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  • Urgência e Magia

    Eu estava em uma reunião em uma das minhas tradições espirituais neste último fim de semana. Foi uma reunião longa e difícil. Estávamos conversando sobre as sombras de nossa tradição e como poderíamos aparecer melhor. As conversas foram difíceis, inteligentes, desafiadoras e bonitas. Mas algo que surgiu foi o conceito de urgência. Sentimos-nos compelidos a fazer mudanças agora o que foi difícil para várias pessoas presentes nessas reuniões. Isso me fez pensar na conexão entre urgência e magia. Urgência Às vezes, um senso de urgência pode parecer avassalador. A urgência pode nos fazer sentir apressados ​​ou sem tempo suficiente para tomar uma decisão informada. Podemos nos sentir impulsionados por um processo de grupo sem qualquer base sólida em nossos próprios sentimentos. Para algumas pessoas, isso pode ser bom. Outras pessoas, no entanto, podem não se sentir fundamentadas no processo, o que faz com que qualquer tomada de decisão seja interrompida. Urgência e Magia Urgência e magia vão bem juntas. O poder da urgência traz a compreensão de que é necessária uma ação rápida. Precisamos acelerar e fazer alguma coisa. Magia pode ser algo que fazemos. Essas duas coisas andam de mãos dadas. Se alguém sofrer um acidente de carro, praticar imediatamente a saúde e a cura pode aumentar a eficácia do processo de cura. No entanto, não fazemos apenas feitiços mágicos e deixamos alguém sentar no carro batido. Eles também recebem intervenção médica e ajuda profissional. É preciso as duas mãos - mundana e mágica - para obter os resultados mais positivos na cura. A intervenção médica vem com um senso natural de urgência. A equipe médica precisa tomar decisões rapidamente. Eles precisam confiar em suas habilidades e nas habilidades dos outros profissionais ao seu redor. O senso de urgência é o que os motiva a agir. Emoção e Urgência Quando me refiro a um senso de urgência e magia, não estou me referindo à emocionalidade - que é uma palavra que acabei de inventar - e magia. Se você está se sentindo desesperado ou em pânico, não é hora de entrar em magia. Ser aterrado, centralizado e dimensionado corretamente é uma parte importante do processo. Se você estiver solidamente em seu poder, a força da urgência não deve ser um problema. E, inversamente, se você for pego em sua reação emocional ou preso em seus sentimentos por uma situação, o impulso de urgência pode levá-lo a tomar uma má decisão. Estando centrado Por fim, como um trabalhador mágico sendo fundamentado, centralizado e dimensionado corretamente é a nossa ferramenta mágica mais importante - talvez perdendo apenas para o discernimento. Quando estamos trabalhando em um local de tamanho certo, a urgência não deve ser um problema. #Magia

  • As flores e a mitologia

    Da nova vida à morte, da pureza à paixão, as flores tiveram muitos significados em mitos e lendas. Crescendo de um broto macio à plena floração, as flores estão associadas com juventude, beleza e prazer. Mas, à medida que murcham e morrem, as flores representam a fragilidade e a passagem rápida da vida para a morte. Flores específicas, como rosas e lírios, assumiram um significado simbólico na mitologia. Papéis das flores Muitas plantas florescem por apenas algumas semanas, muitas vezes na primavera ou no início do verão, e as flores individuais tendem a ser de curta duração. Em seu auge, as flores são delicadas, coloridas e, com frequência, adocicadas. Destas qualidades emergem os significados simbólicos das flores e, em algumas culturas, das deusas florais . Simbolismo Muitas culturas conectam flores com o nascimento, com o retorno da primavera após o inverno, com a vida após a morte, e com a juventude alegre, a beleza e a alegria. No entanto, porque elas desaparecem rapidamente, as flores também estão ligadas à morte, especialmente à morte dos jovens. Juntos, os dois conjuntos de associações sugerem a morte, seguida pelo renascimento celestial, que pode ser uma das razões para a tradição de colocar ou plantar flores nas sepulturas. As pessoas também oferecem flores para seus deuses em santuários e decoram igrejas com elas. Em muitas sociedades, certas cores de flores adquiriram significados simbólicos. As flores brancas, por exemplo, representam tanto a pureza quanto a morte, enquanto as vermelhas geralmente simbolizam paixão, energia e sangue. Flores amarelas podem sugerir ouro ou sol. Na tradição taoísta chinesa, o mais alto estágio da iluminação era retratado como uma flor dourada que crescia do alto da cabeça. As formas das flores também têm significado. Flores com pétalas projetando-se para fora como raios de luz do sol têm sido associadas ao sol e à ideia do centro - do mundo, do universo ou da consciência. Deusas Os astecas, que dominavam o centro do México antes do início do ano de 1500, tinham uma deusa da sexualidade e da fertilidade chamada xochiquetzal, que significa "flor em pé". Ela carregava um buquê de flores e usava uma coroa de flores em seu cabelo. Fragmentos da poesia sobrevivente mostram que os astecas reconheciam o duplo simbolismo das flores como emblemas da vida e da morte: floral que tem a ver com flores iluminação no budismo, um estado espiritual marcado pela ausência de desejo e sofrimento As flores brotam e brotam, crescem e brilham. . . . Como uma flor no verão, o nosso coração se refresca e floresce. Nosso corpo é como uma flor que floresce e rapidamente murcha. . . . Pereça implacavelmente e floresça mais uma vez, flores que tremem e caem e se transformam em pó. Os gregos também tinham uma deusa floral, Chloris, que era casada com Zephyrus, o deus do vento do oeste. Os romanos a chamavam de Flora e a honravam a cada ano com uma celebração conhecida como Floralia. Ela era frequentemente retratada segurando flores ou espalhando-as; sua imagem coroada de flores apareceu em moedas da república romana. Histórias e Significados Muitas flores de todo o mundo aparecem na mitologia. A anêmona, cravo, jacinto, lírio, lótus, narciso, papoula, rosa, girassol e violeta estão entre aquelas que estão associados a histórias ou costumes de várias culturas. Anêmona A mitologia grega ligava a anêmona vermelha, às vezes chamada de windflower, à morte de Adonis . Este jovem bonito era amado por Perséfone, rainha do submundo, e Afrodite, deusa do amor. Adonis gostava de caçar, e um dia, quando estava caçando sozinho, feriu um feroz javali, que o esfaqueou com suas presas. Afrodite ouviu os gritos de seu amante e chegou a ver Adonis sangrando até a morte. Anêmonas vermelhas brotavam da terra onde as gotas do sangue de Adonis caíam. Em outra versão da história, as anêmonas estavam brancas antes da morte de Adonis, cujo sangue as deixou vermelhas. Cristãos mais tarde adotaram o simbolismo da anêmona. Para eles, seu vermelho representava o sangue derramado por Jesus Cristo na cruz. Anêmonas às vezes aparecem em pinturas da Crucificação. Cravo Compostas por pétalas de franjas brancas, amarelas, cor-de-rosa ou vermelhas, bem embaladas e com franjas, têm muitos significados diferentes. Para os índios do México, eles são as "flores dos mortos", e suas flores perfumadas são empilhadas em torno de cadáveres sendo preparados para o enterro. Para os coreanos, três cravos colocados no topo da cabeça são uma forma de adivinhação. A flor que murcha primeiro indica qual fase da vida da pessoa conterá sofrimento e sofrimento. Para os flamengos da Europa, os cravos vermelhos simbolizavam o amor, e uma espécie de cravo chamado de rosa era tradicionalmente associada a casamentos. Jacinto O mito grego de Jacinto e Apolo conta a origem do jacinto, um membro da família dos lírios. Hyacinthus, um jovem lindo de Sparta *, era amado pelo deus sol Apolo. Um dia os dois estavam se divertindo lançando um disco quando o disco atingiu Hyacinthus e o matou. Alguns relatos dizem que Zéfiro, o deus do vento do oeste, dirigiu o disco por inveja porque ele também amava Jacinto. Enquanto Apolo estava profundamente aflito, lamentando a perda de sua companheira, uma esplêndida nova flor emergiu da terra manchada de sangue onde o jovem havia morrido. Apolo nomeou-o jacinto e ordenou que um festival de três dias, o Hyacinthia, fosse realizado em Esparta todos os anos para homenagear seu amigo. Lírio Para os antigos egípcios, o lírio em forma de trombeta era um símbolo do Alto Egito, a parte sul do país. No antigo Oriente Próximo, o lírio estava associado a Ishtar, também conhecida como Astarte, que era uma deusa da criação e da fertilidade, bem como uma virgem. Os gregos e romanos ligaram o lírio à rainha dos deuses, chamada Hera pelos gregos e Juno pelos romanos. O lírio também era um dos símbolos da deusa romana Vênus. Em tempos posteriores, os cristãos adotaram o lírio como o símbolo de Maria, que se tornou a mãe de Jesus enquanto ainda era virgem. Os pintores costumavam retratar o anjo Gabriel entregando um lírio a Maria, que se tornou um símbolo cristão de pureza. Além de estar ligado a Maria, o lírio também era associado a santos virgens e outras figuras de excepcional castidade. Lótus O lótus compartilha algumas associações com o lírio. As flores de lótus, que florescem na água, podem representar o poder sexual feminino e a fertilidade, assim como o nascimento ou o renascimento.Os antigos egípcios retrataram a deusa Ísis nascendo de uma flor de lótus e colocaram lótus nas mãos de seus mortos mumificados para representar a nova vida na qual as almas mortas tinham entrado. O lótus aparece frequentemente em histórias hindus e budistas. Aqui, Buda se senta em um trono de flores de lótus. Na mitologia asiática, o lótus muitas vezes simboliza os órgãos sexuais femininos, dos quais nascem novas vidas. Os lótus aparecem na mitologia hindu e budista. Os hindus referem-se ao deus Brahma como "nascido de lótus", pois dizem que ele emergiu de um lótus que era o umbigo, ou centro, do universo. O lótus é também o símbolo da deusa Padma, que aparece nos dois monumentos hindus e budistas como uma força criativa. A santidade da flor é ilustrada pela lenda de que, quando o Buda andou sobre a terra, deixou lótus em sua trilha, em vez de pegadas. Um mito sobre a origem do Buda relata que ele apareceu pela primeira vez flutuando em um lótus. De acordo com uma lenda japonesa, a mãe de Nitiren (Lótus do Sol) engravidou sonhando com a luz do sol em um lótus. Nichirin fundou um ramo do budismo nos anos 1200. A frase "Om mani padme hum", que ambos hindus e Os budistas usam na meditação, significa "a joia no lótus" e podem se referir ao Buda ou à união mística das energias masculina e feminina. Narciso O mito grego sobre o a flor do narciso envolve a punição dos deuses por deficiências humanas. Como as histórias de Adonis e Hyacinth, envolve a transferência de vida ou identidade de um jovem moribundo para uma flor. Narciso era um jovem excepcionalmente atraente que desprezava os avanços daqueles que se apaixonaram por ele, incluindo a ninfa Echo. Sua falta de simpatia pelas dores daqueles que ele rejeitou enfureceu os deuses, que fizeram com que ele se apaixonasse por seu próprio reflexo enquanto se inclinava sobre uma poça de água. Preso em auto-adoração, Narciso morreu - ou por afogamento enquanto tentava abraçar sua própria imagem ou se definhando na borda da piscina. No lugar onde ele se sentou olhando fixamente para a água, apareceu uma flor que as ninfas chamavam de narciso. Tornou-se um símbolo de egoísmo e frieza. Hoje os psicólogos usam o termo narcisista para descrever alguém que dirige suas afeições para dentro e não para outras pessoas. Papoula Um tipo de papoula nativa da região do Mediterrâneo produz uma substância chamada ópio, uma droga que foi usada no mundo antigo para aliviar a dor e trazer o sono. Os gregos associavam as papoulas a Hypnos, deus do sono, e a Morpheus, deus dos sonhos. A morfina, uma droga feita de ópio, recebe o nome de Morpheus. Rosa A rosa, uma flor de cheiro doce que floresce em um arbusto espinhoso, teve muitos significados na mitologia. Foi associada com a adoração de certas deusas e foi, para os antigos romanos, um símbolo de beleza e a flor de Vênus. Os romanos também viam as rosas como símbolo de morte e renascimento, e frequentemente as plantavam em sepulturas. A linguagem das flores Na Europa do final do século XIX, a ideia de que as flores representavam sentimentos se transformou em um sistema de comunicação por meio de arranjos de flores. Os livros de código guiavam aqueles que queriam compor ou ler mensagens florais. De acordo com um livro, a flor de macieira significa "Será que o brilho do amor finalmente avermelhará suas bochechas delicadas?" Trevo de campo significava "Me avise quando eu puder vê-lo novamente". Uma pétala de rosa vermelha significava "Sim!", Uma branca "Não!" Spurge, uma flor verde, carregou a mensagem: "Sua natureza é tão fria que se pode pensar que seu coração é feito de pedra". Os usuários dessa linguagem elaborada precisavam não apenas de um livro de códigos, mas também da capacidade de reconhecer flores. Quando os cristãos adotaram a rosa como um símbolo, ela ainda mantinha conexões com antigas deusas-mães. A flor foi associada a Maria, a mãe de Cristo, que às vezes era endereçada como a Rosa Mística ou Santa. Com o tempo, a rosa adquiriu significados adicionais no simbolismo cristão. Rosas vermelhas passaram a representar o sangue derramado pelos mártires que morreram por sua fé; os brancos defendiam a inocência e a pureza. Uma lenda cristã diz que as rosas originalmente não tinham espinhos. Mas depois do pecado de Adão e Eva - para o qual foram expulsos do Jardim do Éden - a rosa criou espinhos para lembrar às pessoas que elas não viviam mais um estado de perfeição. Girassol Algumas flores viram suas cabeças durante o dia, girando lentamente em seus talos para enfrentar o sol enquanto viaja pelo céu. O mito grego de Clytie e Apolo, que existe em várias versões, explica esse movimento como o legado de uma garota apaixonada. Clytie, que era uma ninfa da água ou uma princesa da antiga cidade da Babilônia, se apaixonou por Apolo, deus do sol. Por um tempo o deus devolveu seu amor, mas depois ele se cansou dela. A desamparada Clytie sentou-se, dia após dia, lentamente virando a cabeça para ver Apollo se mover pelo céu em sua carruagem solar. Eventualmente, os deuses tiveram pena dela e a transformaram em uma flor. Em algumas versões do mito, ela se tornou um heliotrópio ou calêndula, mas a maioria dos relatos diz que Clytie se tornou um girassol. Violeta Violeta, que cresce baixo até o chão e tem pequenas flores roxas ou brancas, apareceu em um antigo mito do Oriente Próximo que provavelmente inspirou o mito grego e romano de Vênus e Adônis. De acordo com esta história, a grande deusa mãe Cibele amava Attis, que foi morto enquanto caçava um javali. Onde o sangue dele caiu no chão, violetas cresceram. Os gregos acreditavam que as violetas eram sagradas para o deus Ares e um dos muitos amores humanos de Zeus. Mais tarde, no simbolismo cristão, o violeta simbolizava a virtude da humildade, ou modéstia humilde, e várias lendas contam que as violetas brotavam das sepulturas das virgens e dos santos. Os contos populares europeus associam as violetas à morte e ao luto. Traduzido de: http://www.mythencyclopedia.com/Fi-Go/Flowers-in-Mythology.html Consulte Mais informação: http://www.mythencyclopedia.com/Fi-Go/Flowers-in-Mythology.html#ixzz5rigTUXsn #Flores

