Deuses góticos gregos


O que se pode dizer dos deuses góticos (ao menos os de correlação grega) se deve em boa parte a poesia e seu trabalho mais conhecido: a teogonia de Hesíodo, narrando a origem de todos os deuses, e falando em boa parte de um panteão pouco conhecido nos dias de hoje, o panteão primordial. Ele era ainda muito difundido em torno de 750 a 650 a.C. Muitos desses deuses são conhecidos noutros contextos, ainda sim merecem uma reapresentação através da visão de Hesíodo.

A ilusão, a distorção da realidade, o controle do destino, o desmando da morte, as sombras, a noite, os sonhos e os pesadelos, o oculto, os segredos, a solidão, o silêncio, os fenômenos naturais e sobrenaturais, as artes divinatórias, as formulas mágicas e de ervas, os oráculos e a magia e muitas outras coisas, são atribuições desses deuses, patronos de uma distinta linhagem de bruxos.

Conheça um pouco sobre o panteão gótico, os deuses primordiais:

Caos

Hesíodo costumava atribuir um principio ternário, sendo uma divindade primordial assexuada, que teria gerado outras duas, macho e fêmea. Seria o Deus Caos, que apesar de ser referido como masculino, seria assexuado, reproduzindo numa espécie de partenogênese divina. Essa divindade teria sua contraparte bissexuada, representando a reprodução sexuada o deus Eros, que apesar de conhecido como divindade masculina, nesse contexto ele é bissexuado.

Caos é, segundo Hesíodo, a primeira divindade a surgir no universo, portanto a mais velha das formas de consciência divina. A natureza divina de Caos é de difícil entendimento, devido às mudanças que a ideia de "caos" sofreu com o passar das épocas.

Seu nome deriva do verbo grego χαίνω, que significa "separar, ser amplo", significando o espaço vazio primordial.

O poeta romano Ovídio foi o primeiro a atribuir a noção de desordem e confusão à divindade Caos. Todavia, Caos seria para os gregos o contrário de Eros. Tanto Caos como os seus irmãos são forças geradoras do universo. Caos ser capaz de gerar deuses por meio da cisão, assim como os organismos mais primitivos estudados pela biologia, enquanto Eros é uma força de junção e união. Caos significa algo como "corte", "rachadura", "cisão" ou ainda "separação".

A família das divindades góticas

A família de Caos se origina de forma assexuada. Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão) nasceram a partir de "pedaços" do Caos. E do mesmo modo, os filhos de Nyx nasceram de "pedaços" seus; como afirma Hesíodo: sem a união sexual. Embora haja filhos de uma união sexuada com Érebos. Eros é tido em relatos como irmão de Caos, equilibrando assim a balança da criação, usando a união dos gêneros, enquanto Caos faria a reprodução assexuada, trazendo assim elementos tanto masculinos quanto femininos, resultando numa especie de divindade andrógina, algo muito comum em divindades primogênitas de muitas mitologias. Falaremos a seguir sobre os dois filhos primordiais, pois eles dão luz aos outros, em algumas versões de união sexuada, noutras,alguns vem apenas de Érebos, outros apenas de Nyx, assexuadamente.

Érebo (Érebos, Érebus)

Segundo a Teogonia, de Hesíodo, Érebo (do grego: Ἔρεβος, Erebos, "sombra" ou "escuridão profunda") é, na mitologia grega, a personificação da escuridão, mais precisamente o criador das Trevas. Tem seus domínios demarcados por seus mantos escuros e sem vida, predominando sobre as regiões do espaço conhecidas como "Vácuo" logo acima dos mantos noturnos de sua irmã Nix, a personificação da noite.

Érebo: Filho de Caos, irmão e esposo de Nix. Assim como a irmã, era capaz de tirar a imortalidade dos deuses. Érebo é o próprio universo, senhor dos cosmos e dos buracos negros. Hoje, entretanto, é uma potência esquecida. Está encarcerado no Tártaro. No passado, pretendia libertar, sozinho, os titãs aprisionados pelos olimpianos logo após a Titanomaquia, entretanto caiu em uma emboscada armada pela irmã. Zeus, Hades e Nix, tementes do poder do grande deus primordial e do possível retorno dos titãs, o impediram; os três, unidos, cada um se valendo de seus poderes únicos, jogaram Érebo no rio infernal Aqueronte, o rio da morte. Depois, encaminharam o corpo fragilizado do inimigo para o Tártaro, única prisão capaz de detê-lo.

Sendo um dos filhos de Caos, Érebo juntamente de sua irmã gêmea, Nix, nasceram de cisões assim como se reproduzem os seres unicelulares; a partir de "pedaços" de Caos, Érebo e Nix passam a ser os mais velhos imortais do universo, logo após Caos.

Érebo desposou Nix, gerando mais dois deuses primordiais: o Éter (conhecido como a Luz celestial) e Hemera (o Dia).

Érebo é também conhecido por ser um dos maiores inimigos de Zeus. Conta-se que os Titãs pediram socorro a Erebus e pessoalmente desceu até o Tártaro para libertar os filhos de Gaia, porém foi surpreendido por Zeus e Hades que tiveram a ajuda de Nix para lançar Erebus nas profundezas do rio Aqueronte, a fronteira dos dois mundos.

Na medida em que o pensamento mítico dos gregos se desenvolveu, Érebo deu seu nome a uma região do Hades, por onde os mortos tinham de passar imediatamente depois da morte para entrar no Hades. Após Caronte tê-los feito atravessar o rio Aqueronte, entravam no Tártaro, o submundo propriamente dito.

Érebo é também, frequentemente, usado como sinônimo de Hades, e estaria para bruxos assim como Nix estaria para as bruxas.

Nix

A deusa grega Nix é a personificação da noite. Uma das melhores fontes de informação sobre essa de usa provém da teogonia de Hesíodo. Muitas referências são feitas a Nix naquele poema que descreve o nascimento dos deuses gregos. A explicação é simples. A Noite desempenhou um papel importante no mito como um dos primeiros seres a vir à existência.

Hesíodo afirma que a Noite é filha do Caos, gemea de Erebo, seguida de seus filhos Gaia, a mãe Terra, Tártaro, trevas abismais, Eros, o amor da criação que numa versão é irmão gemeo de Érebo, a escuridão, a emergir do vazio. Dessas forças primordiais sobreveio o restante das divindades gregas.

