Mecanismo do ritual do sexo na magia


Esse texto não vem para trazer um tratado profundo sobre a sexualidade, deixando isso para livros e tomos enciclopédicos, ressaltando que o foco é o sexo como recurso de acumulação de energia mágica, ou mesmo como ritual, processo, mecanismo, lançador de egrégora e outros. Como estamos falando de sexo, deixo claro aqui, que não tenho porque criar floreios em volta do tema, tentando trazer algo realista e pratico de uso verdadeiro para a magia. Algumas pessoas podem pensar apenas no óbvio, se lembrando da cena erótica e encantadora de um filme romântico favorito ou outro deliciosamente promiscuo e anônimo da internet, e com base nisso acabar se equivocando na explicação da simples pergunta:

O que seria sexo? A pergunta apesar de parecer obvia e tola, muitos diriam que é “obviamente quando um macho introduz o pênis numa vagina de uma fêmea, e no exercício do coito concluem o ato, geralmente culminando no clímax”. Não, isso não é exatamente sexo. Como dito na explicação, isso é uma penetração, mecanismo biológico de reprodução (por consequência prazer em muitas espécies) heterosexuado, originalmente usado apenas para a reprodução. Mas esse mecanismo é ensinado, devido a uma avalanche de tabus, como tudo o que se tem, a saber, sobre sexo, tanto para homens quanto para mulheres. Homens, mulheres e toda a infinidade de nuances que existem entre esses dois extremos fazem sexo, de alguma forma. Na atual sociedade conectada, muitos gostam de parecer extremamente modernos, mas coisas muito básicas como a compreensão do sexo continua sendo deixada de lado. Jovens apenas querem copular, e de alguma forma se viram para fazer isso. As consequências do ato bem, ou mal feito vêm depois. Pessoas frustradas e tristes que enganam a si mesmas, fingindo que acharam felicidade no ato, ou que simplesmente se desiludem. Isso é fruto da desinformação. Outra coisa muito importante é que o sexo envolve muita, mas muita coisa além do coito propriamente dito. O toque, a presença, o falar, o gesto, o beijo, o carinho, a preliminar, a mistura dessas coisas ou parte delas, tudo isso pode ser considerado parte, senão a totalidade do sexo em si.

Quem pode fazer? Heterossexuados, bissexuados, Homossexuados, pansexuados, transexuados, assexuados, etc. só, acompanhado entre dois, três, ou quantos acharem conveniente para o efeito desejado. Lembrem-se que a raiz da magia não discrimina ninguém. Em alguns rituais o cálice e o athame tem por papeis como extensão sexual do divino macho-fêmea, mas nada implica na proibição na forma de se obter energia para isso. E como dito, esse é apenas um ritual base, para servir de exemplo, dentre os milhares que a criatividade pode criar.

Ética: bruxo faz sexo com bruxo no ritual? Reescrevo aqui antes de tudo, uma pequena lista já postada relacionada a esse assunto, para aqueles que não leram, para depois falarmos de considerações éticas da sexualidade atual. A lista não sã obrigações, mas sugestões úteis para que ninguém caia na lábia de charlatões ou cause males a si mesmo. Clique aqui para ler. Façam-se um favor: não gravem, não tirem foto sob nenhuma hipótese. São só algumas dicas, mas não um manual. A sexualidade assim como inúmeros aspectos da vida variam de pessoa para pessoa, e seria absurdo ter num texto respostas para todas as faces da sexualidade do mundo. Quanto à sexualidade heterossexual, por exemplo, fica fácil a conexão com a egregora macho-fêmea divina, resultando no “ser completo”, capaz de realizar incríveis feitos mágicos. Eticamente falando, o problema do sexo para algumas pessoas, é que elas crescem ouvindo dizer que o sexo vem num pacote fechado, que não pode ser desmembrado por nada ou combinado de outra forma. O pacote amor-paixão-sexo seria o único e perfeito modelo aceitável. Não podemos negar que de fato é bom, mas ao se tornarem adultos, descobrem que as coisas não são bem como nos sonhos de filmes, tudo é mais complexo e o enredo da vida é cheio de reviravoltas inimagináveis. Ainda sim, negam e propagam o conto, enganando a si mesmo e aos próximos, e ninguém tem coragem de admitir que as histórias precisam ser reescritas. Muitos usam o sexo como entretenimento, diversão, trabalho, saúde, chantagem, namoro, jogos eróticos, submissão, etc. Uma infinidade de coisas, nem todas boas nem todas ruins.

