Ars Mágica: Conceitos mágicos e filosóficos por trás de Fullmetal Alchimist

Atualizado: Jul 30



O anime é uma obra de criação de Hiromu Arakawa, possuindo duas adaptações. Full Metal Alchimist é considerado obra prima para diversos fãs e possui pontuações altas nos rankings de principais importâncias do japão.


A história, tentando apresentar o mínimo de spoilers, trata de Edward e Alphonse Elric, ambos em sua jornada alquímica acabam realizando o ato profano/proibido e buscam corrigir o mesmo com a utilização da pedra filosofal.


E nossa análise falará sobre os aspectos mágicos, filosóficos e profundos que cercam essa obra prima da animação japonesa.



1) A questão onde tudo é um e um é tudo.

A frase que ecoa em grande parte no coração de quem já assistiu a primeira versão, na descoberta da ilha, quando ambos os irmãos concluem que um é tudo e tudo é um.


Não vivemos apenas num sistema, mas somos e compomos um sistema.


Conclusão corresponde muito a lei hermética/principio da correspondência.


Que diz:

O que está em cima (seu consciente) é como o que está em baixo (seu subconsciente) e o que está dentro (as emoções geradas pela ideia posta em seu subconsciente) é como o que está fora (resultado no mundo físico gerado pelo universo com base nas emoções e vibrações geradas pelo seu corpo, seguindo seu subconsciente)”.

O que significa dizer que o micro está dentro do macro, assim como o macro está presente dentro do micro. 

Os irmãos concluem quando conseguem visualizar todo um ecossistema e vida trabalhando em um só, onde por fim retornará ao pó.


2) A porta da verdade e A arvore da Vida.



Em diversos momentos do anime nos deparamos com uma grande porta, do outro lado? Em branco, não temos certeza do que pode ser acessado, mas tem algo além do que podemos compreender ali.

Podemos ver claramente o desenho da arvore da vida. Uma Criatura está nos esperando.

O diagrama deve representar a estrutura teórica de Deus, ou de alcançar Deus.


Basicamente, a parte inferior do diagrama é a parte de deus mais próxima do reino “mortal” e a parte superior é a mais próxima da completa transcendência e do nada.


A porta pode ser uma clara referência à Kether, considerada a coroa, é a chave para todo o conhecimento ou tudo para aquilo que está até mesmo além disso. Pois, não pode ser quantificado. É a resposta que todos procuram.


Interessante verificar que no “portão” do Edward podemos observar uma coroa.


O ser conhecido como a “Verdade” assemelha-se ao personagem “Orgulho”, onde alguns podem assimilar com a vaidade humana em querer transcender os princípios morais de vida e morte e que representa um pecado capital.


O portão também parece ser diferente para cada alquimista que atravessa e tenta realizar a dita transmutação humana, o que pode ser uma metáfora a jornada do herói e outros caminhos desenvolvidos singularmente pela árvore.


Concluímos isto porque a árvore do “Pai” encontra-se totalmente branca, provavelmente assimilado ao caminho que escolheu em sua vida/aprendizado.


3) O reino de Xerxes 



No anime temos a cidade de Xerxes, uma nação situada no deserto. A história do anime conta que após um alquimista conseguir obter a verdade, o rei de Xerxes conseguiu vislumbrar a imortalidade e buscou uma forma de transformar toda a população na própria Pedra filosofal (sem muitos detalhes de propósito).


O Fato é que Xerxes realmente existiu e foi um Rei, o rei de Persépolis (cidade persa) e que foi casado com Amestris. (Vide nome Amestria, cidade do anime);

Que inclusive, curiosamente, segundo Heródoto, a esposa de Xerxes apresentado como sacrifício quatorze filhos ao deus do submundo.


Lembrando que em Xerxes (anime) é conhecida a tabua de esmeralda, clara referencia à hermes.


Ademais, no mesmo reino, conhecemos a lenda de Von Hohenheim, onde recebe duas vezes o nome do pequeno anão (homúnculo), e ambos pertenciam à Paracelso, um dos maiores alquimistas. 


4)Pedra filosofia, Homunculus e Pecados .




Primeiramente é importante informar que normalmente os homúnculos possuem correspondência aos sete pecados capitais, que são relacionados à posição da arvore da vida e aparentemente são levados a morrer em formas diversas ao que seu nome sugere.


O símbolo que representa os homúnculos pode ser entendido com a cobra que morde o próprio rabo, ou o dragão que morde a calda. Ouroboros


A explicação mais simples para o significado desse símbolo seria o infinito círculo da vida: vida, morte, renascimento.