Em sua Teogonia, Hesíodo também descreve a residência proibida da Noite:

Nix é a patrona das feiticeiras e bruxas, é a deusa dos segredos e mistérios noturnos, rainha dos astros da noite. Nix é cultuada por bruxas e feiticeiras, que acreditavam que ela da fertilidade a terra para brotar ervas encantadas, e também se acreditava que Nix tem total controle sobre vida e morte, tanto de homens como de Deuses. Homero se refere à Nix com o epíteto "A domadora dos Homens e dos Deuses", demonstrando como os outros Deuses respeitavam-na e temem esta poderosíssima deidade.

Nix, assim como Hades, possuem um capuz que a torna invisível a todos, assistindo assim ao universo sem ser notada. Foi Nix que colocou Hélio entre seus filhos (Hemera, Éter e Hespérides), quando os outros Titãs tentaram assassinar Hélio. Zeus tem um enorme respeito e temível pavor da Deusa da Noite, Nix. Os filhos de Nix são a Hierarquia em poder para os Deuses, sua maioria são divindades que habita o mundo subterrâneo e representam forças indomáveis e que nenhum outro Deus poderia conter. Em uma versão, as Erínias são as filhas de Nix (Ésquilo).

Nix aparece ora como uma deusa benéfica que simboliza a beleza da noite (semelhante a Leto) e ora como cruel deidade Tartárea, que profere maldições e castiga com terror noturno (Hécate e Astéria). Nix é também uma Deusa da Morte, a primeira rainha do mundo das Trevas. Nix também tem dons proféticos, e foi ela quem criou a arma que Gaia entregou a Cronos para destronar Urano. Nix conhece o segredo da imortalidade dos Deuses podendo tirá-la e transformar um Deus em mortal, como ela fez com Cronos, após este ser destronado por Zeus.

Algumas vezes, a exemplo de Hades, cujo nome evitava-se de pronunciar, dão a Nix nomes gregos de Eufrone e Eulalia, isto é, Mãe do bom conselho. Há quem marque o seu império ao norte do Ponto Euxino, no país dos Cimérios; mas a situação geralmente aceita é na parte da Espanha, a Esméria, na região do poente, perto das colunas de Hércules, limites do mundo conhecido dos antigos.

Quase todos os povos da Itália viam Nix ora com um manto volante recamado de estrelas por cima de sua cabeça e archote derrubado, ora representavam-na como uma mulher nua, com longas asas de morcego e um fanal na mão. Representam-na também coroada de papoulas e envolta num grande manto negro, estrelado. Na mitologia grega a papoula era relacionada a Hipnos, que a tinha como planta favorita e, por isso, era representado com os frutos desta planta na mão. Frequentemente, ela é representada coroada de papoulas e envolta num grande manto negro e estrelado. Às vezes num carro arrastado por cavalos pretos ou por dois mochos, e a deusa cobre a cabeça com um vasto véu semeado de estrelas e com uma lua minguante na testa ou como brincos.

Prole de Nix e Erebos

Nyx com seu irmão gemêo, deram luz ao Éter (luz celestial) e Hemera (Dia). Mas sozinha, sem se unir a nenhuma outra divindade, procriara o inevitável e inflexível Moros (o Destino), as Queres (morte em batalha), os gêmeos Tânato (Morte) e Hipnos (o Sono), Oniro (a legião dos Sonhos), Momos (escárnio), Oizus (miséria), as Hespérides, guardadoras dos pomos de ouro, as desapiedadas Parcas (Deusas do destino), Nêmesis (Deusa da vingança, justiça e equilíbrio), Apáte (engano,fraude), Filotes (amizade) , Geras (velhice) Éris (Discórdia), Limos (a fome), Ftono (inveja), Ênio (Belona, deusa da carnificina), Queres (o destino cruel), Lissa (a loucura) e Caronte o barqueiro do mundo dos mortos. Em resumo, tudo quanto havia de doloroso na vida passava por ser obra de Nix, a maior parte dos outros descendentes da Deusa nada mais são que conceitos e abstrações personificados; sua importância nos mitos é muito variável. Ela e seu irmão eram os únicos deuses primordiais que podia ter filhos com humanos. Na tradição Órfica, todo universo e demais Deuses primais nasceram do Ovo Cósmico de Nix. Certos poetas a consideram como mãe de Urano e de Gaia (noutra versão Urano é filho e esposo de Gaia); Hesíodo dá-lhe o posto de Mãe dos Deuses, porque sempre se acreditou que a Nix e Érebo haviam precedido a todas as coisas.

Muito freqüentemente colocam-na no mundo subterrâneo, entre Hipnos e Tânato, seus filhos.

Hemera e as Hespérides nasceram para ajudar Nix a não se cansar, assim nasceu o ciclo diário, Hemera trás o dia (relaciona com Eos, a aurora, e Hélio, o Sol); as Hespérides trazem a tarde, (relaciona com Selene a lua) e Nix traz a absoluta Noite, todas estas deidades em conjunto conduzem a dança das Horas; complementando estes ciclos temos outros Deuses de outras linhagens, como as Horas que representam ciclos mensais e anuais; Leto e Hécate que recebem o legado de Nix como deidade da noite. As Moiras, filhas de Nix (Cloto, Laquesis e Átropos), são outra continuidade dos poderes gigantescos de Nix do negro véu.

Hypnos e descendência

Hipnos, filhos de Nyx é o responsável pelo descanso restaurador de todas as criaturas terrestres, enquanto ele pairava sobre a superfície. A Ilíada, de Homero, afirma que Hipnos mora em Lemnos, junto de sua esposa Eufrosina (Grácia Pasitea para os romanos), oferta da deusa Hera por seus serviços prestados. Normalmente, ao repousar, ele adotava a forma de uma ave.

Na mitologia grega, Hypnos ou Hipnos (em grego: Ὕπνος, lit. "sono") é o deus do sono. Personificação do sono, e da sonolência; mas não do cansaço no que diz respeito à fadiga. Hipnos é um dos daemons gregos: deuses que interferem no espírito dos mortais. Segundo a Teogonia de Hesíodo, ele é filho sem pai de Nix (Νύξ), a deusa da noite, outras fontes dizem que o pai é o Érebo (As Trevas Primordiais, que personifica a escuridão profunda e primitiva que se formou no momento da criação). Tem nove irmãos, entre os quais o mais importante é seu gêmeo Tânato, (Θάνατος) a personificação da morte. Tanto que em Esparta, é comum sua imagem ser colocada sempre ao lado da morte, representada por seu irmão. Seus outros irmãos nasceram apenas da vontade de Nix ou da ajuda de Érebo. Seu equivalente romano é Somno.

