Mamãe, confesso, sou feiticeira!

31/10/2016

 

Mamãe, confesso, tu me deste a luz, 

Mas nasci de Nix, a Deusa da Noite

O berçário das estrelas, 

A protetora das feiticeiras

Cortei sem querer meu sagrado pezinho 

Num lindo caco de vidro aqui em casa 

Tinha formato de pirâmide deformada 

Uma pessoa normal pensaria: "Socorro, Jesus Cristo"

Mas uma bruxa sorri: "Eba, sangue pra magia!"

 "Mãeeeee, sou cética"

E Nix responde:

"Não tem problema, é hora de brincar de magia negra, filhinha"

Eu ouço The Doors há muito 

Sei as invocações pela música, 

Sinto a língua do Jim Morisson sobre a minha 

E a respiração dele nos meus ombros 

 Sim, eu amava aquele cheiro de Morte que sentia 

Eu sou do Caos, do improviso 

Qualquer pedra pode ser objeto sagrado 

Eu brinco, invento, poetizo

Mamãe, não posso mais disfarçar 

Esse meu gosto por roupas negras 

E por acessórios estranhos 

Sim, sou feiticeira!

Cética até os ossos, mas não me importo 

Sem deus, apenas a luz negra 

Mamãe, eu me finjo de santa, 

Mas sou filha do capeta 

Meu passatempo é constituído do estranho,

Perverso e insano

Mas eu sou boazinha... 

Estes versos podem parecer de brincadeira 

Um humor negro puro da madrugada 

Eu diria, muito bem, mas os feitiços funcionam 

Para a mente criativa e a imaginação fértil

Eu gosto de brincar com sangue, sêmen e ervas

E se eu me divirto, qual o problema?

Mamãe, eu sou como uma pintura de Bouguereau 

Meu artista favorito sabia de meu nascimento 

Ah, querido William, tu és fabuloso, 

Poderias me pintar nua?

Assim, como Nix, mas cheia de estrelas e de luas?

Eu realmente sinto profundo contentamento 

Quando passo a brincar de magia 

Mamãe, não ria, 

Mas sou feito Lia

É tão forte, é tão certo,  é sinestesia

Meus olhos cansados não me deixam enganar... 

 

 

Feliz dia das bruxas!

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