Caldeirão mágico

 Assim como fiz com a varinha e a vassoura, achei viável mencionar o caldeirão, assim como merecem matéria específica para o cálice e o athame, futuramente.
O caldeirão, do latim “caldarium”,(banho quente), também origem da palavra caldeira, é uma espécie de panela ou vasilha para cocção de alimentos, geralmente de grandes dimensões, com alça ou alças e que pode ter de forma cilíndrica, esferoide, arredondada, usado principalmente para cozimento de alimentos em água fervente.
O caldeirão dentro de alguns contextos mágicos simboliza o útero da deusa, de onde vem todas as coisas. Também pode simbolizar a vida, pois é nele que se prepara o alimento, e desta associação, originou-se a lenda celta sobre caldeirões mágicos, sendo mencionado  em várias lendas europeias onde geravam alimento ou bebida infinitamente, e por vezes não qualquer alimento: mas alimentos fabulosos, sendo capaz até mesmo de trazer guerreiros mortos em batalha de volta a vida, para retornar a luta, salvando o exercito e o reino. O termo faz alusão também ao Graal.
De uso muito difundido na magia, sendo esse um dos motivos pelo qual se atribuiu aos três pés, a deusa tríplice. Os três pés possuem uma origem mais prática, valendo lembrar que os caldeirões eram produzidos em forjas por trabalhadores muitas vezes em nada envolvidos com o mundo mágico. Esses trabalhadores, porém tinham total consciência da realidade do lar em que viviam, motivo pelo qual adicionaram ao utensilio três pés apenas: o chão das casas mais rudimentares era por vezes irregular, e era comum que mesas e cadeiras cambaleassem. Mas um caldeirão de alta temperatura e peso não podia dar-se esse luxo; pois poderia por em risco a cozinheira, se queimando ou derrubando o alimento precioso quando fosse colocá-lo sobre algum anteparo (lembrando que nem todos os usavam pendurados por correntes, mas às vezes diretamente sobre os fogões a lenha). Os três pés eliminam a possibilidade de o utensílio cambalear, ajustando-se automaticamente ao chão, pedras ou fogão, não importando o quão desnivelado estivesse. O mesmo motivo aqui no Brasil fez com que no passado o retirante nômade de vida difícil e sofrida, tivesse por vezes entre suas parcas posses o banco de três pernas, que se ajustava facilmente ao chão de terra batida da casa temporária.  
O caldeirão está ligado ao elemento água e éter,  denotando assim uma influência psíquica e do inconsciente. Largamente utilizado por bruxos em diversas linhagens magicas diferentes, ele simboliza entre muitas coisas, o útero universal, o útero da Grande Mãe, de onde tudo vem e para onde tudo retorna. Na prática é usado para transformar os feitiços através da queima de ervas, papéis com encantamentos, alimentos, líquidos, poções e medicamentos muitos outros.
Alquimicamente ele também simboliza a transformação, o processo de descanso e cura dos elementos de onde saem depois, de forma refinada para os mais diversos fins.
É normalmente preto e feito de ferro. Itens de ferro ou qualquer metal no passado eram caros, e por isso havia sempre muitos cuidado. Assim como os sinos de uma igreja possuíam padrinhos e mesmo nome, é costume de algumas bruxas “batizar” o caldeirão. Seu tamanho varia conforme o praticante optar. Representa no altar o elemento  éter, (o quinto elemento) fruto da união, ou mesmo aquele que une outros. Pode ser usado até mesmo para guardar objetos menores no caldeirão para protegê-los ou escondê-los. 


Cuidados importantes:
Se for utilizar um caldeirão para fazer poções ou medicamentos, jamais o use para preparar ervas venenosas. Se possível evite queimar outra coisa qualquer que não sejam ervas ali dentro.
Como alternativa há botijas de cerâmica ou barro que podem ser descartadas depois sem grande perda, podendo assim, assegurar maior confiabilidade quando ministrar as poções.

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