Conta-se que vivia num palácio construído dentro de uma grande caverna no oeste distante, onde o sol nunca alcançava, porque ninguém tinha um galo que acordasse o mundo, nem gansos ou cães, de modo que Hipnos viveu sempre em tranquilidade, em paz e silêncio. Do outro lado de todo este lugar peculiar passava Lete, o rio do esquecimento, e nas margens, cresciam plantas que junto ao murmúrio das águas límpidas do rio ajudavam os homens a dormir. No meio do palácio existia uma bela cama, cercada por cortinas pretas onde Hipnos descansava, sendo que Morfeu tomava cuidado de que ninguém o acordasse.

Costuma ser visto trajando peças douradas, em oposição a seu irmão gêmeo que normalmente usava tons prateados. Também pode ser retratado como um jovem nu dotado de asas, tocando flauta. Às vezes é mostrado como adormecido em um leito de penas com cortinas negras à volta. Seus atributos incluem um chifre contendo ópio, um talo de papoula, um ramo gotejando água do rio Lete ("Esquecimento") e uma tocha invertida.

Pausânias, em sua obra Descrição da Grécia, menciona diversas vezes a presença de estátuas de Hipnos ao lado de seu irmão Tânato.

Ele e sua esposa tiveram os oneiros, seus filhos, responsáveis por distribuir os sonhos:

Morfeu - deus dos sonhos bons ou abstratos;

Ícelo - deus dos pesadelos;

Fântaso - criador dos objetos inanimados monstros, quimeras e devaneios que aparecem nos sonhos e ficam na memória;

Fantasia - única filha e gêmea de Fântaso, deusa do delírio e da fantasia.

Tanato (Tanatos)

Na mitologia grega, Tânato (em grego: θάνατος; transl.: Thánatos , lit. "morte") é a personificação da morte, enquanto Hades reinava sobre os mortos no mundo inferior, estando os dois ligados pelo oficio sobre os mortos. Seu nome é transliterado em latim como Thanatus e seu equivalente na mitologia romana é Mors ou Leto (Letum). Muitas vezes ele é identificado erroneamente com Orco (o próprio Orco tinha um equivalente grego na forma de Horkos, Deus do Juramento).

É por vezes representado como um jovem alado com coração de ferro e as entranhas de bronze.

Hipnos e Tânato

Tânato é filho, sem pai, de Nix, a noite, filha do Caos; ou, segundo outras versões, filho de Nix e Érebo, a noite eterna do Hades. Tânato é a personificação da morte, que nascido em 21 de agosto, tinha essa data como o dia preferido para arrebatar as vidas, enquanto Hipno é a personificação do sono. Os irmãos gêmeos habitavam os Campos Elísios (País de Hades, o lugar do mundo subterrâneo).

Segundo Homero, o deus Hipnos vivia em Lemmos e casou-se com Grácia Paitea que lhe fora concedida por Hera, em troca de seus serviços realizados. Hipno é representado em forma humana e se transforma em ave antes de dormir. Também aparece representado na imagem de um jovem com asas que toca uma flauta cuja melodia faz os homens dormirem e ao se locomover, deixa atrás de si, um rastro de névoa. Tânato é representado por uma nuvem prateada que arrebatava a vida dos mortais. Também foi representado por homem de cabelos e olhos prateados. Seu papel na mitologia grega é acompanhado por Hades, o deus do mundo inferior. Tânato é um personagem que aparece em inúmeros mitos e lendas, assim como aparece na história de Sísifo e do rei Midas, que por serem as mais importantes se dispersaram com maior facilidade.

Participações em histórias mitológicas

Tânato na história de Sísifo

Sísifo despertou a raiva de Zeus, pois Zeus havia se transformado em águia e sobrevoado o reino de Sísifo com Egina, filha de Asopo, depois quando Asopo perguntou a Sísifo se havia visto Egina, ele contou em troca de uma fonte de água. Então Zeus enviou Tânato para levá-lo ao Hades. Porém Sísifo conseguiu enganar Tânato, elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar, o colar, na verdade, era uma coleira, com a qual Sísifo manteve a morte aprisionada ao mesmo tempo evitando que qualquer outra pessoa ou ser vivo morresse. Desta vez Sísifo arranjou encrenca com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava da morte para consumar as batalhas.

Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tânato e ordenou-lhe que trouxesse Sísifo imediatamente para as mansões da morte. Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo.

Já no reino de Hades, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela segunda vez

Tânato na lenda de Admeto

Conta-se que o rei Admeto recebe em seu palácio o herói Héracles. Alceste, esposa de Admeto, estava morrendo e então Tânato é enviado para pegar a alma de Alceste, mas Héracles o expulsa de lá.

Ciências

Para a Psicanálise, Tânato é a personificação mítica da pulsão de morte, um impulso instintivo e inconsciente que busca a morte e/ou a destruição. Esse conceito aparece desenvolvido nos livros "Mais além do princípio do prazer" e "Mal-estar na civilização", de Sigmund Freud.

Morfeu

O nome Morfeu vem literalmente da palavra grega trasliterada para o latim como Morphéus, que seria “moldador, a forma, morphos, etc. Indica sua funçao e caracteristica principal entre elas a de assumir qualquer forma humana e aparecer os sonhos das pessoas, conseguindo não simular sua aparencia, mas também os tregeitos, voz e cheiro, noutras palavras uma cópia perfeita. Como um dos mil filhos de Hipnos, é também um dos Oneiros, irmão de Ícelos e Fântasos, e fio mencionado por Ovídio em sua obra “Metamorfoses”, sendo descrito como um deus que vivia numa cama de ébano, numa escura caverna decorada com flores, e diga-se por alguns com papoulas. Assim como seus irmãos, pais e demias parentes, Morfeus é descrito com divindade alada, com grandes asas silenciosas e velozes. O silencio das asas desses deuses fazem alusão às asas das corujas que não fazem barulho durante o voo. É facil imaginar então, que a droga morfina não possui esse nome ao acaso, pois causa sonolencia e feitos semelhantes ao sonhos.

Morfeu é por muitas vezes confundido com seu pai Hipnos, sendo ele deus do sono, e Hipnos seu filho um dos deuses dos sonhos.

Toda essa descendencia, chamada de oniros, era ligada maternalmente a Nix e a Érebos, sendo filhos apenas de umdeles numas versões, hora do pai, hora da mãe, e noutra versão seriam filhos dos dois, como casal.

