O estereótipo da bruxa


O texto a seguir não visa qualquer tipo de generalização, pelo contrário: somos gratos a todos aqueles que seguem seus credos, sem querer destruir os demais. 

Estereótipo é a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação. São usados principalmente para definir e limitar pessoas ou grupo de pessoas na sociedade. O uso de estereótipos é comum no ocidente, sendo um grande motivador de preconceito e discriminação. Também pode ser descrito como conceito infundado sobre um determinado grupo social, atribuindo a todos os seres desse grupo uma característica, frequentemente depreciativa; modelo irrefletido, imagem preconcebida e sem fundamento.

O Estereótipo também é muito usado em Humorismo como manifestação de racismo, xenofobia, machismo, misandria, intolerância religiosa e homofobia. É muito mais aceito quando manifestado desta forma, possuindo salvo-conduto e presunção de inocência para atingir seu objetivo. E, muitas das vezes as pessoas que são vitimas deste tipo fantasiado de estereótipo se sentem obrigadas a participar da distorção da sua própria imagem, sob a ameaça de acusação de intolerância ou falta de senso de humor. 

Há pouco tempo atrás um estereótipo de bruxa se resumia numa pessoa feia, maligna, evocadora de demônios, que sacrifica crianças e animais, vingativa, sempre pronta para fazer algo contra alguém, falsa, egoísta, perigosa, profana, condenada, inimiga da igreja, etc. Não precisamos dizer que a marca d’água da inquisição está por trás de boa parte dos adjetivos.

E mesmo nos filmes que só terminavam quando a bruxa era derrotada e morta ela era quase um arquétipo de vilania. 

O cinema no decorrer dos anos pouco fez para elucidar ninguém a respeito sobre qualquer coisa real sobre as bruxas, não obstante, não se preocuparam em usar  a já maltratada imagem de bruxa, segundo os moldes que sobraram de resquício da inquisição piorando as coisas, estando interessados somente em retorno financeiro. 

É comum a algumas bruxas, por parte de amigos ao serem “descobertas” por eles (ninguém anda com uma placa apontando para si, dizendo que é uma bruxa) passar a ser olhada de forma desconfiada e desconfortável, por parte de pessoas do circulo íntimo, que passam a achar que a qualquer momento podem ser vítimas de algum ato mágico maligno, vingança ou maldição, por qualquer coisa que julguem ir de contra o bruxo. Isso ainda piora com o fanatismo religioso crescente no país, onde se propagam as mais absurdas ideias a respeito de bruxaria, quase dignas da era medieval. 

Vivemos hoje um imperialismo teocrático imposto às pessoas. Em troca da submissão, pessoas cegadas pelo sonho de cumprimento do dever espiritual receberiam o suposto céu detento nas mãos dos pregadores, não sem claro, que se cumpram certos quesitos, que vêm desde doações em dinheiro vivo a odiar culturas e credos que a pessoa sequer conhece. Tudo claro, segundo os lideres com total aval de seus livros sagrados cuja contestação condena automaticamente a alma a uma dimensão infernal, de sofrimento eterno.

Mas e quanto ao bruxo? O que se passa na cabeça das pessoas que compram o estereotipo desses ditos neo inquisidores?

No imaginário popular, cinema, crenças e estereotipagem, bruxos fazem poções mágicas mirabolantes, voam em vassouras, conversam com seres de outras dimensões, manipulam os elementos e o clima, a mente e o corpo, conversam com animais, isso quando não se transformam neles, cultuam divindades desconhecidas do meio comum, alquimizam riquezas, curas, pragas, seres sobrenaturais etc, colecionam objetos mágicos como varinhas, pendantes, tentáculos e amuletos, dançam no meio da noite em festins pagãos, realizam rituais sazonais e conversam com espíritos... nesses casos, podemos que... SIM! Grande parte dos bruxos vive de mãos dadas com a natureza e se inspira nela para quase tudo, de fato fazem poções e feitiços, usamos amuletos e talismãs, vagamos por planos diversos e temos magia saindo pelos poros...

Noutras palavras: se odeia (ou se inveja) o bruxo por realizarem uma grande sorte de sonhos que outros gostariam de viver, mas não o podem, devido ao apego da gaiola psicológica em que foram criados, que mesmo hoje, com a porta aberta se recusam abandonar, lhes parecendo mais natural um pássaro caminhar que uma mulher voar numa vassoura! 

O fato é que o tempo das fagueiras já passou, e vivemos hoje o tempo da opressão religiosa, onde se demoniza todo credo não cristão, condenando budistas, kardecistas, seguidores de religiões afro, celtas, nórdicas, indígenas, indianas e tantas outras numa fogueira midiática onde aquilo que não pertence ao circulo no qual o individuo frequenta, é logo tachado como pecaminoso.

Protegendo-se

Todos têm os mesmos direitos, incluindo os de seguir os credos que melhor lhes convir. Se por ventura uma pessoa for vítima de perseguição devido as suas convicções religiosas, saiba ela que ela é amparada pela lei, não só pela lei de causa e efeito, mas pela lei da constituição : Artigo 5 da constituição Federal, cuja quebra é crime, e passível de julgamento legal. Faça valer seu direito de ir e vir, e crer e ter o direito de crer. Leia e conheça o artigo 5. Tanto por parte dos próprios bruxos quando das mais variadas vertentes culturais, esta sendo mostrado que ideias maniqueístas não estão nada próximas da realidade, desmistificando preconceitos e tabus, isso inclui literatura e cinema, deixando bem claro  que assim como qualquer outra pessoa um bruxo é livre (senão a mais livre das pessoas), para escolher o caminho que achar melhor e que assim como qualquer outro esta sim interessados em ter uma vida social amigos, e família.


© 2020

Arte, Magia & Liberdade 

Criado por Lua Valentia 

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