Cristianismo e magia se misturam?

 O problema da polemica Magia Cristã - parte I, a incoerência e a dogmática. 
“A liberdade não é para todos. É um direito dos fortes.
A magia não é para todos. É um direito dos livres”


O assunto a seguir é tão delicado para algumas pessoas, a ponto de não quererem falar sobre ele. Longe de incentivar a renegação a sua fé, esse texto vem apenas para falar de forma reflexiva sobre a incompatibilidade de magia e cristianismo. Um assunto que já se passou da hora de debater, que se tem postergado devido a sua delicadeza e por ser um tabu. Elaborei um texto, que mesmo parecendo grande é minúsculo frente à complexidade do tema.

Antes de tudo, não confundam magia cristã com angelologia ou magia enochiana, isso é outro assunto. Todo cristão deve estar ciente que a generalização, dogmática e maniqueísmo não se aplicam a bruxos, pois eles são livres para agir e pensar, não obstante ficam felizes com a diversidade cultural que tem aumentado no seu círculo, onde pessoas das mais variadas vertentes tem demonstrado interesse  e amizade.

Alguns chegam a se encantar tanto com a magia, que passam por uma mudança, às vezes radical. O problema é que não se sentem confortáveis para encarar a religião da qual fazem parte para dizer: “eu não aceito mais o dogma, acho que algumas coisas estão erradas”


Isso pode parecer drástico, mas é algo que muitos acólitos e beatos não sabem por ser um assunto do qual mesmo os líderes religiosos não gostam de falar, algo como podemos dizer, espinhoso: o dogma é a base da religião e ou se está com ele ou contra ele. Isso é o maniqueísmo.


•    O que o dogma tem a ver com o cristão, com o religioso e com o bruxo?


Primeiramente é bom ressaltar que o dogma conforme já foi mencionado noutros tópicos é a base de muitas religiões e não pode ser alterada, reinterpretada, adulterada, modificada, etc., e a pouco tempo no passado os fiéis eram inspecionados constantemente a respeito de sua vida religiosa ( e mesmo íntima) por um motivo bem claro: ou se segue todos os dogmas, ou não pertence mais a religião; e chegamos aos dias de hoje, onde é possível ver cristãos dogmáticos dentro de igrejas e pessoas que apenas entram lá e oram.

 

Alguns dogmas surgiram a centenas de anos e estão desatualizados, mas pela própria natureza de serem dogmas, não podem ser alterados. Você pode estar se perguntando, por que essa fixação com o tema?  O que isso tem a ver com os bruxos?

 

Bom, o problema é o seguinte: em muitos círculos bruxos, tem adentrado “amigos cristãos” o que é ótimo, pois mostra a diversidade cultural do bruxo sendo desmistificada. O encanto com a magia leva a comportamentos incomuns às vezes, assim como a criação de coisas boas, ruins, e às vezes estranhas. Esse texto é sobre as estranhas, ou incoerentes: conhecida como “magia cristã”.

 

Muitos bruxos sentem uma pequena contração nos olhos ao ler “magia cristã”, mas quem alega praticar se sente oprimido e sem entender por que bruxos acham isso tão estranho. O motivo é bem óbvio na verdade, o cristianismo dogmático por si só anula qualquer ideia de magia dentro do cristianismo, dando apenas duas opções: 

a)    Ela não existe.
b)    Ela existe, mas pertence ao demônio.

Quanto ao que fazer com o bruxo depende da época, e as opções eram essas antigamente:

a)    Estigmatizar publicamente “convertendo-a” (fonte: inquisição, o sagrado santo ofício).
b)    Torturar para obter a confissão, matando no processo ou matando em seguida queimando ou afogando vivos em publicamente para “salvar a alma” e controlar a população (fonte: inquisição, o sagrado santo ofício).
E nos dias de hoje:
a)    Catequizar para salvar a alma, pois segundo a dogmática cristã, se você não é cristão está automaticamente em pecado e longe da graça divina;
b)    Simplesmente deixar de lado para que a pessoa se responsabilize pela sua condenação “infernal”

Por isso é tão difícil para alguns bruxos aceitarem uma “magia cristã”, é uma contradição sem tamanho, tornando desaconselhável a versão bruxa de certas religiões. Existem hoje no mercado para agradar esse tipo de leitor, pseudopesquisas tendenciosas com passados falaciosos de figuras importantes de lideres religiosos.