Eurípedes os considerava filhos de Gaia, e os tinha como daimones. Segundo ele, possuiam asas negras, enquanto Ovídio os considerava filhos de Hipnos, que dos mil, ele destaca os tres, Morpheus, Ícelos e Fântasos.

Segundo Homero, Os oniros habitavam escuras praias do extremo ocidente, de onde enviavam os sonhos, tidos como de dois tipos: os verdadeiros, que seriam sonhos com revelações e mensagens importantes,enviados atravez de um corno, e os falsos, enviados atravez de uma porta de marfim, que seriam apenas sonhos comuns, decorrentes de reflexões do subconciente a respeito de eventos e ideias do dia a dia.

Caronte

Na mitologia grega, Caronte (em grego: Χάρων, transl.: Chárōn) é o barqueiro do Hades, que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas do rio Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Uma moeda para pagá-lo pelo trajeto, geralmente um óbolo ou dânaca, era por vezes colocado dentro ou sobre a boca dos cadáveres, de acordo com a tradição funerária da Grécia Antiga. Segundo alguns autores, aqueles que não tinham condições de pagar a quantia, ou aqueles cujos corpos não haviam sido enterrados, tinham de vagar pelas margens por cem anos. No mitema da catábase, alguns heróis como Héracles, Orfeu, Enéas, Dioniso e Psiquê - conseguem viajar até o mundo inferior e retornar ainda vivos, trazidos pela barca de Caronte.

Era filho de Nix, a Noite.

Éter

Na mitologia grega, é a personificação do conceito de "céu superior", o "céu sem limites", diferente de Urano. É o ar elevado, puro e brilhante, respirado pelos deuses, contrapondo-se ao ar obscuro, aér ( ἀήρ), que os mortais respiravam, sendo deus desconhecido da matéria, em consequência as moléculas de ar que formam o ar e seus derivados.

É considerado por Hesíodo como sendo filho de Érebo e de Nix, tendo por irmã Hemera. A lista do poeta romano Higino atribui-lhe como filhos de sua união com Dies (Hemera), Terra, Coelum e Mare, e depois com Terra (Gaia), de Dolor (dor), Dolus, (engano), Ira (fúria), Luctus (luto), Mendacium (mentiras), Jusiurandum (juramento), Ultio (punição), Intemperantia (intemperança), Altercatio (altercação), Oblivio (esquecimento), Socordia (preguiça), Timor (medo), Superbia (soberba), Incestum (incesto), e Pugna (contenda) Cícero lhe atribui paternidade sobre Urano. Também eram consideradas por Aristófanes como pai das Néfeles, ninfas das nuvens.

Assim como Érebo, que personifica as trevas superiores, tem como seu correspondente Nix, as trevas superficiais (e, em algumas versões, este aparece como filho daquela), pode ser interpretado que Éter tem seu correspondente em Urano (de quem ora aparece como filho, ora como pai).

Etimologia

Derivado do verbo aítho, "queimar", "fazer brilhar", é usado na Hélade genericamente para "queimado de sol". Desse modo, conforme o contexto, pode significar tanto "fazer brilhar" quando "tornar-se escuro como fuligem". Éter está entre Urano e o ar. Por personificar o céu superior, considera-se sua camada mais pura que aquela próxima da terra. Entretanto, Éter é luz que queima ao iluminar. Há uma tensão no verbo do qual deriva. Significa tanto "fazer luzir" quanto "escurecer", conforme o contexto. Em Urano, esta dinâmica específica está ausente.

Junito Brandão faz a aproximação com o sânscrito i-n-ddhé, "ele inflama", édha, "floresta incendiada", e com o latim aedes, "lareira", aestas, "verão, estio", aestus, "ardor", "calor ardente".

Urano

Urano (em grego: Ουρανός, transl.: Ouranós, lit. "o que cobre" ou "o que envolve"), na mitologia grega, era a divindade que personificava o céu. A etimologia possivelmente tem origem no vocábulo sânscrito que origina o nome de Varuna, deus védico do Céu e da Noite. Sua forma latinizada é Uranus. Foi gerado espontaneamente por Gaia (a Terra) e casou-se com sua mãe. Ambos foram ancestrais da maioria dos deuses gregos, mas nenhumculto dirigido diretamente a Urano sobreviveu até a época clássica, e o deus não aparece entre os temas comuns da cerâmica grega antiga. Não obstante, a Terra, o Céu e Estige podiam unir-se em uma solene invocação na épica homérica.

Urano tem vários filhos (e irmãs), entre os quais os titãs, os ciclopes e os hecatônquiros (seres gigantes de 50 cabeças e 100 braços). Ao odiar seus filhos, mantém todos presos no interior de Gaia, a Terra. Esta então instigou seus filhos a se revoltarem contra o pai. Cronos, o mais jovem, assumiu a liderança da luta contra Urano e, usando uma foice oferecida por Gaia, cortou seu pai em vários pedaços. Do sangue de Urano que caiu sobre a terra, nasceram os Gigantes, as Erínias e as Melíades.

A maioria dos gregos considerava Urano como um deus primordial (protogenos) e não lhe atribuía filiação. Cícero afirma, em De Natura Deorum ("Da Natureza dos Deuses"), que ele descendia dos antigos deuses Éter e Hemera, o Ar e o Dia. Segundo os hinos órficos, Urano era filho da noite, Nix.

Seu equivalente na mitologia romana é Caelusou Coelus - do qual provém cælum (coelum), cujo a forma aportuguesada é céu.

Mito de criação

Segundo o mito da criação do Olimpo, relatado por Hesíodo na Teogonia, Urano veio todas as noites cobrir a Terra (Gaia), mas ele odiava as crianças geradas.

Hesíodo refere, como descendentes de Urano, os titãs, seis filhos e seis filhas, os cem braços e os gigantes com um só olho, os ciclopes.

Urano aprisionou os filhos mais novos de Gaia no Tártaro, nas entranhas da Terra, causando grande dor a Gaia. Ela forjou uma foice e pediu aos filhos para castrarem Urano. Apenas Cronos, o mais jovem dos titãs, concordou. Ele emboscou seu pai, castrou-o e lançou os testículos cortados ao mar.

Do sangue derramado de Urano sobre a terra nasceram as três erínias, as melíades, e segundo alguns, os telquines.

A partir dos testículos lançados ao mar nasceu Afrodite. Alguns dizem que a foice ensanguentada foi enterrada na terra e daí nasceu a fabulosa tribo dos feácios.