Problemas éticos e paz dos relacionamentos

• Bruxo em relacionamento fechado com leigo: Em nome da paz nos lares de bruxos casados, e apesar de ninguém ter direito de posse sobre outra pessoa, peço que levem em consideração que nem todas as pessoas estão dispostas a fazer um ritual mágico envolvendo sexo. É um direito delas. Se você é parceiro de alguém assim ou mesmo seja essa pessoa, saiba que você é livre para pensar como quiser, e não será discriminado de nenhuma forma por suas atitudes. Um bruxo pode ter um relacionamento com um leigo, totalmente alheio ao mundo mágico, e antes de conceber que seu parceiro seja um bruxo, ou bruxa, considera seu cônjuge um parceiro fixo não cedendo para sexo de forma alguma, não importando como o bruxo veja o ato em si, mesmo sendo somente um processo mágico. Por conta disso, aconselho a todos que conheçam a fundo seus parceiros e parceiras de vida, e para evitar conflitos desnecessários, conversem sobre a magia em si, e posteriormente sobre magia sexual. Outro ponto importante: nem todo leigo tem vontade de participar de um ritual sexual seu, mesmo sendo seu parceiro, ele pode tomar por uma ofensa. Em vista disso, peço que se aproximem com cautela e sobriedade das pessoas com quem convivem para descobrir as opiniões dela de forma franca, e sendo realista e sincero: se já souber, não pergunte. Isso é direcionado a adultos e se um cônjuge não tem discernimento para saber sobre oque seu parceiro pensa a respeito de sexo, então é hora de começarem a falar sobre isso imediatamente.

• Bruxo em relacionamento fechado com bruxo: Nesse caso, não faltaria uma boa ajuda para o ritual, desde que é claro isso combine com a visão mágica da pessoa. Não é porque ela é uma bruxa que esta disposta a fazer qualquer coisa. Nesse caso assim como anteriormente, devem conversar sobre o ritual em si, para que não ocorra nenhum imprevisto que possa agir negativamente sobre o relacionamento.

• Bruxo em relacionamento aberto com bruxo ou leigo: O bruxo esta livre para rituais sexuais, desde que isso não envolva sua vida afetiva, e para esse bruxo que a lista é mais aconselhada.

• Bruxo e a oportunidade: Não tenho direito de julgar a quem recorra a esse ponto, do ritual mágico sexual secreto extraconjugal. Obviamente contém seus riscos, e deixo aos operadores adultos seu próprio senso de ética. Peço apenas que jamais se culpem. Se estão se culpando, não façam. Simples.

