Os mistérios da Esfinge

25/10/2017

— Que fazes em meu reino, reles mortal?

— Q-quem, eu?

— Sim! Caso queira atravessar essas terras, terá de decifrar meu enigma!

— Ah, se for aquele lance lá das quatro patas pela manhã, duas pela tarde, e três pela noite, pode esquecer que eu já sei que a resposta. É o HOMEM!

— Engana-se, mortal. Meu enigma é a minha própria forma. A resposta, está dentro da tua forma!

—Mas hein?

Cabeça de mulher, corpo de leoa. O mito geralmente é associado ao Antigo Egito, mas pode ter raízes ainda mais profundas! Estudando sobre as esfinges, Pierre Weil encontrou referências a essa figura mitológica em culturas como a Persa, Assíria, Grega e outras mais. Combinando sua ciência tipicamente cartesiana a conhecimentos esotéricos como a Cabala Hebraica, o Tarot, os Vedas Hindus e a Bíblia, ele conseguiu perceber na Esfinge um modelo ideal de microcosmo humano

 

Tomando como base a esfinge quaternária, ela seria composta por 4 animais. Patas de Boi, Corpo (tórax) de Leão, Asas de Águia, e Cabeça de Humano (mulher). Os três primeiros animais seriam representações de diferentes níveis de inconsciência humana. Enquanto a cabeça humana representaria a Consciência humana, desperta. É desse modo que Pierre Weil avalia a divisão da psique humana. Existe o estado de Consciência (sobre o qual eu comentei no texto anterior) e o estado onde estamos geralmente imersos, de Inconsciência.

O BOI:


O inconsciente dos prazeres carnais. Preguiçoso e luxurioso, ele busca satisfazer seus impulsos, assim como é o Id de Freud. Rege as atividades sensoriais mais básicas como o conforto e o impulso sexual. O boi também gosta de comida, ou de qualquer coisa que satisfaça prioritariamente o corpo e seus desejos. Domina os instintos de sobrevivência. É o primeiro a entrar em alerta, caso a vida de seu humano esteja sob ameaça.

 

O LEÃO:


Soberbo, o Ego humano gosta daquilo que o satisfaz por meio das emoções. É o centro do EU, aquele que pensa primeiro em si e nas suas satisfações emocionais/sentimentais. O leão ama, o leão se envaidece, o leão gosta de escutar uma boa música. O leão gosta de bossa nova, de paisagens belas, tudo o que agrada o seu íntimo, tudo o que te dá uma satisfação interior. O leão, algumas vezes, censura o Boi, que só quer saber de felação e conforto. O leão quer para si aquele ar de nobreza, precisa se sentir elevado, importante, privilegiado!

 

A ÁGUIA:


Asas para imaginação, pensamentos ao alto! O superego julga e analisa tudo criticamente. Um intelecto exacerbado, erudito, culto, e que se vangloria por um QI avantajado. A águia é o animal da inconsciência na racionalidade. Sim, é possível ser inconsciente ao ser racional, principalmente, quando chega-se ao extremo de ceticismos egoístas e mesquinhos. O ímpeto de pensar que é superior, ou que sabe mais do que qualquer outro, são traços característicos da águia. Fechada em seus conceitos e ideias pre-concebidas, dificilmente se abre para o novo. Dificilmente se permite conhecer ou entender o ponto de vista do próximo. Autoritária, é uma das expressões mais perigosas da Inconsciência, justamente, por ser muito confundida com a Consciência.
 

O CORPO E OS ANIMAIS:


A esfinge pode ser encontrada em nosso próprio corpo por meio de um estudo da linguagem corporal. Cada animal ganha uma posição de destaque em nosso corpo.

 

O boi tem seu centro motor localizado nas quadris. Movimentos do quadril, podem indicar as intenções positivas ou negativas de um boi. Um quadril travado, ou ocultado por algum objeto, pode indicar um instinto de auto-preservação. O leão tem seu centro motor no tórax. Um tórax erguido, avantajado, pode revelar um Ego soberbo que busca se afirmar ou se colocar na posição de superior. Enquanto um tórax murcho, pode simbolizar um Ego enfraquecido, que tolera se submeter aos Egos alheios. a águia, não poderia estar em outro lugar se não na cabeça. Uma águia que segue baixa, olhando para o chão, está sujeita a ser influenciada pelos fatores exteriores. Uma águia que segue erguida, mostra domínio e controle sobre o ambiente.

 

Geralmente, transitamos entre momentos em que estamos satisfazendo um desses três inconscientes. Desse modo, teríamos pouco, ou quase nenhum controle sobre a nossa expressão corporal. Enquanto que, em estado de Vigília e Consciência, seriamos capazes de escolher o fluxo por meio do qual alimentaríamos cada um dos nossos inconscientes.Não é a minha intenção aqui descrever os pormenores de cada um desses animais que vivem dentro da nossa psique, e que são tão bem representados pelo mito da Esfinge. Mas se me permitem, indico dois textos: O Corpo Fala - Pierre Weil, e Esfinge: Estrutura e Mistério do Homem, mesmo autor.

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