Depois de Urano ter sido deposto, Cronos re-aprisionou os hecatônquiros e os ciclopes no Tártaro. Urano e Gaia profetizaram que Cronos, por sua vez, estava destinado a ser derrubado por seu próprio filho, e assim o titã tentou evitar essa fatalidade devorando os seus filhos. Zeus, graças as artimanhas de sua mãe Reia, conseguiu evitar este destino.

Estes antigos mitos de origens distantes não constam em cultos na Grécia Antiga (Kerenyi, p. 20). O papel de Urano é o de um deus derrotado de um tempo anterior ao tempo real.

Antes da sua castração, o céu não veio mais para cobrir a Terra à noite, cigindo-se ao seu lugar, e "a geração original chegou ao fim" (Kerenyi). Urano foi raramente considerado como antropomórfico, à parte a genitália do mito da castração. Ele era simplesmente o céu, o qual foi concebido pelos antigos como uma grande cúpula ou teto de bronze, sustentada (ou mantida a girar num eixo) pelo titã Atlas. Em expressões arcaicas, nos poemas homéricos, ouranos às vezes é uma alternativa a Olimpo, como a casa dos deuses. Uma ocorrência óbvia seria o momento, no final da Ilíada I, quando Tétis sobe do mar para pleitear com Zeus: "e logo pela manhã, ela elevou-se para saudar Ouranos-e-Olimpo e ela encontrou o filho de Cronos” "Olimpo é utilizado quase sempre como casa, mas ouranos muitas vezes refere-se ao céu natural acima de nós, sem qualquer sugestão de deuses vivendo lá," William Sale comentou.

Sale concluiu que a primeira sede dos deuses era o atual Monte Olimpo, tendo a tradição épica no tempo de Homero mudado a sua residência para o céu, ouranos.

Pelo sexto século, quando a "Afrodite celestial" estava a ser distinguida da "Afrodite comum do povo", ouranos significava apenas a própria esfera celeste.

Cônjuges e filhos

A castração de Urano

Afresco por Giorgio Vasari e Cristofano Gherardi, c. 1560 (Sala di Cosimo I, Palazzo Vecchio)

• Toda a descendência de Urano originou-se de sua união com Gaia, exceto Afrodite, nascida quando Cronos o castrou e arremessou os genitais mutilados ao mar (Tálassa).

Ciclopes:

• Brontes

• Estéropes

• Arges

• Hecatônquiros, gigantes de cem braços e cinquenta cabeças.

• Briareu

• Coto

• Giges

• Titãs, deuses anciões

• Céos

• Crio

• Cronos

• Oceano

• Hiperião

• Jápeto

• Mnemosine

• Febe

• Reia

• Tétis

• Teia

• Têmis

Erínias (Fúrias para os romanos):

• Alecto

• Megera

• Tisífone

Melíades, ninfas nascidas do freixo:

• Afrodite

Planeta Urano

Os antigos gregos e romanos sabiam de apenas cinco 'estrelas errantes' (em grego:πλανήται, planētai): Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Na sequência da descoberta de um sexto planeta no século XVIII, o nome Uranus foi escolhido como o complemento lógico para a série: para Marte (Ares, em grego) era o filho de Júpiter (Zeus), este, filho de Saturno (Cronos), e este, filho de Urano.

Gaia

Gaia, Geia ou Gé (em grego: Γαία, transl.:Gaía), na mitologia grega, é a Mãe-Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora incrível. Segundo Hesíodo, no princípio surge o Caos (o vazio) e dele nascem Gaia, Tártaro (o abismo), Eros (o amor), Érebo (as trevas) e Nix (a noite).

Gaia gerou sozinha Urano (o Céu), Ponto (o mar) e as Óreas (as montanhas). Ela gerou Urano, seu igual, com o desejo de ter alguém que a cobrisse completamente, e para que houvesse um lar eterno para os deuses "bem-aventurados".

Com Ponto, Gaia gerou Nereu: É um deus marinho primitivo, representado como um idoso, o velho do mar. Além de Fórcis, Ceto, Euríbia e Taumante.

Com Urano, Gaia gerou os doze titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto, Teia, Reia, Têmis, Mnemosine, a coroada de ouro Febe e a amada Tétis; por fim nasceu Cronos, o mais novo e mais terrível dos seus filhos, que odiava a luxúria do seu pai.

Período após haverem concebido os titãs, Urano e Gaia geraram os três ciclopes e os três hecatônquiros.

Como fosse Urano capaz de prever o futuro, temeu o poder desses filhos, quais tornar-se-iam poderosos, e os encerrou novamente no útero de Gaia. Ela, que gemia com dores atrozes sem poder parir, clamou pelo favor de seus filhos titãs e pediu auxílio para libertarem os irmãos e vingarem-se do pai. Dos doze irmãos, porém, somente Cronos aceitou a conspiração.

Gaia então retirou do peito o aço e com o auxílio de Nix, dele fez a foice dentada. Concedeu-a à Cronos e o escondeu, para que, quando viesse o pai durante a noite, não percebesse sua presença. Ao descer Urano para se unir mais uma vez com a esposa, foi surpreendido por Cronos, que o atacou e castrou-o, separando assim o Céu e a Terra.

Cronos lançou os testículos de Urano ao mar, mas algumas gotas caíram sobre a terra, fecundando-a. Do sangue de Urano derramado sobre Gaia, nasceram os gigantes, as erínias as melíades.

Após a queda de Urano, Cronos subiu ao trono do mundo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temia e os aprisionou mais uma vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou nova vingança.

Já havendo assumido regência do universo e se casado com Reia Cronos foi por Urano advertido de que um de seus filhos o destronaria. Ele então passou a devorar cada recém-nascido tal qual o fizera o pai. Contudo, Gaia ajudou Reia a salvar o filho que viria a ser Zeus, escondendo-o em caverna dum monte em Creta, onde seria amamentado pela cabra Aix da ninfa Amalteia. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorá-lo, entregou-lhe uma pedra.

Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais titãs com suporte de Gaia. Durante cem anos nenhum dos lados chegava ao triunfo. Gaia então foi até Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três ciclopes e os três hecatônquiros.Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus realizou um acordo com os hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro. Gaia pela terceira vez se revoltou e lançou mão de todas as suas armas para destronar Zeus. Num primeiro momento, ela pariu os incontáveis andróginos, seres com quatro pernas e quatro braços que se ligavam por meio da coluna terminado em duas cabeças, além de possuir os órgãos genitais femininos e masculinos. Os andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes e escalavam o Olimpo com a intenção de destruir Zeus, mas, por conselhos de Têmis, ele e os demais deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio. Assim feito, Zeus venceu.