Um Ritual como exemplo: Para entender como o sexo pode ser um ritual, menciono os alquimistas, que inicialmente tinham grandes laboratórios, com toda sorte de elementos e máquinas. Com o tempo o laboratório se mostrou insuficiente para elaborar certas experiências e viu-se a necessidade da alquimia interior, onde o próprio alquimista é seu laboratório. No exemplo a seguir, que permite qualquer tipo de câmbio, o par se torna parte dos quatro elementos, e na comunhão do ato, buscam o quinto, gerando grande quantidade de energia. Para tanto é necessário: • Finalidade • Operadores • Começo, • Meio (Método) • Fim. • Itens variados: música, perfume, velas (branca ou amarela, vermelha ou laranja, azul, marrom, e violeta, bebida, itens de suporte sexual (protetivos, óleos, lubrificantes, e qualquer artefato ou aparelho que possa vir a ser usado no ato) Exemplo de Finalidade: gerar energia para realização do intento, celebrar a união de deuses, etc. Exemplo de Operadores: Par de bruxo e bruxa (podem simbolizar a núpcia divina, a combinação do elementos, união dos opostos, etc.) Começo: o encontro das energias sutis, dos operantes, ambos de acordo e buscando a mesma finalidade. Pode ser mencionado de forma aberta a intenção. Meio: o exercício do ato em si. O importante é gerar emoção e energia nesse momento. Não é hora de ser racional Método: sendo esse um ritual apenas de exemplo, será a incorporação dos elementos, a união deles, e a frutificação. Não é necessário que usem os quatro elementos de uma vez, esse é apenas um exemplo dos elementos sendo usados com ferramentas e estímulos. O sigilo pode ser acionado também no começo, dependendo da preferência dos magistas. • O par caminha em direção um ao outro e abrem o círculo inicial, acionando os criadores de atmosfera ligados ao intento: • Ar – pelo ar se propaga o som, a voz e os odores. O elemento do ar pode se manifestar na relação com a libação de perfume, incenso, mantras (como o ham-sah, famoso mantra de utilidade no sexo), o sopro e o hálito sobre a pele um do outro. Como o elemento ar, essa fase não possui parte tátil. A vela que pode ser acesa nessa hora é a branca ou amarela. Também pelo ar se propaga a musica, o que faz dele um bom primeiro elemento, podendo ser a melhor hora para iniciar musica ambiente. • Fogo – o elemento fogo no corpo corresponde em parte ao sangue e coração vivos, que produzem entre muitas coisas o calor. Caso estejam usando velas é hora de acender a cor vermelha. O calor pode ser sentido através da aproximação dos corpos, não forçando o toque, apenas a aproximação dos corpos para sentir o calor alheio. Caso a bebida não desempenhe o elemento água, ela pode ocupar lugar no fogo caso seja uma bebida que aqueça o corpo. (também pode ser o simples ato de se cobrir, pois algumas pessoas sentem frio facilmente) • Água – a água pode ser simbolizada por esse momento onde ambos bebem de um liquido, preferencialmente uma bebida que possa ter algum sentido para o intento final. Também é aceitável o contato dos corpos imersos em agua, de alguma forma, como hidromassagem, chuveiro, chuva ou piscina. Liquidas também são as tintas, o que sugere o momento para traçarem símbolos mutuamente nas peles. Também é simbolizado pelo beijo. • Terra – o elemento terra fecha os quatro elementos básicos e simboliza a matéria, a materialização e o toque. É hora de tocaram-se finalmente e estimular o corpo com carinho e cuidado. É hora de acender a vela marrom, e consumar o ato em si. Tendo fechado os quatro elementos, o toque mutuo culmina no ato em si, que não vejo necessidade de descrever, pois há variáveis demais, e como eu disse, não é essa a hora de ser racional, deixando a dispor da criatividade de cada praticante seus meios preferidos. O fim: Chegando ao fim, dependendo do método escolhido, chega a hora de acender a vela violeta, simbolizando o éter e a energia gerada. É hora também de usar seus sigilos, caso ainda não tenham sido usados, para absorver a energia gerada. Agradecem suas divindades regentes, pela dadiva da magia e do sexo, e finalizam com um banimento. Os cuidados a seguir ficam por conta dos operantes podendo ser qualquer coisa. Uma despedida, banho, arrumação do ambiente, o que se sentirem mais confortáveis para fazer. Repito o que disse sobre o processo: leiam a lista sugestiva e peço apenas que jamais se culpem. Se estão se culpando, não façam. Há muito métodos alternativos para a obtenção de energias magicas. Grato pela leitura.

#Sexo #Magiasexual #Rituais

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Criado por Lua Valentia 

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