Surge sempre um “a vida secreta de”, ou o “passado oculto de”, quase nunca sem comprovação da veracidade das fontes, (e quando digo comprovação, digo comprovação por bruxos idôneos), isso quando elas não estão perdidas ou foram reivindicadas por algum grupo religioso tentando evitar uma catástrofe. Deve-se tomar cuidado com esse tipo de livro.

Muitas vezes eles contêm informação que você já possui, apenas travestida de uma “cultura diferente” adaptada ao gosto de um publico especifico, comprometendo as informações originais e a magia em nome de uma excentricidade, se dispondo a defender essas ideias como incontestáveis, imputando erros nos demais credos pré-existentes, por desfavorecerem o seu (mesmo parecendo absurdas ao demais, incluindo estudiosos sérios).

 

“Isso não tira a liberdade de qualquer um interpretar o cristianismo ao seu modo, afinal todos são livres, não?” 

Na verdade, dependendo da religião, não. Estar integrado num grupo religioso faz de você também membro compulsório do dogma. Não aceitá-lo torna você apenas um frequentador, o que é diferente de seguidor, ou membro. 

Você não pode quebrá-lo, a menos que consiga admitir para sua alma, que você já não é mais a mesma pessoa: você é alguém que aceita umas coisas, mas rejeita outras, você tem interesse em culturas, religiões e credos diferentes do mundo e rejeita totalmente a ideia de um único credo possa ser detentor da “salvação”... Noutras palavras você é um livre pensador. 

“E agora sou um livre pensador cristão, já posso ser bruxo?” 

Isso é complicado: analogicamente equivale a um vegetariano aceitar que seu irmão coma carne sem renegá-lo, mas será que esse vegetariano trabalharia numa churrascaria? 

•    Por que isso ocorre? Por que há tanto cristão dizendo que pratica a “magia cristã”? 

Os bruxos são felizes em seu meio, na prática da magia, e principalmente na liberdade ideológica e espiritual. Têm o direito de buscar a felicidade sem que nenhum outro bruxo lhe diga que está errado em fazer isso. A diversidade é incentivada e o estudo de culturas diferentes incentivado, assim como a iniciativa e a reflexão. Homens e mulheres têm mesmos direitos, não se estigmatizam pelo sexo, pelo contrário, ele é sagrado e uma fonte de felicidade, ficam felizes pela interação com a natureza, e é claro, podem fazer magia. É óbvio que essa quantidade, uma pequena amostra da realidade bruxa -diga-se -, se mostra muito atraente para as mais variadas pessoas que são levadas a três ações: 

•    Condenar por inveja 
•    Abraçar como um novo mundo 
•    Modificar sua realidade, para tentar forçar a entrada desse mundo tornando sua fé híbrida. 

Todos sabem logo de cara quem condena, e damos boas vindas aos recém-chegados, mas se alguém não esta encontrando a felicidade no seu credo, ou não o compreendeu direito, ou simplesmente é incompatível com ele. 

Como dito antes, assim como não incentivamos a renegação da fé de qualquer um, mas nos damos o direito de aceitar somente pessoas sinceras, com sua fé, com seu coração e com a magia. Isso não é preconceito, é apenas um pouco de lucidez necessária para a preservação das pessoas realmente comprometidas com a magia.

Aconselho que revejam a sua vida, para analisar o que tem se passado de errado ou insatisfatório, conversar com seus lideres religiosos e com os mais cultos de seu meio sobre esses assuntos. 

Estaremos sempre prontos para receber qualquer um de coração sincero onde possa pulsar a magia.

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