O Ego e os processos mágicos

Dentro da magia do caos, Thomas Kuhn, criou o termo “Quebra do Ego”, que, ao meu ver, acabou criando uma ideia que é difundida sobre a magia do caos no presente. Ou seja, a soma de resultados, advindo de diversos sistemas, religiões, aprendizados.


Os ritos caoistas consistem na destruição das estruturas em rumo ao caos.


Seria uma boa filosofia ou argumento, destruir tudo para remontar de uma forma mais simples.


Mas, o grande erro atual é que muitos apenas focam na parte da reconstrução.


Na minha singela concepção, eu acredito que até dentro do caos deva existir uma certa ordem lógica. Não é a pura desconstrução sem justificativas.


Oras, para conseguirmos chegar à algum resultado, não precisamos estudar? Entender? Desmistificar uma certa teoria? Certo.


Não seria simplesmente juntar alface, cebola, mandioca e esperar que vire, de alguma forma, um prato incrível.


Quer dizer, isso até poderia acontecer, mas a problemática seria: Como repetir um processo que nem mesmo foi entendido? Como obter os mesmos resultados sem saber como foi estruturado? Como a vontade mágica foi aplicada? Seria impossível. (ler texto sobre a vontade mágica).


Isso porque não temos a base de ingredientes, ordem, maneira de cozinhar, de cortar, tempo de cocção, faltariam informações que garantiram que: a) os resultados fossem iguais; b) processos realizados sem perigo.


Dominando essas informações básicas, podemos fazer o mesmo prato de tantas outras formas, das mais simples às mais complexas. E por que? Simples, porque estudamos o básico.

Seria possível chegar a uma perfeita prática mágica cheia de resultados, sem a dominação do simples? Eu acredito que não.


Mas, seguindo com o meu raciocínio, onde parei de assistir attack on titan para escrever esse texto, então, é errado começar a praticar o caos sem entender o início? Sim e não, alguns pensadores vão explicar que a quebra do ego se dá justamente por você não se submeter a aquilo que você já adquiriu como experiência. Para algumas pessoas, você iniciar práticas diretas, buscando o resultado, sem saber o que está fazendo, num sistema de experimentação, isso vai ser aplaudido.


É, mas, comigo não.


Eu acredito que ao realizar isso, você cairá na armadilha do ego. Digamos que, só uma vez dentro dessas práticas, algo dê um excelente resultado. Mas você não anotou, não formou um raciocínio, você arranjou um amontoado de ideias e colocou em prática. Como repetirá esse resultado fabuloso? Resposta: Não irá.


Simplesmente porque você não checou ao menos o essencial da estrutura do que estava fazendo. Poderá obter resultados semelhantes, parecidos, mas igual? Dificilmente.

Quanto mais nosso ego infla e conseguimos esses resultados casuísticos, mais perigoso o processo se torna.


“Consegui realizar tal processo sem fazer o banimento”. Frase famosa.


Então, eu estou sendo contra a o caos? De forma alguma.


Não seria uma forma de demonstração do ego pensar que somos capazes de dominar algo sem ter o mínimo de preparação ou estudo para isso? Nos aproveitando de algo e um resultado sem entender o porque ele aconteceu? E, também, não seria uma demonstração do ego acreditar que dominamos perfeitamente um processo? Sendo que há uma infinidade de procedimentos que nossa mente ainda não é capaz de compreender?


A magia do caos não é simplesmente desconstruir e reconstruir, mas é realizar essas ações entendendo o mínimo dos processos tradicionais necessários, onde através desses estudos podemos modificar a estrutura daquilo que já é conhecido. Alterando um ritual de alta complexidade, usando menos elementos, mas com as mesmas correspondências.


O mago sempre batalhará contra o ego, mas, o interessante é a forma como trabalhamos com ele, se o usarmos para adquirir conhecimento, bingo. Poderemos usar o conhecimento para revolucionar a forma com que realizamos os processos mágicos.



© 2020

Arte, Magia & Liberdade 

Criado por Lua Valentia 

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