Noutra oportunidade, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade aos gigantes; todavia a planta necessitava de luz para crescer. Ao saber disto Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as Estrelas não subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix, ele encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os gigantes a empilharem as montanhas na intenção de escalar o céu e invadir o Olimpo. Zeus e os outros deuses permaneceram invictos, entretanto.

Como última alternativa, Gaia enviou seu filho mais novo e o mais horrendo, Tifão, para dar cabo dos deuses e seus aliados. Os deuses se uniram contra a terrível criatura e depois duma terrível e sangrenta batalha, lograram triunfar sobre a última intentona e prole de Gaia.

Enfim, Gaia cedeu e concordou com Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo. Dessa forma foi ela recebida como uma titã olímpica.

Em uma vila romana em Sentinum foi feita um mosaico na primeira metade do śeculo III a.C. que atualmente se encontra na Gliptoteca de Munique, Inv. W504, onde retrata Chronos e Gaia com quatro filhos - provavelmente as estações do ano personificadas

Prole nascida espontaneamente

Deuses primordiais

• Urano

• Ponto

• Oreas

• Nesoi (possivelmente)

• Monstros e animais

• Píton (segundo Ovídio)

• Scorpio (segundo Higino)

• Arion (segundo Pausânias)

• Ofiotauro (segundo Higino)

• Dragão Nemeio (segundo Estácio)

• Dragão Cólquio (segundo Apolônio de Rodes)

• Dragão Hésperio (possivelmente)

• Homens nascidos da Terra

• Erictônio (segundo Homero)

• Cécrop (segundo Higino)

• Palécton (segundo poema lírico desconhecido)

• Pelasgo (segundo Hesíodo)

• Alalcomeneu (segundo poema lírico desconhecido)

• Jarbas (segundo poema lírico desconhecido)

• Primeiros povos nascidos da Terra

• Andróginos

• Féacios (segundo Alceu)

• Ciclopes Sicilianos (segundo Alceu)

• Pigmeus (segundo Hesíodo)

• Etíopes (segundo Hesíodo)

• Hiperbóreos (segundo Hesíodo)

• Demônios e deuses rústicos

• Fama (segundo Virgílio)

• Sileno (segundo Nonos)

• Disaule (segundo poema lírico desconhecido)

• Cabiros (segundo poema lírico desconhecido)

• Curetes (segundo Nonos)

• Dáctilos (segundo Nonos)

• Gigantes

• Argos Panoptes (segundo Apolodoro)

• Gegenes (segundo Apolônio de Rodes)

Com outros deuses

Com Hidros (segundo os órficos)

• Chronos

• Ananque

• Com Éter

• Dolor (dor)

• Dolus (engano)

• Ira (fúria)

• Pentos (luto)

• Pseudologos(mentiras)

• Horcos (juramento)

• Pena (punição)

• Intemperantia (intemperança)

• Anfilogias(altercação)

• Lete(esquecimento)

• Socordia (preguiça)

• Deimos (medo)

• Superbia (soberba)

• Incestum (incesto)

• Hisminas (contenda)

Com Ponto

• Ceto

• Euríbia

• Fórcis

• Nereu

• Taumante

• Com Tártaro

• Campe (segundo Nonos)

• Equidna (segundo Apolodoro)

• Gigantes (segundo Higino)

• Tifão

Com Urano

Ciclopes:

• Arges

• Brontes

• Estéropes

Hecatônquiros:

• Briareu

• Giges

• Coto

Titãs e titânides:

• Céos

• Créos

• Cronos

• Dione (segundo Apolodoro)

• Febe

• Hiperião

• Jápeto

• Mnemosine

• Oceano

• Reia

• Tétis

• Teia

• Têmis

Antigas musas

• Mneme

• Melete

• Aede

Outros filhos

• Aristeu (segundo Baquílides)

• Etna (segundo Simônides)

Com o Icor de Urano

• Erínias

• Gigantes

• Melíades

Com Oceano

• Creúsa (segundo Píndaro)

• Triptólemo(segundo Apolodoro)

Com Zeus

• Tício (segundo Nonos)

• Centauros Cíprios (segundo Nonos)

Com Posidão

• Órion (segundo Nonos)

• Anteu (segundo Apolodoro)

• Caríbdis (segundo poema lírico desconhecido)

• Lestrigão (segundo Hesíodo)

Com Hefesto

• Erictônio de Atenas (segundo Apolodoro)

Outras versões

Pseudo-Apolodoro

Em Pseudo-Apolodoro, seu mito é semelhante ao contado por Hesíodo.

Urano (Céu) é o primeiro a governar todo o mundo, e se casa com Gaia (a Terra). Desta união nascem os hecatônquiros (gigantes de cem mãos e cinquenta cabeças), Briareu, Giges e Coto. Em seguida, nascem os ciclopes, Arges, Estéropes e Brontes, que foram encerrados no Tártaro. Os próximos filhos são os titãs, os filhos Oceano, Céos, Hiperião, Crio, Jápeto e o mais novo de todos, Cronos, e as filhas titânides Tétis, Reia, Têmis, Mnemosine, Febe, Dione e Teia.

Gaia ficou triste com a destruição dos seus filhos, encerrados no Tártaro, e convenceu os titãs a atacarem Urano, e deu a Cronos uma foice de adamantina. Os titãs, exceto Oceano, atacaram Urano, e Cronos castrou Urano, jogando suas genitais no mar; das gotas de sangue nasceram as Fúrias, Alecto, Tisífone e Megera.

Após destronarem Urano, os titãs libertaram seus irmãos presos no Tártaro, e escolheram Cronos como seu soberano, mas este os encerrou de volta no Tártaro, e se casou com sua irmã Reia. Gaia e Urano profetizaram que Cronos seria destronado por seu filho, o que fez Cronos engolir cada filho que nascia de Reia.

Mais tarde, durante a guerra entre Zeus e Cronos, Gaia profetizou que Zeus teria a vitória se ele se aliasse aos prisioneiros do Tártaro, o que foi feito.

Gaia também teve filhos com Ponto (deus primitivo do mar): Fórcis, Taumante, Nereu, Euríbia e Ceto.

Outra previsão de Gaia foi que Zeus e Métis teriam uma filha e um filho, e este derrubaria Zeus; Zeus evitou esta profecia engolindo Métis antes da filha nascer.

Segundo Ferecides de Leros, Triptólemo é filho de Gaia e Oceano.