  • Magia e partes do corpo

    ❇ Para magia de aterramento, coloque seu foco em seu peito. Seus pulmões e veias parecem árvores por uma razão, a respiração é a raiz da sua vida e te leva à sua situação. Imagine os ventrículos se infiltrando em cada parte do seu corpo, mantendo-o firme e mantendo-o aterrado. ❇ Para proteção mágica, concentre-se nos cotovelos e joelhos. Seus braços são a primeira coisa que se enrolam para proteger sua cabeça, seus joelhos se enroscam para proteger seus órgãos. As junções e os músculos aqui lançarão poder nas magias que o mantêm mais seguro. ❇ Para adivinhação e meditação, concentre-se nas suas costas. Sua coluna transporta informações de todos os pontos do seu corpo; conecta cada pedaço de você. Para absorver e lembrar de todas as informações de olhar para coisas que normalmente não são vistas, é a sua espinha que vai ajudá-lo. ❇ Para magia glamour concentre-se em seus ombros e quadris. Seus ombros e quadris são articulações sólidas e firmes que conectam os apêndices ao tronco. Ao tentar trazer glamour para você ou para os outros, concentre-se nesses pontos fortes e sensuais. Eles vão levar sua força mais suave. ❇ Para magia de ocultação, concentre-se nas suas mãos. Suas mãos se movem muito ao longo do dia, fazendo todo mundo imaginável #Corpo #Dicas

  • Rotina de cuidados com a pele magicka

    INSTRUÇÕES Lave duas vezes por dia! Concentre-se em banir mais energia negativa coletada no final do dia e convocar mais energia positiva no início do dia. Etapa 1. OPCIONAL! Carregue seu sabonete com turmalina preta, obsidiana negra ou outros cristais que banem a energia negativa. Faça o mesmo com cristais que promovem vibrações positivas, como turquesa e quartzo! 💎💕 Passo 2. Comece colocando uma toalha debaixo de água quente (mas não quente o suficiente para machucá-lo!) Dê um tapinha no seu rosto para abrir seus poros e abrir sua mente. 🔥🛁 Passo 3. Com as mãos limpas, lave o rosto. Certifique-se de se concentrar especialmente em sua testa, onde estão seus pensamentos. Concentre-se em trazer seus pensamentos e sentimentos negativos para o sabão. 👩 ‍ Passo 4. Com o pano quente, lave o sabão. Veja a energia negativa descer pelo ralo! 🚿 Etapa 5. Pense em pensamentos positivos ao trocar a água de quente para fria. Molhe o pano e lave o rosto com água fria, selando essa energia positiva. 🚿❄️☀️ Passo 6. Dê palmadinhas secas! Passo 7. Porque as espinhas vêm junto com o estresse, eu acredito que a acne é uma manifestação física de energia ruim. Então use esse creme de espinha e direcione-o para a frente! Se você não tem creme para espinhas, concentre-se apenas no seu acne no Passo 3. ‍♀️ ♥ ️ Etapa 8. OPCIONAL. Loção! Sele ainda mais essas vibrações positivas e deixe sua pele macia! 👶 Etapa 9. MAIS IMPORTANTE. Beba água! É importante para qualquer rotina de cuidados com a pele! 🚰💦 #Beleza

