Em Busca da Alma

20/12/2017

 

 

Século XV e Leonardo da Vinci revirava túmulos à procura de corpos para dissecar em seu laboratório. Esfolou braços, pernas, tórax, dorso, costas, virilha, face, traseiro e abdômen. E o que ele encontrou? Ossos, membranas, órgãos - muitos órgãos - e nenhuma alma; nenhum resquício do divino que acreditávamos habitar em nós.

 

Século XVII, Descartes propôs que o corpo era o veículo da a alma, mas existia de forma dissociada do corpo. Segundo o filósofo, o cérebro era o receptáculo da alma, pois nele se encontra o centro de comandos do corpo - o aparelho anímico era o piloto do veículo.

 

Século XX, a neurociência avança. Estuda cérebros de vivos, mortos - humanos e animais. Descobre mil mistérios fabulosos, como os neurônios espelhos, as redes neurais, os campos de linguagem e associatividade, a memória de longo e curto prazo, mas novamente, nada de encontrar uma alma.

 

Século XXI e a ciência está mais próxima de dar vida a uma máquina do que encontrar a alma perdida em nós. Minto, perdida não!, mas desencontrada. Podemos continuar açoitando nossa carne, pedindo perdão e caridade por nossos pecados e não encontraremos nada de nós mesmos, nada da centelha que anima o corpo e distingue um ser respirante de um ser putrefante.

 

Responda-me você: sabe onde está sua alma? Sabe sequer, com certeza - de qualquer natureza - que sequer possui uma alma? Eu não tenho uma resposta, só perguntas que me guiam a conhecer mais sobre o mundo, sobre o corpo, sobre a mente, sobre a vida. Se eu encontrar minha alma, ótimo! Se nada encontrar, ao menos terei feito uma boa busca.

 

Arte Original de Bartosz Wojda http://bartoszwojda.blogspot.com/

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