O que casa com os personagens, uma vez que eles são praticamente imortais.


O que pode sugerir uma espécie de subjugação do pecado pela virtude.


Sobre a pedra: A pedra filosofal é uma lenda de que alguém pode ultrapassar a verdade da “troca equivalente”.

Há muitas teorias de que a pedra seria tão relevante porque a teoria da “energia” da primeira versão faria com que a própria pedra alimentasse a “porta”. 


Logo, a questão da troca ser “quebrada”, não é muito viável, uma vez que apenas a fonte de energia muda, a troca ainda continua.



5)Reencarnação:

No anime de 2003 a “Porta” tinha um significado um pouco diferente. Não estava ligada as representações da Árvore Sephirótica do Edward ou a George Ripley de Alphonse, ou ainda de Hawkeye do Roy.


Em comparação com o primeiro anime, aqui temos uma separação de corpo, alma e mente. Do outro lado da porta temos a verdadeira ‘terra”. Sim, mundos paralelos, que coabitam e dependem um do outro (Vide item 1).


Dentro dessa questão, o anime explica que quando morremos nesse mundo nos tornamos energia para alimentar os processos alquímicos do outro mundo.


Como em diversos momentos do anime, Edward faz menção a recuperar o corpo de seu irmão e de fato vemos ele lá, podemos entender que ali seria a porta para reencarnação e a partir do momento onde há o atravessar, com sobrevivência, você entraria na “nossa terra”. Onde teoricamente, seria impossível voltar, uma vez que alquimia não existe.


Além de alguns entenderem funcionar com uma espécie de “vida após a morte.’


6) Conhecimento:




Como as pessoas no hermetismo, Edward ganhou posse de conhecimento sagrado e inestimável através de uma iniciação. (Com Izumi no começo de sua jornada representando Yesod).


O conhecimento do anime é muito decodificado exatamente pelo medo que se tem do conhecimento profundo pelo profano.


Eu posso até assimilar que a iniciação da jornada deles pode ser representada, de uma forma metafórica como a morte do profano.


E o queimar da casa deles representa o inicio da evolução e subida da arvore (Dont forget 03.10)


Assim como a linguagem da alquimia é obscura e codificada, pois o segredo que esta arte

contém pode ser perigoso nas mãos erradas. O acesso à informação é restrito.


A transmutação de chumbo em ouro é apresentada como uma analogia para transmutação pessoal, purificação e perfeição. Essa abordagem costuma ser denominada alquimia “espiritual”, “esotérica” ​​ou “interna”.


“A metáfora do ouro dos tolos” Nem tudo o que reluz é ouro, também pode ser uma referência à codificação do conhecimento.


E o interessante apontar é que cada um, assim como na vida, paga o seu pequeno preço para as trocas que busca dar.


Quando acessam o “conhecimento” fornecido pela porta cada um sofrendo um dano diferente ou tendo uma experiência ligeiramente diferente.


Tudo está correlacionado com o caminho escolhido, aprendizado/crescimento e práticas.

E existe uma grande questão dentro da troca, onde se formos observar, do alquimista é retirado aquilo que ele julga “mais precioso”.


Alphonse por representar Netzach, tem uma grande relação com afeto, corpo, toque e ironicamente o que ele mais sente falta é de poder receber “carinho” e aproveitar o calor.


As perdas nesse caso são lições, além de estar conectado à informação que ele teria ganhado.

Uma vez que você perde na proporção que “ganha”.


Porem, acredito que no caso do Alphonse, pelo preço ter sigo pago tão alto, parte do conhecimento ficou esquecido nele mesmo. Ou por ele ainda estar vinculado ao plano de malkuth, não tem a capacidade plena de ser acessado integralmente.


7) Cruz de Flamel:




A cruz de Flamel já foi amplamente debatida. Nicholas Flamel foi um alquimista.

Quando morreu, em seu tumulo restou a cruz que conhecemos por seu nome.

Há muitas teorias, até porque viviam em épocas de inquisição, uma das aceitas é de que seria uma metáfora de purificação. Já ouviram aquele conceito de tomar pequenas dosas de veneno até se tornar imune?


Para outros também entende-se como a vara de Asclépio. Pai da Medicina.


Resumidamente como a Transcendência da morte pelo conhecimento.

© 2020

Arte, Magia & Liberdade 

Criado por Lua Valentia 

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