  • Magia do Caos: O Xamanismo Pós-moderno e o Legado de Austin Osman Spare

    Então seja bem-vindo ao Kali Yuga do Pandemonaeon, onde nada é verdadeiro e tudo é permitido. . . O segredo é que não há segredo do universo. . . Tudo é caos e a evolução não está indo a lugar nenhum em particular. — Peter J. Carroll, Liber Null e Psiconauta Navegando através do labirinto da subcultura mágica atualmente, dificilmente podemos deixar de encontrar praticantes da Magia do Caos, uma forma de ocultismo que está atraindo atenção considerável dentro das comunidades mágicas americanas e europeias atualmente. Quem compõe este círculo misterioso, que se reúne sob a bandeira de uma estrela de oito raios e proclama: "Tudo é permitido e nada é verdadeiro"? Acontece que a Magia do Caos engloba um conglomerado heterogêneo de pessoas e filosofias, e não existe nenhuma definição que seja aceita por todos ou mesmo pela maioria dos praticantes do Caos. Uma maneira útil de considerar a Magia do Caos é como o xamanismo pós-moderno. Peter Carroll , o ocultista britânico que foi o popularizador original do Caos Mágico, observa: “O xamanismo guiou todos os humanos. e ocultá-los em equilíbrio por milhares de anos. Todo ocultismo é uma tentativa de reconquistar essa sabedoria perdida. ”1 Um motivo proeminente conectando magos do Caos é uma filosofia que diz que todos os sistemas de conhecimento são socialmente construídos e culturalmente tendenciosos (uma visão conhecida como pós-modernismo desconstrutivo.) Naturalmente decorre dessa ideia que nenhuma crença é mais verdadeira do que qualquer outra. O pós-modernismo desconstrutivo também afirma que os seres humanos não há um eu permanente ou nuclear, mas consistem em um desfile diverso e em constante mudança de posturas de caráter que são efêmeras e essencialmente sem sentido. 2 Estas suposições têm muito em comum com a doutrina budista de anatman ou “não-eu”, mas voar em face da maioria filosofia tradicional ocidental esotérica e prática, que geralmente pressupõem a existência de um eu pessoal eterna que é capaz de evolução e é sujeito a carma e reencarnação. O esoterismo ocidental também ensina que os mundos visível e invisível estão ligados por um conjunto de correspondências, ou, como Paracelso os denominou, "as assinaturas da natureza". Essas "assinaturas" podem ser divinadas contemplando o mundo natural e sendo reveladas por adeptos. Um mago pode usar este sistema para manipular energias planetárias, gemas, plantas e entidades como elementais e demônios, a fim de alcançar seus objetivos desejados. Magos do caos zombam dessas alegações. Eles concluem que a vontade e a imaginação - não a manobra de elementos dentro de uma tabela de correspondências - são as forças operativas da magia. Esses praticantes não só desprezam as “assinaturas da natureza” e outros princípios tradicionais, mas frequentemente deliberadamente parodiam práticas das ordens mágicas mais convencionais, como o uso do lema latino ou nome mágico. Os mágicos do caos podem adotar apelidos como “Frater Non Sequitur” ou “Soror Impropriedade” como uma maneira de manusear os narizes dos tradicionalistas e indicar o absurdo de se levar muito a sério. No entanto, os magos do caos estão perfeitamente dispostos a usar crenças e rituais tradicionais. Por outro lado, evitam anexar qualquer verdade ou significado final a esses dispositivos e estão dispostos a descartá-los assim que se mostrarem ineficazes. Em outras palavras, as crenças são vistas como ferramentas que podem ser empregadas ou abandonadas ao capricho do mago (uma prática que elas frequentemente chamam de “mudança de paradigma”). Austin Osman Spare, o ocultista inglês e artista cujo trabalho influenciou fortemente a Magia do Caos, escreveu que a crença de um mago nunca deveria ficar estagnada ou trancada em uma forma divina específica: “O familiar é sempre estéril. . . o familiar induz a fadiga; fadiga induz indiferença; que nada seja visto dessa maneira; enxergar ser como visão - toda visão uma revelação ”3 Peter J. Carroll traçou as origens da Magia do Caos a quatro matrizes principais: Spare, Aleister Crowley e as tradições do xamanismo e da feitiçaria. Uma compreensão do trabalho de Spare, embora talvez o mais misterioso e o menos acessível dessas fontes, seja crucial para compreender o impulso por trás da Magia do Caos, porque ele é considerado seu avô. Austin Osman Spare (c.1886-1956), também conhecido por seu nome mágico, Zos, nasceu em Snowhill, Londres, para pais de classe média. Em tenra idade, ele exibiu grande habilidade como artista, e aos dezesseis anos ele recebeu uma bolsa de estudos para a Academia Real de Arte. Ele trabalhou como ilustrador de livros, e seu trabalho visionário e surrealista foi elogiado por homens como George Bernard Shaw e John Singer Sargent. Ele também escreveu vários livros, incluindo Earth Inferno, Focus of Life e A Book of Satyrs. Além da arte, o ocultismo era a paixão da vida de Spare, e seu trabalho mais influente foi O Livro do Prazer, um volume belamente ilustrado que detalhava sua filosofia arcana. 4 De todas as contas, Spare era dotado de notáveis ​​habilidades psíquicas. Quando jovem, ele conheceu e estudou com uma mulher idosa indigente a quem ele chamava em seus escritos “Mrs. Paterson. ”Ela era uma exímia adivinhadora que podia induzir formas de pensamento a manifestar-se visualmente durante suas consultas divinatórias; Spare também poderia conseguir esse efeito, embora não com a consistência de seu professor. Além disso, a Sra. Paterson, que afirmava ser uma bruxa iniciada, transmitiu muito do seu conhecimento secreto ao seu jovem aluno. 5 Usando técnicas colhidas da Sra. Paterson, Spare procurou mergulhar em seu inconsciente através dos meios do sexo e da arte, enquanto usava suas incursões nos domínios invisíveis como uma inspiração para seu trabalho criativo. Ele freqüentemente contatou os habitantes dos mundos invisíveis, especialmente um guia espiritual chamado Águia Negra. Mais tarde, Spare tornou-se um iniciado na ordem mágica de Crowley, o Ordo Templi Orientis, mas ele saiu depois de cerca de um ano, preferindo trabalhar por conta própria. 6 O Livro do Prazer contém um dos projetos mais importantes de Spare: o "Alfabeto do Desejo" (também chamado de "Alfabeto Atávico"), uma ferramenta mágica que ele concebeu para agilizar o contato com os reinos psíquicos. Este alfabeto de “sigilos” (anagramas estilizados) era uma parte instrumental de sua técnica de “ressurgimento atávico”, uma prática usada para desenvolver a consciência de encarnações anteriores, incluindo vidas animais. Nevill Drury, o autor de vários livros sobre magia e xamanismo, escreve que o pensamento de reposição “ele poderia refazer suas existências anteriores e, depois de localizar a sua primeira personalidade, poderia transcender e fundir-se com o vazio, que ele chamou Kia.” 7 Spare realizada que cada mago deveria construir um alfabeto individual de sigilos a partir do material de sua mente inconsciente. Cada sigilo representaria uma instrução para o inconsciente, e a meditação em um sigilo particular faria com que a energia correspondente latente nessa parte da mente se elevasse, agora livre para ser usada pela vontade do mago. Spare também fez uso de práticas indutoras de transe, incluindo “a Postura da Morte” (olhando fixamente para um espelho a curta distância), para induzir um estado de vazio, permitindo que o sigilo contornasse a mente consciente e entrasse em contato direto com o inconsciente. . Enquanto a maioria dos ocultistas provavelmente concordaria que o ressurgimento atávico é um potente dispositivo psicológico, eles diferem quanto à conveniência de seu uso. Embora Drury afirme que o trabalho de Spare foi o pioneiro de novas perspectivas no ocultismo, ele acredita que a mágica de Spare era contra-evolucionária no sentido de que Spare se expunha a aspectos primordiais da consciência que são melhor deixados sem serem perturbados. De acordo com Drury, Spare ficou impressionado com a reativação de energias atávicas que ele era incapaz ou não queria controlar, e seu trabalho artístico sofreu como resultado. 8 Damien Anderson, no entanto, um mágico e autor do Caos, sustenta que Spare, um mágico extremamente poderoso, conscientemente e destemidamente se ofereceu como um meio do Vazio para facilitar sua obra de arte, e que através de seu trabalho mágico ele colheu exatamente o tipos de resultados artísticos que ele estava procurando. 9 A filosofia que sustenta a prática do ressurgimento atávico está fundamentada na concepção de Spare de “Kia”, um termo que ele usou para denotar o espaço entre os mundos, o reino “Nem um nem outro”. Ele postulou que libertar-se dos dogmas tradicionais e das convenções sociais, bem como empregar a ferramenta do ressurgimento atávico, liberaria energia da psique. Essas práticas, por sua vez, facilitariam a comunhão do mago com Kia (diferentemente conhecida em outras tradições como Eu, Deus ou o Tao). Seu objetivo era permanecer além dos estados de subjetividade e objetividade e entrar no que o poeta Rainer Maria Rilke chama de Weltinneraum, "o mundo-interior-espaço". A rejeição de Spare à moralidade e religião convencionais é outra postura que os magos do Caos geralmente adotam. Os praticantes atuais não são menos individualistas do que Spare, como aprendi com minhas perguntas sobre a Magia do Caos na Internet. Respondendo às minhas perguntas, um praticante, JB Bell, explicou: “Eu acho que a Magia do Caos é uma maneira científica de fazer magicka. É totalmente empírico, no sentido de que suas técnicas se preocupam apenas em obter resultados. Não se preocupa com a metafísica de por que as técnicas mágicas fazem o que fazem. ” Tzimon Yliaster, outro mago, escreveu:“ Como todos os sabores de 'magia', é um meio de causar mudanças mais ou menos em conformidade com os desejos da pessoa. . Diferentemente da maioria dos outros sabores, no entanto, ele se baseia na experiência individual e na descoberta para determinar a validade das técnicas. . . O que é válido para um mágico pode muito bem ser inútil para outro.” Zazas, de Oakland, Califórnia, acrescentou: “Magia do Caos. . . procura atualizar a teoria em termos da ciência moderna, particularmente a física quântica, e rejeita o dogma, particularmente a bagagem metafísica que a tradição mágica transmitiu durante séculos como 'verdade' sagrada." Enquanto a palavra "caos" geralmente evoca visões de tumulto e desordem, Peter Carroll usa o termo em um sentido específico: ele entende que o Caos é a força que anima todos os eventos do cosmos. Ele observa que outras tradições se referem a essa “coisa” como Deus ou Tao, mas ele prefere chamar de “Caos” porque esse termo é “virtualmente sem sentido e livre das idéias infantis e antropomórficas sobre religião”. 