O bruxo atual está melhor se expondo ou se escondendo?

O quanto vale um lugar ao sol?
O quanto vale se abrigar na sombra?


Começo esse texto com essas duas perguntas, pois elas expressam pontos de vista antagônicos sobre um problema que tem se tornado assunto cada vez mais presente no círculo da bruxaria: O bruxo deve se manter oculto, ou deve-se revelar a sociedade?


É bom relevarmos que antigamente mesmo entre as sociedades que aceitavam as bruxas (e suas equivalentes) não a viam como uma figura tão publica. Em geral era envolta em mistério e segredos que somente alguns sacerdotes de templos conheciam.

A seu modo a bruxa usava de seus dons para curar, criar, destruir e modificar, o que fosse necessário, ou que lhe fosse pedido; afinal a bruxa por vezes fazia o trabalho pago como... “bruxa”, e seu oficio e conhecimento era então como um trabalho pago.

Amante da natureza era comum o isolamento, mas era procurada por vezes, e por vezes ela era obrigada a entrar no meio mais urbano, para tratar de assuntos variados, como aquisição de certos itens, ingredientes e mesmo para atender clientes.

Hoje, em dia, já tendo passado o pesadelo da inquisição, os bruxos podem viver mais tranquilamente, mesmo havendo certa dose de perseguição por fanáticos religiosos. Esse é o tema da questão, verdadeiramente falando:

 

O que fazer com a sociedade da magia, frente aos fanáticos religiosos, visto que no país impera cada vez mais o regime dito como teocrático?

 

Temos assim dois pontos:

•    Num ponto, os bruxos modernos se veem como detentores de direitos de serem aceitos pela sociedade, (e de fato os tem totalmente, o direto legitimo garantido pela constituição e sua lei), assim como o direito de qualquer humano independente de sua cor, raça, credo, língua, nacionalidade, gênero, idade, etc, de ir e vir, se expressar e exercer suas crenças sem a interferência de ninguém.

•    Noutro ponto temos os bruxos que preferem manterem-se ocultos (não tanto quanto antigamente, sem exageros) não vendo necessidade de se revelarem, pois não veem nisso mudança significativa em suas vidas. Além disso, a lei constitucional ainda vai estar lá, para ser mostrada aos mais atrevidos quando necessário, e se valeriam do velho e antigo mistério que ajudava a esconder as bruxas, ocultando-se nas sombras, por assim dizer.

Esse dilema esta presente na vida de praticamente todo bruxo atual. Podemos falar entre outros bruxos sobre praticamente qualquer coisa envolvendo magia, mas sendo realista, sempre haverá pessoas que apoiam, mesmo não sendo bruxos, como aqueles que reprovam, mesmo sendo bruxos a exposição. A questão remete a um jogo de RPG chamado “Vampiro, A Mascara”, onde chamam de “Mascara” o conjunto de regras e leis criadas para se manterem ocultos na sociedade atual, protegendo-se através do anonimato.

É sabido que alguns covens praticam essa politica, para se manterem ocultos por pura discrição, comodidade e respeito a vida privada dos integrantes. Por outro lado, o bruxo atual tem tanto direito quanto qualquer outro de ser aceito pela “sociedade” mesmo ela não estando pronta, ou que tenha sido edificada para compreender os diferentes pontos de vista existentes sobre a espiritualidade no mundo. Tudo isso nos leva a uma questão com três opções, que gostaria de debater ao longo do tempo, através de opiniões sem compromisso, para ajudar a enxergar o panorama do bruxo na atualidade de uma forma mais realista:


O que poderia ser melhor para os bruxos e bruxas do Brasil?


a)    Aumentar as pressões sobre o tema diante da sociedade, visando uma aceitação sem problemas ou necessidade de se esconder?
b)    Aumentar a cautela visando um futuro de total (ou maior) ocultação dos bruxos diante da sociedade, criando uma sociedade de bruxos mais oculta?
c)    Manter as coisas como estão, pois não haveria nenhuma diferença significativa, seja se escondendo, ou se revelando diante da sociedade devido a inúmeros fatores incluindo desinteresse leigo sobre o tema?

 

Junnýperos Cordeiro‎ é convidado especial do blog 

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