SERVIDORES - DESEJOS VIVOS

"Por quê servidores se tornaram tão populares? E, o que são servidores no fim das contas?"


Desde que comecei a estudar Magia do Caos o que mais me chamou a atenção foi a criação de servos astrais, sempre gostei de histórias de fantasia aonde magos poderosos criavam serres artificiais como golens e elementais para servi-los. Em video games adorava jogar com invocadores ou classes com pets de combate.


Assim, achei super legal uma vertente de magia que trazia estes elementos para o mundo real. Porém, entender como eles funcionavam de fato me deu um nó na cabeça, e como muitos outros temas que ficam super populares, muito do que se fala dos servidores acaba ficando no aspecto funcional da coisa, se funciona ou não, vai te fazer mal ou não. Achei extremamente didático, levantar alguns pontos importantes que se perdem no mar de "Qual servidor eu uso para X coisa?".

O que são servidores astrais?

São entidades astrais construídas pelo magista com um objetivo específico e delimitado, sendo similares a sigilos, aqui eu cito Jan Fries no capítulo inicial do Magicka Visual, aonde descreve sigilos como sementes que plantamos no inconsciente:

"Uma semente é uma unidade de consciência que tem corpo, carga e inteligência, e costuma desenvolver a partir de potencial, nas circunstâncias adequadas. Semente são criadas, transmitidas e aterradas para obter mudança - mudança no mundo, na vida ou na identidade de alguém."

Essa descrição nos ajuda a entender que, sigilo ou servidor, sempre nasce desta semente que plantamos no nosso inconsciente para criar mudanças, afinal, se não quisermos mudar nada para quê fazer magia né?

Servidores são como entidades da Goetia, Umbanda, Hoodoo, etc?


De quebra a passagem acima também nos mostra que mesmo usando um servidor público, na verdade estamos trazendo uma "semente" daquele mesmo lote e plantando nossa mudinha, estamos usando a mesma receita, ou a mesmo maquete para construir nosso prédio, o que é diferente de acessar a mesmo entidade.

Sei que este ponto vai gerar bastante controvérsia, pois cada um tem um entendimento diferente sobre a natureza das entidades astrais, caramba, muita gente tem um entendimento muito diferente sobre o plano astral, ou se sequer ele existe.

Se colocarmos alguém formado dentro das tradições espiritualistas frente a alguém das vertentes psicológicas da magia é capaz de sair briga de soco! Brincadeiras à parte, mas vivo moderando discussões que infrutíferas (grupo Magia do Caos no Facebook) justamente por este entendimento fundamentalmente díspar da natureza da magia.

Mas para acrescentar um pouco da minha opinião vou citar outro autor que considero importante na Magia do Caos, Phil Hine, em seu texto "User's Guide to Servitors":

"ao deliberadamente germinar porções de nossa psiquê e identificá-las por meio de um nome, traço, símbolo, nós podemos trabalhar com elas (e entender como elas nos afetam) a nível consciente"

Esta acaba sendo minha visão sobre servidores astrais também, pequenas partes de nossa psiquê que modelamos e damos um propósito para que ajam em nosso favor de maneira autônoma. Desta forma, tudo que um servidor pode fazer em teoria seu criador deveria ser capaz de fazer também, porém com maior esforço consciente.

Por exemplo: criei um servidor para enviar mensagens através de sonhos, quando quiser utilizá-lo posso simplesmente ativar seu sigilo, alimentá-lo e pronto. Mas poderia fazer o mesmo sozinho, focando no intento, provocando uma viagem astral ou desdobramento e procurando me conectar com o receptor da mensagem.

É como quando vamos fazer uma planilha no Excell, podemos somar "na raça" os números de uma coluna, ou podemos mandar o comando de autosoma, ou melhor, criar uma fórmula de cálculo e salvá-la para usar em outros serviços. Poderíamos até mesmo brincar e dizer que a função de soma que já vem no Excell seria um Servidor Público, enquanto que a fórmula que vc criou para a sua necessidade seria seu próprio Servidor.

Ambos realizam a mesma função, porém, um envolve maior esforço consciente na criação, e maior segurança no passo-a-passo e no conhecimento adquirido. Talvez por isso o uso de Servidores Públicos se tornou tão popular entre iniciantes na magia do caos. E não julgo quem os usa, eu mesmo comecei usando os 40 Servidores, e ainda os utilizo quase que diariamente.

A única consideração que peço a vocês é esta: não se limitem àquilo que já vem pronto. Quantas vezes não baixamos um aplicativo no celular mas ele não era exatamente o que precisávamos? Quantas vezes não demoramos horas no Word tentando formatar um texto pensando "Deve ter um jeito mais fácil de fazer isso!"

Como já dizia o E.T. Bilu, busquem conhecimento! mesmo que sua interpretação do que seja um servidor difira da minha, tudo bem! Não sou senhor da razão, crie, descubra, experimente. Mas nunca se contente com o "é assim e pronto!" ou o "para mim isso aqui já basta!". Texto adaptado de publicação originalmente compartilhada no grupo Magia do Caos. Referências: Jan Fries, Mágicka Visual; Phil Hine, User's Guide to Servitors; Arranca-rabos, Todos os grupos de Magia do Caos do Facebook

© 2020

Arte, Magia & Liberdade 

Criado por Lua Valentia 

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