11 Na terminologia de Carroll, a consciência é "Kia", uma parte do Caos maior. O mago procura aumentar a manifestação do Kia através de exercícios de concentração, bem como através de estados alterados de consciência; As técnicas empregadas incluem percussão, cânticos, drogas psicotrópicas, excitação sexual e excitação emocional provocadas pela contemplação de imagens horríveis ou grotescas. De acordo com Carroll, "na medida em que o Kia pode se tornar um com o Caos, ele pode estender sua vontade e percepção para o universo e realizar a magia".12 Não é de surpreender que certos aspectos dessa filosofia tenham recebido consideráveis ​​críticas. O autor Jan Fries , por exemplo, afirma depreciativamente que a Magia do Caos é simplesmente a moda mais recente nos círculos ocultistas e é na verdade “apenas um nome bonito para o inconformismo organizado”.13 Ele critica os magos do Caos que desejam “mais poder, melhores resultados, menos esforço, magia mais forte ”, dizendo que muitos não entendem que o desejo por todas essas coisas é apenas mais um desvio do ego. Mas algo mais provocativo do que um simples desejo de não-conformidade une os praticantes da magia do Caos. Junto com uma aceitação geral do desconstrucionismo, eles parecem fascinados com o eu sombrio, as esferas escuras da realidade e imagens fantasmagóricas e macabras. Não por coincidência, muitos magos do Caos se detonaram em jogos de fantasia como Dungeons and Dragons, e muitos também são devotos de HP Lovecraft e outros escritores dos gêneros de terror e fantasia. Esses mágicos geralmente incorporam elementos de ficção de fantasia (os mitos de Lovecraft, por exemplo) em seus rituais. Esse encantamento com o lado negro da existência é explicado pelo autor Mishlen Linden, que observa que o ocultismo ocidental enfatizou os "deuses da luz" e reprimiu as forças sombrias da psique. Linden declara que é necessário um equilíbrio de imagens claras e escuras, e observa que “quando luz e escuridão. . . foram integrados, então todos nós podemos ser verdadeiramente livres. ” 14 Há outros que vêem o valor de integrar o simbolismo gótico e etéreo em sua prática mágica. Em seu artigo “Os Princípios Dualistas do Poder Mágico”, Damien Anderson diz que o ocultista deveria escolher o sistema simbólico que causa o maior tumulto dentro da psique; a turbulência resultante ajudará a dissolver as estruturas de crença que restringem a energia psíquica - uma teoria que remete à filosofia de Spare. Para alguns, imagens etéreas de luz e amor produzirão o melhor resultado, enquanto para outros, o simbolismo chocante e horrível será mais eficaz. Anderson continua a definir a "Mágicka" como um "que deseja exercer o poder e criar a mudança pela vontade. Magia é projetada para manipular as forças que estão no fundo dos vazios da não-mente. ”O escárnio mútuo que os magos“ negros ”e“ brancos ”geralmente sentem pelas tradições de cada um é um resultado da má compreensão da natureza do poder. Em última análise, o poder é puro e desprovido de cor. . . . Quer uma Mágicka usa o simbolismo da Escuridão ou Luz, o Poder manifestando será puro em forma se a Mágicka é um canal claro. ” 15 Carroll também aborda a questão da magia branca e negra em Liber Null e Psiconauta:“ Magia Branca se inclina mais para a aquisição de sabedoria e um sentimento geral de fé no universo. A forma negra está mais preocupada com a aquisição de poder e reflete uma fé básica em si mesmo. Os resultados finais provavelmente não serão diferentes, pois os caminhos se encontram de uma maneira impossível de descrever. ” 16 A comunidade de magia branca tem sido conhecida por demonizar a prática da Magia do Caos, temerosa de que sua preocupação com os reinos mais sombrios, junto com o axioma “Tudo é permitido e nada é verdadeiro”, pode ser um mandato para desordem e caos. Claramente, o perigo está presente: alguns aficionados da magia do Caos parecem ter se tornado excessivamente obcecados pelo poder e controle, exibindo uma arrogância como a de adolescentes rebeldes. 17 A maioria dos praticantes, no entanto, considera o slogan “Tudo é permitido e nada é verdadeiro” como simplesmente um catalisador para o pensamento crítico. Marik, um mágico de Nova Orleans, diz que seu objetivo como praticante da magia do Caos é "desconstruir estruturas de crenças para permitir que a energia livre resultante dessa desconstrução produza efeitos mágicos". Longe de defender um antinomianismo degenerado, Marik afirma que desenvolver uma moralidade pessoal é primordial para o mago e é importante para alcançar uma vida de sucesso e compaixão. Ele enfatiza, no entanto, que é preciso construir uma moralidade a partir da experiência de vida e não adotar um código ético de segunda mão; sua própria perspectiva moral ressoa de perto com os princípios éticos budistas. Tal complexidade de crenças não é surpreendente, tendo em vista as diversas fontes das quais os adeptos vêm para a Magia do Caos. Alguns praticantes não tinham experiência anterior com ocultismo, mas ficaram intrigados com essa forma particular como resultado de seu interesse em Lovecraft, física quântica ou teoria científica do caos. Outros foram anteriormente envolvidos com o paganismo e xamanismo, Voodoo, disciplinas espirituais orientais, ou outras ordens mágicas ocidentais. Vários magos do Caos ainda mantêm suas afiliações com outros grupos, incluindo os covens wiccanianos e o Ordo Templi Orientis. Grande parte da atração da Magia do Caos reside em seu individualismo e sua falta de dogma. Os rituais do caos, por exemplo, tendem a ser diversos e idiossincráticos. Ashton, um praticante de Santa Cruz, Califórnia, descreveu sua programação mágica assim: “Os deuses da casa são Legba, Shub-Niggureth, Eris e vários servidores. Eles são tratados e alimentados diariamente, e eu faço uma boa quantidade de trabalho tipo 'bruxa de cozinha'. . . . Eu sou um Thelemita ativo e executo Resh (todos os 4), Vontade e uma Eucaristia diariamente também. Eu tenho duas correntes divergentes de Ciclo de Mito que pratico, mantenho os funcionamentos da Aurora Dourada, e continuo trabalhando em um Alfabeto do Desejo e vários funcionamentos de servidor / egrégora. Atualmente eu trabalho solo na Flesh e on-line com um número de Adeptos Virtuais. ” Um praticante de Caos baseado em San Luis Obispo, Califórnia, diz:“ Eu fiz qualquer coisa desde cerimonial egípcio até adivinhação óssea africana até o uso de um instrumento para induzir um efeito mágico. Eu gosto de trabalhar em caminhos e invocar demônios do Necronomicon”. Outro ocultista escreveu:“ Eu geralmente trabalho sozinho. . . ### Eu faço algumas coisas devocionais básicas para minha divindade no momento (ultimamente deusas da morte astecas) e sangue e dor são boas ferramentas, assim como a calma e o canto. ” Além das práticas individuais, há também várias organizações de caos, o mais conhecido dos quais é o Illuminates of Thanateros (IOT), uma ordem iniciada por Peter Carroll. De acordo com um comunicado da Internet, o primeiro aviso público do IOT foi publicado na revista New Equinox em 1978 e declarou: “A IOT representa uma fusão de Magia Thelêmica, Tantra, As Feitiçarias de Zos e Tao. Os não-mistérios dos sistemas simbólicos foram descartados em favor do domínio da técnica. ” A IOT passou por uma série de transtornos institucionais desde a sua criação, e Carroll acabou se desassociando do grupo. O ramo alemão-austríaco do IOT se separou da organização internacional há algum tempo e, por todos os relatórios, está se expandindo rapidamente. Em contraste, as seções britânicas e americanas parecem estar experimentando alguma desorganização e atenuação no presente. A seção americana do IOT encontrou deserções em massa ao longo dos anos, com membros protestando contra a organização hierárquica da ordem, e agora apenas um punhado de constituintes ativos permanece. A IOT Americana, embora não originalmente uma ordem mágica altamente estratificada, parece ter evoluído para uma operação hierárquica com um sistema de classificação rigorosa. Este tipo de burocracia é um anátema para a grande maioria dos magos do Caos; consequentemente, a maioria dos ex-membros americanos do IOT ainda não é afiliado ou trabalha dentro de corporações do Chaos vagamente organizadas, como a Autonomatrix, de São Francisco. Além disso, grande parte do trabalho ritual de comunicação e grupo entre os acólitos americanos da Magia do Caos atualmente ocorre no reino do ciberespaço, no grupo de notícias alt.magick.chaos da Internet. Um grupo, o Pacto dos Antigos, liderado por Damien e Susan Anderson e Michael Callahan, está envolvido na ativação de compostos químicos no cérebro por meios mágicos, com o objetivo de alterar certos elementos da estrutura genética humana. Um de seus métodos é usar meditações de evocação goética para “reestruturar” os “complexos” existentes ou programas com a psique, bem como para construir novos complexos psicológicos. Embora eles acreditem que este trabalho possa eventualmente levar a uma grande clareza psicológica e poder para o mago, Damien Anderson explica que é um processo lento sem resultados rápidos. O grupo não está aceitando iniciados no momento, mas os Andersons dizem que estão abertos a corresponder com os interessados ​​em seu trabalho e planejam oferecer um curso por correspondência no futuro próximo. Um dos grupos mais inovadores do Caos é a TAZ (Zona Autônoma Temporária) em Nova Orleans. A ideia da TAZ originou-se do trabalho de Hakim Bey, um brilhante poeta-anarquista cujas composições apareceram em numerosos jornais e revistas, incluindo o City Lights Review e o GNOSIS. Embora Bey esteja relutante em definir precisamente o conceito da TAZ, ele diz que a “TAZ é 'utópica' no sentido de que prevê uma intensificação da vida cotidiana, ou, como diriam os surrealistas, a penetração da vida pelo Maravilhoso. . . . Os padrões de força que trazem a TAZ à existência têm algo em comum com aqueles caóticos 'Atratores Estranhos' que existem, por assim dizer, entre as dimensões. ” A TAZ de Nova Orleans é composta por cerca de quinze magos ativos do Caos. Banda não hierárquica sem líder designado, a TAZ se considera uma associação de amigos dedicados ao trabalho mágico e não como uma ordem formal. Suas reuniões bimestrais incluem discussões sobre Magia do Caos, bem como trabalhos mágicos reais. O grupo realiza rituais privados, públicos e on-line, e espera publicar uma revista digital dedicada a criar “nichos mágicos dentro de estruturas informacionais” em um futuro próximo. O que o futuro reserva para o mundo complexo e caleidoscópico da Magia do Caos? Peter Carroll e outros praticantes do Caos, incluindo o mágico britânico Phil Hine e o ocultista alemão Frater UD, estão entre as figuras mais criativas da magia ocidental hoje e estão trabalhando ativamente para revitalizar a tradição. Os críticos podem sentir que a Magia do Caos está fadada simplesmente a ser o mais recente impulso transitório dentro da comunidade oculta. Parece mais provável, no entanto, dado o número crescente de livros e periódicos que aparecem sobre o assunto, bem como o intenso nível de atividade do ciberespaço que ela gerou, que a Magia do Caos exercerá uma força rejuvenescedora sobre a tradição ocidental por muitos anos . Copyright por Siobhán Houston, 1995. Todos os direitos reservados. Publicado em GNOSIS: Um Jornal das Tradições Internas Ocidentais, Verão de 1995. NOTAS 1. Peter J. Carroll, Liber Null e Psychonaut: Uma Introdução à Magia do Caos (York Beach, Me .: Samuel Weiser, 1987, 1991), p. 169. Houston / Magia do Caos / 8 2. Para uma excelente discussão e crítica do pós-modernismo desconstrutivo, ver Charlene Spretnak, Estados de Graça: A Recuperação do Significado na Era Pós-moderna (San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991). 3. Austin Osman Spare, O Grimório de Zos, citado em Kenneth Grant, The Magical Revival (Letchworth, Reino Unido: Frederick Muller Ltd., 1972), p. 206. 4. Nevill Drury, Vision Quest: Uma jornada pessoal através da magia e do xamanismo (Bridport, Dorset, Reino Unido: Prism Press, 1984), pp. 7-8. Alguns desses trabalhos foram republicados em From the Inferno to Zos: Os Escritos e Imagens de Austin Osman Spare (Thame, Reino Unido: Mandrake Press, 1993). 5. Grant, pp. 181-82. 6. Carta de FW Letchford, autor do próximo Mago de Southwark (uma biografia de Spare), ao autor, 4 de abril de 1994. 7. Drury, p. 10. 8. Ibid., P. 70. 9. Conversa telefônica com o autor, 28 de janeiro de 1995. 10. Os praticantes do Caos costumam usar a grafia mágica para distinguir as práticas ocultas da magia do sleight of hand, uma distinção popularizada por Aleister Crowley. 11. Peter J. Carroll, Liber Null e Psychonaut, p. 28. 12. Ibid., P. 29. 13. Jan Fries, Mágicka Visual: Um Guia para o Xamanismo Freestyle (Oxford: Mandrake, 1992). p. 33. Apesar do opróbrio de Fries, este é um livro popular entre os praticantes do Caos. 14. Mishlen Linden, Terotomas Tifonianos: As Sombras do Abismo (Cincinnati, Ohio: Black Moon Publishing, 1993), pp. 9-10. 15. Damien Gregory Anderson, "Os Princípios Dualistas do Poder Mágico", em A Filosofia de uma Magia (Sacramento, Calif .: impressos em particular, 1992), pp. 24-41. 16. Peter J. Carroll, citado em Anderson, p. 23. 17. Creio que são esses os profissionais a quem Jan Fries dirige sua crítica. 18. Conversa telefônica com o autor, 26 de janeiro de 1995. 19. Hakim Bey, TAZ: A Zona Autônoma Temporária, Anarquia Ontológica, Terrorismo Poético (Brooklyn, NY: Autonomedia, 1985, 1991), p. 111. Veja também o artigo "The Immediatist Manifesto" in GNOSIS # 27. OUTROS RECURSOS Houston / Chaos Magic / 9 Carroll, Peter J. Liber Kaos. York Beach, Maine: Samuel Weiser, Inc., 1992. (Revisado no GNOSIS # 27.) Frater UD Prático Sigil Magic. Tradução de Ingrid Fischer. St. Paul, Minn .: Llewellyn Publications, 1991. Hine, Phil. Caos Primevo. Londres: Chaos International, 1993. Mindell, Arnold. O corpo do xamã San Francisco: HarperSanFrancisco, 1993. Zweig, Connie e Jeremiah Abrams, eds. Encontrando a Sombra: O Poder Oculto do Lado Negro da Natureza Humana. Los Angeles: Jeremy P. Tarcher, 1991 #MagiadoCaos #Xamanismo #Pósmodernidade

