente aos "231 portais" mencionados no Sêfer Yetsirá: