Quando o portal do sangue estiver aberto, mergulhe.


Prepare boas almofadas, acenda seu incenso favorito, coloque uma vela e toalhas vermelhas no altar, desligue o celular, não tenha medo, sinta seu sangue, sinta seu cheiro, passe-o em seu terceiro olho e faça-se confortável no silêncio. Há forças ancestrais presentes. Há uma velha sabedoria contida no sangue, mas é necessário falar então, essa linguagem peculiar, e existem coisas que só se escutam no silêncio.

Na encruzilhada entre a vida e a morte residem os mistérios da Lua Vermelha, em um lugar mais antigo que o tempo, cujo único acesso é o olho voltado para dentro. O sangue desce e a pupila se alonga, serpentina. Feche os olhos e existe algo no ar, tão palpável quanto o sofá da sala, você sabe que está lá, é a peça que estava faltando no seu quebra-cabeças, aquela que você andou pedindo. Não force, não é com os olhos que você vai ver. Se você apenas ficar sem silêncio, verá que está ao seu redor, e principalmente, dentro de você, você já sabia.

Há uma peculiaridade durante a menstruação, o tempo não é o tempo. Quando se entra no grande caldeirão da Deusa, em seu portal interno de vida-morte-vida, os tempos passado, presente e futuro se mesclam, abre-se um portal além da percepção ordinária. Escute seu corpo, acolha sua dor, o seu desconforto. Aproveite para conversar com a sua raiva, sua frustração, suas perguntas sem respostas, seus medos e inseguranças. É você mesma que produz o veneno e cura.

Escreva durante esse tempo de lua, você está acessando os mistérios de um mapa, o seu mapa. Tateie sua escuridão, transcreva seus sonhos, suas sensações, anote os insights. Fareje as pistas que seu sangue lhe deixa, vá ao cerne da questão, cutuque feridas se preciso for, é preciso drenar a inflamação para cicatrizar a ferida. Explore, olhando ou não, o que existe dentro de você vai continuar existindo. Quando o portal do sangue estiver aberto, mergulhe.

os segredos não irão se revelar em um ciclo, siga buscando, anote, escreva, sonhe. É um mapa, e você mesma, em sua sabedoria ancestral, primeva, é a guia. Quando o portal do sangue estiver aberto, mergulhe.

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© 2020

Arte, Magia & Liberdade 

Criado por Lua Valentia 

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