  • Estude o livro Liber Null & Psiconauta de forma gratuita

    Trago aqui um presente especial para vocês! O estudo completo do livro Liber Null e Psiconauta colocado numa playlist no YouTube, ou seja, é só apertar o play! A influência dessa obra seminal (duas obras, na verdade) de Peter J. Carroll foi tamanha que o mundo do ocultismo nunca foi o mesmo. Depois do recebimento do Liber AL Vel Legis, o mundo do ocultismo estava empacado, repetindo fórmulas thelêmicas com diferentes sabores, ou olhando para o passado remoto. Liber Null e Psiconauta veio para mudar esse quadro definitivamente. E esse impacto não foi à toa. Liber Null e Psiconauta traz pela primeira vez, de forma organizada e ao alcance de todos, a teoria e a prática por trás da corrente conhecida como Magia do Caos (Chaos Magic, ou Chaos Magick). O autor, Peter J. Carroll, ao lado de figurinhas ilustres como Ray Sherwin, foi um dos pioneiros dessa corrente revolucionária, e esta obra exprime magistralmente os conceitos por trás da Magia do Caos. Phil Hine e Grant Morrisson podem ter se tornado os propagadores mais famosos da Magia do Caos, popularizando obras como Pop Magick e Condensed Chaos, mas foi com o Liber Null e Psiconauta que tudo começou. Foi dessa fonte que eles beberam. São essas teorias que eles replicaram, explicaram e exemplificaram. O fundamento está lá – o leitor com capacidade de análise e síntese é capaz de criar seus próprios sistemas a partir desse livro. O livro é separado em duas partes: Liber Null e Psiconauta. Liber Null O Liber Null foi escrito em 1978, como um roteiro de estudos e treinamento para o Pacto Mágico dos Iluminados de Thanateros (IOT). Assim sendo, é composto de um conjunto de instruções práticas. A prática mágica é apresentada como uma forma de consolidar o aprendizado. As instruções vão dos mais simples exercícios de concentração até tópicos altamente avançados e controversos, como reencarnação. No meio do caminho, trata com igual importância das magias ditas “branca” e “negra”, sem fazer nenhuma distinção moralista entre elas. Carroll foi um dos fundadores da IOT, e considerava a Ordem como a herdeira espiritual de Austin Osman Spare e do Zos Kia Cultus. Seu Liber Null apresenta e sistematiza de forma extremamente didática e prática alguns dos principais conceitos desenvolvidos por Spare, como o Alfabeto do Desejo e a Postura da Morte. Psiconauta Psiconauta foi escrito anos depois do Liber Null, e os dois foram unidos em um único volume, e vêm sendo publicados juntos desde 1987. Isso faz todo o sentido – seus conteúdos são complementares. Enquanto Liber Null apresenta roteiros para que o leitor desenvolva seus próprios métodos e práticas, Psiconauta oferece uma bela base teórica para acompanhar a prática. Psiconauta é escrito na forma de uma série de ensaios curtos sobre os mais variados temas ligados à magia, incluindo psicologia, combate mágico e até teorias matemáticas. Algumas delas são propositalmente contraditórias – diferentes pontos de vista, mais ou menos adequados a cada situação. Como dizia Hassan i Sabbah, citado logo na primeira ilustração do livro: “nada é verdadeiro, tudo é permitido”. Pegue a teoria que lhe convir, ignore ou altere a que não lhe agrada, e aplique o que lhe aprouver, em conjunto com os métodos simples e eficazes apresentados no Liber Null. Essa é a dinâmica de funcionamento das duas partes desse livro. Lançamento no Brasil Por incrível que pareça, Liber Null e Psiconauta nunca foi publicado oficialmente no Brasil. Algumas edições piratas circulam no mercado negro (e no Mercado Livre), e PDFs com traduções questionáveis também podem ser facilmente encontrados. Mas é a primeira vez que uma editora assume esse compromisso de trazer para o Brasil uma tradução oficial desse clássico. #Estudos #MagiadoCaos

  • As bases filosóficas da Magia do Caos

    “Quando os deuses eram mais humanos, os homens eram mais divinos” - Schiller O filósofo Friedrich Nietzsche faleceu no último ano do século XIX, e não poderia existir ano mais simbólico para sua morte. Suas ideias influenciaram decisivamente o século XX e chegaram ao século XXI mais vigorosas do que nunca, como ele mesmo previra. Seu pensamento iconoclasta denunciava milênios de hipocrisia que adoeceram os homens. Em sua busca pela vida— e não pela "verdade" — ele mergulhou no caótico universo da alma humana. Mas o que nem mesmo Nietzsche poderia prever era que um bruxo solitário iria pegar seu martelo emprestado para demolir o mundo do ocultismo e construir os alicerces filosóficos da Magia do Caos. Como especificamente se deu essa influência? O objetivo deste texto é responder essa pergunta. A vitória de Platão e a morte de Deus Para Nietzsche, todo o pensamento após Platão era doença, uma verdadeira "tragédia" que anunciava a realidade como frágil sombra de um mundo perfeito, acessível apenas através razão. Nesta idealização platônica, nosso corpo tornou-se um "prisão da alma", que anseia libertar-se e viver para sempre contemplando as formas perfeitas. Contudo, antes de Platão, os primeiros grandes pensadores filosofavam com os deuses e a natureza. "Tudo está cheio de deuses", exortou Tales de Mileto, o primeiro do todos os filósofos. E o povo grego vivia seu cotidiano permeado de seres divinos que lhes emprestavam seu brilho, força, poder, inteligência e astúcia. E cada tipo de personalidade tinha seu deus protetor e inspirador. Quanto mais próximos dos deuses, mais fortes, nobres, orgulhosos, bravos e sábios eram os homens e as mulheres. E quanto mais distantes, mais fracos, covardes e estúpidos. Toda a beleza e criatividade da cultura grega tinha sua origem na articulação dessa relação sagrada. A grande força dessa cultura não veio, portanto, da negação desse mundo mas da aceitação completa da realidade e seus mistérios; da profundidade da alma que se revela no caos e na ordem. Tal foi o brilho da Grécia Antiga que nunca foi apagado, brilho esse que conquistou até seus conquistadores. Entretanto, a filosofia de Platão venceu esta batalha contra os gregos mais antigos, ainda que ele não tivesse culpa dos desdobramentos posteriores de seu pensamento. A razão foi entronada como rainha soberana do ocidente, porém, a rainha tinha perdido seu rei, afinal, as relações entre razão e desrazão, ordem e caos, sensatez e loucura sempre foram a fonte criativa da vida. O Logos, razão universal percebida por todos os filósofos, será priorizada em detrimento de tudo o mais. Os deuses e toda a miríade de seres mitológicos — mediadores simbólicos dessa relação com suas complexidades e personalidades — foram classificados como algo que "não é racional". E assim os homens passaram a negar as poderosas forças que nos acompanharam durante milênios. Nem mesmo Platão teria sido tão exagerado, pois na voz de Sócrates exortou as loucuras do amor como fonte das mais belas e corajosas ações humanas. E mesmo Sócrates ouvia atentamente seuDaemon, a voz interior que lhe trazia os alertas dos deuses. Com a chegada da Era Medieval a religiosidade ocidental assimilou a ideia platônica. "O Logos dos filósofos se fez carne em Cristo", declarou "Santo" Agostinho, o filósofo maior dessa época. Uma nova versão do mundo perfeito das ideias surge, mais empobrecida e dessa vez com um só dono no céu e suas autoridades na terra (homens santos de moral duvidosa). E a crença nesse único Deus foi convenientemente qualificada pelos filósofos cristãos como "racional", como se a desrazão fosse algo necessariamente ruim. E assim fomos reduzidos a pecados, palavras de ordem vazias, citações bíblicas alarmistas, controle social, medo do inferno, fofocas e hipocrisia. Talvez, devido a tanta repressão da natureza humana surgiu também uma necessidade tarada por conversão — que disfarçada de conversão à verdade ou a Deus é apenas a "redução do outro a mim mesmo", como diria o filósofo Emmanuel Lévinas. Orgulho, força e vaidade, atributos antes divinos, agora tornaram-se coisas inspiradas pelo Diabo. Não se trata apenas de desmerecer o cristianismo, que teve seus méritos na formação do ocidente, mas sim de mostrar a passagem da mentalidade grega para a cristã, conforme Nietzsche a descreveu nas suas obras O Nascimento da Tragédia, a Genealogia da Moral e Além do Bem e do Mal". Se existem dúvidas sobre essa visão de Nietzsche, este fragmento confirma o que foi dito até aqui: "A religiosidade dos gregos antigos corresponde à gratidão de homens nobres diante da natureza e da vida. Mais tarde, quando o populacho preponderou na Grécia, surgiu o medo da religião; preparava-se o cristianismo." Friedrich Nietzsche Além do Bem e do Mal. Com René Descartes a Era moderna trouxe a matematização do mundo e o entronamento definitivo da razão: nascia o pensamento científico. Além dele, tudo seria loucura e insensatez. Ou "não é cientificamente comprovado". Apesar da revolução científica, os tempos medievais legaram à Era Moderna um sistema de dominação que, baseado no medo, na obediência irrestrita e na virtude recatada, prometia a "vida eterna" — quando então todo esse sofrimento causado pelos desejos reprimidos da alma e do corpo deixariam de existir. Tal é a perspectiva histórica de Nietzsche. E assim a razão perdeu seu brilho e a religiosidade sua fonte. "Deus está morto", ao contrário do que muitos pensam, não é um ataque de Nietzsche ao Deus cristão. O mais insolente dos filósofos não irá poupar o cristianismo de suas críticas, contudo, esta frase refere-se especificamente à morte do sagrado; à negação de nossa profundidade. Nietzsche prepara então seu arsenal filosófico disposto a atingir de morte toda essa mentira. Como num ritual profano de um pagão atrevido, o filósofo invoca o deuses Apolo e Dioniso, suas mais poderosas armas. E a partir daqui começa nosso caminho até Austin Osman Spare e a Magia do Caos. Apolíneo e dionisíaco - o dualismo essencial da alma humana Nietzsche afirmou que o brilho da civilização grega — anterior à Platão — se deveu à capacidade de articular duas forças que em princípio são opostas. Chamou de apolíneo (relativo ao deus Apolo) o princípio que representa a razão como beleza harmoniosa e comedida, organizada. E denominou dionisíaco (relativo ao deus Dioniso) o princípio que representa a embriaguez, o caos, a falta de medida, a paixão. Tudo isso se refletia de forma espetacular na grande obra de Homero, a Ilíada e Odisséia, obra fundadora da civilização grega. Para Nietzsche, nenhuma arte, filosofia ou religiosidade podem ser puramente apolíneas (centrada na razão, na ordem, na regra e na harmonia) nem puramente dionisíaca (centrada na desordem, no caos e na embriaguez). A criação humana depende da articulação desses dois princípios, uma vez que o dionisíaco nos dá o principio criativo e o apolíneo nos dá a ordem e a harmonia necessárias para a produção de algo belo. São essas duas forças opostas que nos fazem plenamente humanos. E a falta de uma delas nos torna aleijados na alma. Pois essa é a crítica filosófica de Nietzsche à Era Moderna: ficamos sobrecarregados de apolíneo, preocupados com formas, regras morais, provas científicas e aparências vazias tanto na religião quanto na filosofia e na cultura. A pequena lagoa consciente da vida tornou-se mais importante que nossa oceânica parte inconsciente. O caos, a desordem, as paixões e tudo aquilo que faz parte do que temos de mais humano foi desterrado em um inferno de Dante. Desde então, em busca de uma desequilibrada perfeição apolínea, vivemos em um inferno cultural e religioso que nega nossa própria humanidade dualista. Aqui surgiu a poderosa ideia nietzschiana de um "alçapão da alma" que guarda toda nossa herança coletiva e também onde escondemos tudo o que é proibido, bem como os traumas, alegrias e tristezas de nossa jornada. O que é "santo" e correto está na luz, nesta falsa e adoecida persona que apresentamos aos outros. E aquilo que negamos ficou nas sombras, como nos filmes de terror onde olhos espreitam no escuro e formas obscuras atravessam correndo. Todas as milhares de cores e nuances da alma, representadas nas mais belas mitologias antigas, tornaram-se pecados capitais. "Pecado é um jovem saudável arrependido em uma Igreja", debochou Nietzsche. Raiva, sexo, orgulho, inveja e vários outros sentimentos e energias interiores que sempre movimentaram os homens agora fazem parte de uma legião demoníaca chefiada por Satã. Mesmo sendo um filósofo moderno, Nietzsche corajosamente recorreu à mitologia como linguagem filosófica. Em vez de ser ridicularizado, acabou inspirando pensadores que viram nele uma volta das cores, da poesia filosófica e dos mistérios para uma Era Moderna cinza, vazia e decadente. Aqui está a origem da teoria do inconsciente de Freud e do inconsciente coletivo de Jung, as pesquisas sobre a loucura de Foucault, o interesse de Heidegger pelos pré-socráticos, as influências literárias de Hermann Hesse e Albert Camus. A lista é grande e estamos falando apenas da poética de Nietzsche, pois suas contribuições para a filosofia da mente e da linguagem também influenciaram o pensamento do genial Wittgenstein, um dos maiores filósofos do século XX. Isso tudo sem falar de suas influências no cinema e nas artes como um todo. O mérito de Nietzsche não é ter inspirado a ideia de inconsciente, nem outros pensadores e escritores, mas trazer de volta à filosofia as forças mais profundas da natureza humana, até então soterradas em razões e regras morais que adoeceram os homens. Contudo, Nietzsche também influenciou uma figura improvável no campo da magia. Austin Osman Spare surge com uma ideia ousada: traçar uma relação direta e particular com essas forças poderosas sem pedir licença para magos, mestres ou alguma escola de mistério. E a arte é a chave que abre o alçapão de nossa alma. Porque deveríamos pedir licença para acessar algo tão nosso? Em suma: a magia é altamente particular, artística e não responde à ninguém. E o subconsciente é mais poderoso do que sequer podemos imaginar. Ele é o próprio fundamento da magia. Diógenes, um filósofo caótico Ainda que o objetivo deste texto seja traçar uma relação entre Nietzsche e Spare, mostrando as bases filosóficas da Magia do Caos, no que diz respeito à disposição de espírito, humor, cinismo e desprezo pelo supérfluo e pela futilidade, o filósofo Diógenes poderia muito bem ser um caoista. O caoista seria como Diógenes — o filósofo da Grécia Antiga "cínico como um cão" — que ao beber água em uma fonte com sua cuia, viu uma criança bebendo com as mãos e jogou fora a cuia, pois percebeu que era desnecessária. Diz uma anedota (já clássica) sobre ele que, uma vez Alexandre, o Grande, ficou sabendo de Diógenes ao passar por Atenas. Resolveu então testar o "mais sábio dos homens". Diógenes estava tomando banho de sol e Alexandre colocou-se em sua frente e disse-lhe que poderia pedir o que quisesse para "o rei de todo o mundo", ao que Diógenes apenas respondeu: "então saia da frente do meu sol". Um dia na praça de Atenas o "filósofo dos cães" parou para ouvir um astrólogo que explicava sobre os "astros errantes" (os planetas). “Não diga asneiras, meu amigo — gritou Diógenes — não são os astros que erram, mas estes aqui”, e apontou para aqueles que assistiam. Austin Osman Spare: a magia como arte e subversão A magia — ao contrário de todo o ocidente — nunca abandonou Dioniso. Porém, ela também se cercou de hierarquias e autoridades que