O Uso do rapé como aliado nas práticas mágicas.

25/10/2017

 

Bom, como é o meu primeiro texto aqui, vou começar me apresentando. Meu nome é Fernanda Grizzo, mineira, pero nômade. No âmbito da magia e ocultismo, entre idas e vindas desde a infância, acabei afinando com as práticas de cura, de diversas formas, da feitiçaria às técnicas xamânicas de vários povos, com a área dos oráculos, hermetismo e magia do caos, tudo isso entrelaçado com o uso de plantas de poder. Esse texto aborda o uso ritualístico mágico do rapé, que trazem possibilidades um tanto diferentes daquelas tradicionalmente abordadas pelos povos originários. No meu caminho prezo muito pela liberdade de pensamento e ação, aliados à experimentação, estudo e responsabilidade. 
O uso de qualquer planta de poder deve ser feito de maneira cautelosa, e em caso de primeiras experiências ou dificuldade em lidar com os efeitos da medicina, é aconselhável a presença de outras pessoas. Alteradores de consciência provocam estados de percepção que podem as vezes se mostrarem confusos, o que pode gerar desde consequências desagradáveis momentâneas, até problemas mais complexos, dependendo da ritualística envolvida naquela ocasião, portanto, vou frisar, experimentação aliada ao estudo e responsabilidade. 
O rapé é uma medicina indígena amazônica tradicionalmente de uso cerimonial que consiste em um pó composto de tabaco moído e cinzas de ervas específicas, cada uma contendo as propriedades e consciência específicos daquela planta, algumas trazendo clareza, outras, limpeza, proteção, harmonia, entre uma infinidade de possibilidades. 
    Seu uso é feito através de dois tipos de instrumentos, o kuripe, utilizado para a auto aplicaçã, e o tepi, utilizado para soprar o rapé em outra pessoa. A base dessa medicina, além das propriedades de cada planta da mistura, é a intenção. O ar é o elemento do fluxo, aquele que carrega as informações, transporta energias. Quando se coloca o rapé na mão, quem aplica a medicina, seja em si mesmo ou em terceiros carrega aquele composto com uma intenção específica, relacionada às necessidades daquele momento. 
    A medicina carrega em si os espíritos elementais daquelas plantas e quando se faz uso de qualquer tipo de ingestão delas, principalmente após sua ativação sob intenção, aquela consciência estará temporariamente acoplada à sua, carregada com o propósito colocado no momento da ativação. Quando o rapé entra no seu organismo sua consciência se expande e os pensamentos fluem com mais clareza, presentes no aqui e no agora, facilitando o estado de gnose, além de, no caso dos médiuns, auxiliar na ativação e potencialização de seus dons, conectando sua percepção aos outros planos com maior clareza.
    Na prática mágica, durante o ritual você pode intencionar o seu rapé com as energias que deseja movimentar e alcançar dentro de si mesmo, direcionando a medicina para realizar alterações no seu fluxo energético, facilitando os processos pretendidos. Por ser aplicado através do ar, ele possui a propriedade de muitas vezes trazer insights e informações que estavam sendo buscadas, as vezes sob a forma de intuição, pensamento, ou até mesmo eventos que venham a acontecer posteriormente. É um encantamento soprado, magia de voz, o direcionamento da Vontade para dentro do organismo, que age de dentro para fora, transmutando e mexendo nos seus padrões. 

    Quando utilizado em práticas de grupo, ele sintoniza todos os participantes em uma intenção e vibração harmônica, conectando os fluxos e auxiliando na transmutação energética das práticas feitas. Dependendo do grau de conexão é possível se comunicar diretamente com o elemental da medicina, recebendo informações, instruções e outros tipos de inspirações.

 

 

 

                                                                                                                                             Aplicação de rapé.  Foto: Areta Padma Fotografia

 

 


    Quando se cultua uma deidade, pode-se também consagrar seus instrumentos de uso e o próprio rapé para aquele Ser, tornando seu uso uma ferramenta de conexão e magia.  As experimentações e utilidades podem ser tão variados quanto a mente de quem estiver manuseando, porém, tabaco é uma planta do fogo, rígida e assim como pode te ajudar, se manipulado de forma incorreta pode trazer mais prejuízos do que ganhos, portanto respeito é a palavra chave ao lidar com essa consciência.
    Não é aconselhável de maneira alguma a utilização do rapé sem o conhecimento e domínio dessa medicina, a não sob a supervisão de alguém que esteja conduzindo o ritual. Alguns sintomas colaterais físicos podem se apresentar, como náuseas, vômito, vontade de evacuar, espirros e salivação, e sem autodomínio e conhecimento prévio dos efeitos que podem vir a ocorrer, você pode acabar passando por situações desagradáveis e chatas, por isso se você não tiver total confiança para aplicar em si mesmo sozinho, apenas faça uso dessa substância em contextos seguros com outras pessoas, no mais, liberdade e amor. 

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