Mais tarde, foi Gaia que incentivou a guerra entre os gigantes e os deuses olímpicos, fazendo gigantes, seus filhos com Urano, atacarem Zeus. Estes gigantes não podiam ser mortos por deuses, mas Zeus chamou Héracles, que matou vários gigantes. Na sequência da guerra, Gaia teve com Tártaro o monstro Tifão, que foi enterrado por Zeus no vulcão Etna.

Outros filhos de Gaia são:

Com Tártaro

Equidna,

Argos Panoptes

Reia

Hecatônquiros

Giges

Ascalafo

Adiciono ainda alguns deuses da segunda geração, em especial hades, representante gótico dessa geração, do qual devido ao tempo que foi “cultuado”, há ainda muita informação. Antes de falar dele falo de Ascálafo (Askálaphus, Askalaphos), pois sua historia é curta, apesar de interessante. Há dois personagens com esse nome e o qual me refiro é Ascálafo, o guarda de Hades. Era filho de Aqueronte com a ninfa Orfne. Hades o teria incubido da vigilancia de Persefone, Foi metamorfoseado em coruja ao testemunhar contra ela. Ele é constantemente visto sob a proteção de Athena nessa forma.

Mundo dos Mortos

Hades

Hades é filho de Chronos e Reia, que na partilha dos reinos ficou com o submundo e o reino dos mortos. Equivale a plutão romano . O nome Hades é também homonimo de seu reino.

É chamado por vezes de Serápis (divindade de origem obscura egípcia).

Geralmente é representado com a face assemelhada a dos seus irmãos, porém com algumas nuances mais pesadoras, Com barbas e cabelo que sobressaiam a face, representada as vezes com cenho grave, barba negligenciada e cabelo desgrenhado num rosto pálido. Veste-se em geral com um manto e tunica pesados e vermelhos, munido do cetro num trono ornado com corujas

É irmão de Héstia, Deméter, Hera, Poseidon e Zeus. É casado com a deusa Perséfone (Kore, Koré), (sua sobrinha, para sentido de localização na árvore familiar) filha de Demeter, pela qual se apaixonou após ser flechado pelo cupido, por ordem de Afrodite, raptando-a em seguida. O casal é tido como estéril, apesar de incoerentemente terem alguns. Essa união faz alusão da união de dois preciosos recursos naturais: os preciosos minerais do subterrâneo e a semente que emerge da terra como alimento, vida e morte.

Hades conta com o apoio de outros deuses para desempenhar seu papel, Tânatos, deus da morte e as não muito conhecidas Queres, que desempenham papel idêntico aos das Valquírias, recolhendo avidamente as almas de guerreiros, segundo a Íliada.

Segundo Homero, Hades como representante implacável da morte, se tornou o deus mais odiado pelos mortais, fato também descrito na Íliada. Platão menciona que os epítetos foram adicionados devido ao medo de pronunciarem seu nome, como por exemplo, Plutão.

Segundo Apolodoro e Hesíodo Chronos, temendo a profecia de que seria derrotado por um de seus filhos, os passou a devorar, o que fez nessa ordem, Héstia, Deméter, Hera, Hades, e Poseidon. Zeus não foi devorado pois sua mãe o substituiu por uma pedra.

Reia teria entregue uma foice a Zeus, e com ajuda de uma poção, fez com que Chronos regurgitasse os filhos que estavam presos dentro de si, que tomaram em solidariedade, partido do irmão Zeus no combate contra o pai. A batalha no monte Olimpo ocorreu com a ajuda dos hecatônquiros, contra outros titãs no monte Ótris, numa batalha que durou dez anos.

Foram os titãs Briareu, Coto e Giges que armaram os deuses, dando a Zeus os raios, A Poseidon um tridente e a Hades um elmo que o tornaria invisível, que usou para roubar as armas do pai, enquanto Poseidon o distraia com o tridente, até que Zeus o fulminou com seus raios. Após a vitória o mundo foi dividido em três partes, sendo que Hades ficou com o domínio do mundo subterrâneo e dos seres das sombras. Hades desposa Persefone em seguida como descrito anteriormente.

Persefone

Tida como a rainha dos mortos, tornou-se esposa de Hades após a batalha. Os titãs Tifão, Briareu, Encélado e outros provocavam cataclismos após serem aprisionados no Etna, e Hades temendo que seu reino fosse exposto ao sol, saiu de seu reino com seu carro puxado por corcéis negros, para avaliar melhor a situação. Afrodite que estava sobre o monte Érix, juntamente daquele que numas concepções era seu filho legitimo, Eros, agora personificado como Cupido (noutras Cupido seria seu filho legitimo e outra divindade diferente de Eros, divindade primordial irmão de Caos), o qual ela desafiou a atirar sua flecha na divindade solitária, quando no vale de Ena, transitava a filha de Deméter. Sem ter como lutar contra a paixão, rapta sua bela sobrinha, que lama por socorro a mãe e as amigas, mas resigna-se ao não ver mais como reagir. Hades incita os cavalos a ir até o rio Cíano rapidamente, que se recusa a dar-lhe passagem. Hades não viu opção a não ser abrir uma passagem para o Tártaro, abrindo a terra ao ferir a margem do rio.

Há outras duas versões uma onde ela estaria às margens do rio Cefiso, em Elêusis, aos pés do monte Cilene na Arcádia onde havia uma passagem que daria no reino de Hades.

Noutra versão ele teria contado com a ajuda de Zeus, que fez brotar um narciso, ou lírio na beira de um abismo, o qual ela teria tentado pegar, caindo quando a terra se abriu onde surgiu Hades para captura-la.

Sua mãe a procura inutilmente de Eos a Hespérides, acabando por encontrar o rio Cíano, node uma ninfa temerosa de ser punida por ceder informações a respeito do ocorrido, deixa secretamente fluir sobre as aguas a guirlanda de flores que sua filha havia derrubado. Deméter amaldiçoa a terra, causando esterilidade do solo e morte do gado. A fonte Aretusa intercede ao ver a desolação provocada por Deméter, contando-lhe que vira Perséfone no reino dos mortos, pois passara por lá ao fugir de Alfeu, com a ajuda de Artêmis, que lhe abrira a passagem para o subterrâneo. Perséfone estaria ainda triste mas já ostentava o semblante de rainha do mundo dos mortos.

Noutra versão é contado Que Deméter recebera ajuda de Hécate, a deusa da lua nova, que a levou até Hélio, o qual lhe contou todos os detalhes do sequestro, inclusive a aprovação de Zeus. Adiciona ainda que Hades seria um genro valoroso, que seria melhor aceitar o ocorrido.

Deméter pleiteia com Zeus sobre o ocorrido, exigindo a restituição da filha, o que Zeus chega a concordar com a condição que Perséfone não tenha ingerido nenhum alimento do mundo inferior, do contrário as parcas lhe vedariam a saída. Hermes, juntamente coma Primavera para transmitir a mensagem, e num ardil, apesar de concordar com o pedido, oferece uma romã a Perséfone, que sela seu destino chupando alguns grãos.

Zeus tenta obriga-lo a devolver a filha de Deméter, mas de fato ela tinha comido os grãos de romã. Faz então um acordo, Hades com Deméter, de que a filha passaria metade do ano com a mãe e metade com o esposo. Com o acordo feito, a fertilidade à terra é devolvida.

Julgamento dos Mortos

Os monarcas Hade e Persefone não apenas governam o reino dos mortos, mas também os julgam com o apoio de distintos justos: um trio de ilustres hérois reconhecidos pela sabedoria e justiça, que seriam Minos, Radamanto e Éaco (que chegaria a ser numa versão mais tardia, guardião das portas do mundo inferior. Alegoricamente o tempo de Perséfone na terra, é o tempo da germinação do trigo,primavera e verão, e depois disso retorna ao seu interior, no inverno, onde a terra sofre uma morte aparente.

A historia de Hades e Perséfone era base dos mistérios eleusinos.

Amantes

Hades e Persefone é por vezes tido como o casal mais fiel entre os deuses, ao menos em comparação com o restante dos panteão.

A romã dada a Perséfone é chamada por vezes de “maçã do amor”, que remeteria a fertilidade devido a grande quantidade de sementes, contraditoriamente a romã teria deixado Perséfone estéril.

E tão contraditório quanto isso é o fato de o casal ter alguns filhos, sem haver muita explicação para o fato.

Hades teve poucos relacionamentos antes e depois de Perséfone. A primeira amante pela qual Hades teria deixado se enamorar antes de conhecer Perséfone, era uma ninfa do Cócito, cujo nome era Minta. A fim de recuperar o amante, Minta se pôs a vangloriar-se da beleza, no intuito de provocar Persefone e Deméter. Esta num certo dia se vingou da presunção da ninfa, transformando-a na planta menta. Igual sorte teve a ninfa do mar Leuce, filha de Oceno, punida à moda, que acabou por ser transformada em álamo prateado. De fato, Hades não escondia seu gosto pelas ninfas, mas o impeto era ministrado pela Perséfone.

Já Perséfone tinha um amante fixo, Adonis, o qual ela conseguiu numa disputa com Afrodite. Adonis tinha preferência por Afrodite, mas foi morto por Ares, acionado por Perséfone, pois sabia que o deus era apaixonado por ela. Ao morrer, foi parar obrigatoriamente no reino dos mortos, onde Perséfone o esperava. Afrodite inconformada, procurou Zeus, o qual finaliza a contenda dando seis meses do ano de Adonis à companhia de Persefone, e os outros seis à Afrodite.

Descendência

Como dito anteriormente, o casal seria estéril, devido à romã que Perséfone teria comido. Ainda sim surgem por vezes filhos na historia do casal, de forma esporádica e sem explicação.

Seriam filhos do casal:

Zagreu, ou melhor: seria filho de Zeus que teria tomado a forma de Hades, o deus qual Zeus queria inclusive que o sucedesse, sendo ele uma possível outra vida de Dioniso.

As Erínias: Inicialmente sem uma quantidade definida, mas posteriormente apenas três: Alecto, Tisífone e Megera

Macária, que seria a deusa da boa morte, aquela que leva as almas durante o sono.

Melinoe,(ou Melina em algumas versões)

Celebrações:

Em fevereiro havia as “februationes” também conhecidas como “Carístia” já que as oblações eram feitas à morte , durante doze noites, onde eram sacrificados touros e cabras negras, cujo sacerdote que presidia o evento usava uma coroa de folhas de cipreste.

E a cada cem anos ainda havia as “seculares”, jogos em honra aos mortos.

Os sacrifícios ocorriam a noite devido a aversão da divindade pela luz.

Mistérios Eleusinos e Cultos Órficos

Os mistérios de Elêusis eram sobre a historia de Perséfone e Hades.

O culto órfico instituído por Orfeu tratava-se da iniciação ao culto, para escapar da roda das encarnações, na verdade a “metempsicose”, uma espécie de reencarnação. A iniciação ao culto órfico era necessária para tanto, onde após o cumprimento de duas encarnações, a alma desceria ao reino de Hades onde purgaria seus pecados, e estaria pronta para desfrutar de destino feliz ao lado dos deuses. O desconhecimento sobre os mistérios órficos, prenderia a alma a um ciclo de encarnações ininterruptas.

Hécate

Hécate é uma deusa oriunda da Anatólia, que foi naturalizada na Grécia, e na Trácia. A região de origem da deusa detém ainda hoje os prefixos de seus epitetos “Hecat”, como Hecateu e Hecatomno. As crianças da Anatolia, na região das cidades carianas tanto meninos quanto meninas, comumente recebiam nomes com o prefixo “Hecat”, revelando assim um período de outras atribuições à deusa, anterior a da sua ligação com a bruxaria e submundo, pois essas correlações não eram usadas jamais em nomes para crianças.

Etimologicamente o nome pode ter relação com a palavra “vontade” em grego, ou mesmo tendo alguma relação a um dos epítetos de Apolo: “Hecatos”. A ultima possível correlação do nome é com a deusa egípcia do nascimento “Heket”.

Seu principal e maior local de culto ficava em Lagina, onde era patrona das terras selvagens e dos partos. Era associada a encruzilhadas, entradas, ao fogo, a lua e a luz, a bruxaria e magia, feitiçaria, necromancia, herbologia tanto benigna quanto maligna, etc., remetendo assim a Nyx primordial.

Sua representação a mostravam segurando duas tochas, ou uma chave no período em que era apresentada com uma deusa de uma face, e mais posteriormente passou a ser retratada como uma deusa tríplice, de três faces, no período tardio. Também é mencionada numa passagem a respeito do casamento de Hades, onde é chamada de deusa da lua nova. Como salvadora reinava sobre a terra, agua e o céu, sendo uma deidade muito querida pelos atenienses e patrona e protetora de seus lares e da família. Entre os romanos era conhecida como Trivia.

Segundo o viajante Pausânias, Hécate foi representada pela primeira vez na forma tríplice pelo escultor Alcamenes no século cinco antes da era cristã e já foi representada também com qautro faces pela arte.

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Criado por Lua Valentia 

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