criaram uma escada de protocolos. A doença ocidental da forma sem conteúdo também atingiu o mundo da magia. Spare, porém, reagiu energicamente a isso tudo: "magia é tão somente a habilidade natural de atrair sem perguntar". Pois esta é a proposta subversiva de Spare: fazer com que cada homem e cada mulher faça magia sem pedir licença nem desculpas, para o desespero e constrangimento daqueles que se arrogam autoridades. Nietzsche havia dito que "temos a arte pra não morrer da verdade". E a "verdade", segundo ele, é toda essa insuportável virtude medíocre. Este Apolo distante de seu irmão Dioniso — este ridículo semblante sério com dedo em riste e o sorriso louco e vazio — sendo a arte nossa fuga para as fontes represadas da vida. Spare, entretanto, não pretendia fazer da arte uma fuga, mas uma chave de acesso para nossas habilidades naturais adormecidas e adoecidas. A ideias nietzschianas de uma fonte de vida reprimida — este "alçapão da alma"—, da riqueza mitológica, da crítica às religiões, da criação de nossos próprios valores e da singularidade de cada ser humano foi o ponto de partida de Spare. Que cada um crie sua arte e sua magia particular, que invoque o caos dentro de si e faça nascer sua própria estrela dançarina. Pecado é pedir licença. Assim como Nietzsche percebeu o adoecimento da cultura ocidental, Spare também percebeu que a mesma coisa ocorreu no mundo da magia — agora soterrado em um entulho de simbolismos, grandes manuais, rituais sofisticados, hierarquias e guardiões dos portais. Ele estava presente em um dos momentos mais populares do ocultismo, em uma sociedade londrina do início do século XX empolgada com o mundo místico, os ventos do oriente e as ordens de mistérios. E tendo conhecido Aleister Crowley, o mais popular e narcisista dos magos, Spare escreve no seu Livro do Prazer: "É simbolizando que nos tornamos simbolizados? Se eu me coroar rei, serei eu um rei? Melhor seria se tivessem pena de mim. Esses magos, cuja desonestidade são sua segurança, são apenas os desempregados dos bordéis. Magia é tão somente a habilidade natural de atrair sem perguntar. Suas práticas comprovam sua incapacidade, eles não têm magia para intensificar o normal, a alegria de uma criança ou de uma pessoa saudável." Spare também acredita que nossa alma é um oceano profundo de simbolismo e herança humana, mas não gostava de exageros, ritos teatrais e complexidades desnecessárias. Para quem lhe forçava alguma demonstração, ele puxava do bolso um papel, desenhava um símbolo (mais especificamente um sigilo) e apenas se concentrava nele. No relato de uma de suas invocações, quando um elemental preenche a sala e aterroriza os presentes, ele afirma que aquela criatura residia no subconsciente. Falar aqui sobre a natureza do subconsciente em Spare, o conceito de Kia e a controversa relação entre esquecimento e realização do desejo — as bases taoistas do pensamento de Spare, inspirado na não-ação de Lao Tsé, onde "nada fica sem ser feito" — fugiria do objetivo principal do texto. Uma pena, pois consiste, talvez, nos aspectos mais genais do pensamento do bruxo inglês. Spare detestava o termo "inconsciente" cunhado por Freud, que ele considerava uma farsa. Talvez pela roupagem científica que Freud e Jung quiseram dar ao "alçapão de Nietzsche" e suas poderosas forças primitivas e mitológicas. Para Spare, a arte era o legítimo acesso para um universo incompreensível à ciência. "A arte é superior à ciência", declara Spare. E por mais que a ciência nos cure o corpo e construa tecnologias milagrosas, no que diz respeito à alma e suas profundezas ela é impotente. Apenas a arte acessa a alma. E a magia nada mais é que um tipo de arte muito particular — podendo inclusive ser feita pelo puro prazer. Este pode ser um dos motivos pelos quais muitos praticantes, que buscam na magia poder e solução de problemas, acabam se dedicando a realizar rotineiramente algum ritual apenas pelo prazer estético, bem estar, alívio ou sentimento de completude que ele traz. Assim como o filósofo alemão, Spare não acredita na mentira disfarçada de sacralidade e mergulha na verdadeira fonte da magia: as profundezas da alma humana, que, como vimos, ele denominou subconsciente. Com essa ideia simples em mente ele dá início ao que seria mais tarde, com Peter Carrol, a Magia do Caos — tão demolidora quanto as ideias que lhe fizeram nascer. A essência dualista da natureza humana foi mapeada por Spare em seu Alfabeto do Desejo, que tem o objetivo de mostrar que cada sentimento humano tem seu oposto. Algo corriqueiro em todas as mitologias, como vimos no exemplo de Nietzsche com Apolo e Dioniso. Negar essa dualidade é como tornar-se doente por escolha própria. A natureza das críticas de Spare à magia de seu tempo é praticamente a mesma de Nietzsche à religião, à filosofia após Platão e à cultura ocidental como um todo. No Livro do Prazer, após explicar o funcionamento de sua técnica de elaboração de sigilos, Spare afirma: "Através deste sistema, você sabe exatamente a que seu Sigilo tem que relacionar-se.Também você não precisa se vestir como um mágico tradicional, feiticeiro ou padre, construir templos caros, obter pergaminhos virgens, sangue de cabra preta, etc., etc., de fato, nada teatral ou fraudulento." As técnicas de Spare são o abandono completo de todo simbolismo desnecessário e das coisas fúteis em prol do que é essencial. O que importa não são os rituais e simbolismos que outros criaram, mas sim aqueles que nós mesmos criamos e que estão ligados à nossa particularidade. Aqui está, no pensamento de Spare, uma ideia muito parecida com a transvaloração de todos os valores, que é o nome dado por Nietzsche ao abandono de toda ordem imposta em prol da criação de nossos próprios valores. Submeter-se a alguma "doutrina de conformidade" é incompatível com a criatividade. E até mesmo, conforme o próprio Spare sugere, sua técnica é dispensável, sendo apenas um subterfúgio criado "por amor aos meus tolos devotos". Este minimalismo tem o objetivo de mostrar que a base da magia está na disposição de espírito e na criatividade de cada um, e não em alguma regra, que ainda que sejam utilizadas, não são mais importantes que o próprio praticante. Caso contrário, teremos mais uma vez o apolíneo sem o dionisíaco, a regra morta. A influência de Nietzsche sobre Spare não é mera suposição, mas algo já consolidado entre os estudiosos do bruxo inglês. O próprio Aleister Crowley, de quem Spare foi discípulo, atesta essa influência — sem deixar, claro, de primeiramente se vangloriar: "Meu discípulo aprendeu muito do Livro da Lei; de resto, ele trouxe do Livro das Mentiras, William Blake e também de Nietzsche e Tao Te King." Por mais que Crowley pretendesse se valorizar, a influência nietzschiana em Spare é bem clara, como o desprezo por "autoridades", as críticas às religiões e ao mundo da magia, a necessidade de criar seus próprios significados (e não adotar os significados que outros criaram) e o incentivo à criação de uma arte particular que se ligue diretamente ao subconsciente do próprio praticante. Spare também desprezou Crowley, o que está de acordo com a perspectiva nietzschiana de desprezar mestres. Bem como sua reclusão está de acordo com os ensinamentos de Lao Tzu no Tao Te King. Porém, mais importante que tudo isso é a suprema ideia de que a magia já está a priori em cada ser humano. A forma correta de fazer magia não existe. O que existe é a nossa própria forma de fazer magia que talvez não se aplique a outras pessoas. Por isso mesmo a Magia do Caos, um desdobramento posterior do pensamento de Spare, é uma vertente ocultista colaborativa e não-hierárquica onde os praticantes compartilham suas experiências. Não para serem imitadas ou tratadas como lei, mas para serem adaptadas à particularidade de cada um. Na Magia do Caos não existem autoridades que ensinam formas corretas. O que existe é, no máximo, praticantes mais experientes auxiliando outros a encontrarem seu próprio caminho. O que importa, talvez, é seguir o mais singelo conselho de Austin Osman Spare: "Viva a magia de uma maneira simples e eficaz." A Magia do Caos A Magia do Caos corresponde aos desdobramentos posteriores das ideias de Spare. No entanto, de forma aparentemente contraditória, seus principais autores sugerem treinamentos mentais, vários tipos de rituais, técnicas de meditação, êxtases e devaneios. Mas a diferença fundamental é esta: eles apenas sugerem, mas não determinam as práticas como necessárias. Tanto Peter Peter Carrol, no Liber Null, Quanto Sherwin, no Livro dos Resultados, ensinam vários tipos de técnicas e exercícios, mas também enfatizam que o praticante deve criar seus próprios rituais baseados em sua experiência de vida e nos resultados alcançados. Isso se o praticante quiser criar um ritual. Tudo em Magia do Caos é ponto de partida, e não "verdade absoluta". E para isso vale até mesmo utilizar as crenças que o praticante já possui, pois importante mesmo não é aquilo em que se acredita, mas a crença em si mesma. Para a Magia do Caos, qualquer sistema de crenças pode tornar-se uma ponte de acesso ao subconsciente. Nesse ponto, a Crença Instrumental é uma contribuição filosófica da Magia do Caos que faria um fanático religioso arrancar os cabelos. Se ele pudesse entendê-la, é claro. De qualquer forma, aquela avó tradicional ficaria muito feliz em ver sua neta acendendo uma vela para Nossa Senhora — e um tanto confusa ao ver a mesma neta acendendo outra vela para a deusa Atena ou mesmo para o Diabo. Em linhas gerais, a despeito das ideias de cada autor, a ideia fundamental de liberdade e particularidade continua sendo a pedra fundamental dessa vertente de magia contemporânea. Assim como a técnica de elaboração de sigilos de Spare continua quase a mesma. Os rituais e exercícios podem ser um importante portal de acesso tanto às energias fundamentais da vida quanto à própria particularidade do praticante, que se sente mais confortável com eles. Mas de forma alguma se afirma, em Magia do Caos, que "deve-se agir assim". Se o praticante quiser testar técnicas minimalistas, como apenas fazer um gesto, nada lhe impede. Se funcionar, funcionou. A única coisa que não deve ser feita é não fazer nada. Outro ponto interessante é o humor e o deboche que se tornaram uma marca da literatura da Magia do Caos, pois não há nada mais refrescante e divertido do que debochar daqueles que se acham sábios. A crueldade tem seus pontos positivos, e não se deve perder tempo tentando argumentar com a "profundidade" e a seriedade desse povo chato pra caralho, sejam religiosos, "magos da luz", espiritualistas e outros bichos escrotos. A vida é curta, e queremos vivê-la com completude e não ficar perdendo tempo com doutrinas que cheiram a cadáver. A saúde mental agradece, e como afirmou Carrol, “A energia é liberada quando um indivíduo quebra as regras de condicionamento com algum ato glorioso de desobediência ou blasfêmia. Essa energia fortalece o espírito e dá coragem para atos de insurreição“. E o autor do Liber Null prossegue exageradamente: "a magia não se libertará do ocultismo até que tenhamos enforcado o último astrólogo com as entranhas do último mestre espiritual." E por aí vai. Vale tudo para quebrar os condicionamentos culturais que nos fazem escravos, ainda que nada proíba um caoista de usar astrologia ou aderir a alguma doutrina espiritual qualquer — e mesmo assim continuar lançando seus sigilos, por exemplo. Nada é de fato proibido, desde que funcione (seja em seus aspectos artísticos, terapêuticos ou mágicos). #MagiadoCaos #Filosofia #Nietzsche

  • O que é Magia do Caos?

    "Venera o Kia e sua mente será serena" - Spare Sobre a Natureza do Caos A energia fundante, o Infinito cartesiano ("de onde todas as coisas foram criadas inclusive eu mesmo"), o Caos dos gregos e o Caos dos magistas, o Chi dos chineses e o próprio Kia de Spare são forças que possuem em si mesmas as sementes de todas as coisas, sendo, portanto, amoral ou além de qualquer enquadramento limitante ou tentativa de ordenação. Todos esses nomes são meras tentativas frágeis de ordenar uma visão inordenável. A partir de agora, por motivos óbvios, chamarei esta "coisa" de Caos , pois este texto é ele mesmo uma tentativa impossível e eu também preciso de uma frágil definição. O Cosmos por sua vez, está sempre mesclado ao Caos, pois é o Caos sua base fundamental (a própria Ordem tem sua origem no Caos). Para efeito apenas de ilustração, escolhi para o Caos a cor preta, e para o Cosmos a cor branca com pintas pretas, pois o Cosmos sempre estará mesclado ao Caos. Uma vez que o Cosmos está sempre cheio de Caos, essa integração é aleatória e formada por formas-pensamento, ideias, construções mentais, hábitos, emoções, traumas, alegrias e crenças . Tudo isso são as sementes que irão definir os aspectos materiais do Cosmos. Como estamos a todo momento lançando essas formas-pensamento, este Caos que nos é mais próximo (e também essa Ordem) está sempre infectado. Cosmos e Caos A partir daqui defino o Cosmos, como pode ser percebido, como uma invenção puramente humana, seja em seus aspectos culturais ou materiais. É uma invenção que apenas existe na mente, uma vez que a própria realidade, como sugeriu Immanuel Kant, é uma construção do sujeito, estando ela mesma além de nossa compreensão. Aquilo que se apresenta a nós é construção, mesmo as estrelas e o próprio tempo. Tudo é Caos , do início ao fim, e a Ordem é uma folha voando nos ventos Infinitos (onde nos agarramos com unhas e dentes). Por todos esses motivos, o treinamento do magista deve necessariamente passar pelo autoconhecimento, controle da mente e desconstrução de valores . Banir as sementes impuras e encher o coração e a mente com a ideia do Puro Caos é necessário para lançar sementes intencionais, seja na forma que for: s igilos, servidores, mantras, orações, visualizações ou pura intenção . A partir de então, este Puro Caos absorverá a ideia presente na mente do operador ou no ambiente (como absorve tudo o mais). Contudo, neste caso, ocorre o lançamento de uma semente de forma intencional. Por isso a grande importância do ritual, que por um lado pode ser um elaborado psicodrama com velas, música, símbolos e gestos, e por outro, dependendo do treinamento do operador, pode ser uma simples ação intencional feita no meio da rua. Implicações Esta ideia, se for considerada, implica no fato de que o Caos e Cosmos estão sempre interagindo a todo momento . Nós mesmos, dependendo de nossa disposição mental e humor, estamos lançando sementes a todo momento. Por outro lado, o ritual (com sua marcação forte de início, meio e fim) traz em si mesmo a consciência desse fato — coisa que não existe no transeunte com seus pensamentos vagos e suas crenças lançando sementes involuntárias. Ora, não é possível evitar que se pense nas coisas da vida, mas é possível dizer: "a partir desse momento, elimino todos os pensamentos e invoco a energia fundante da realidade". Será depois disso que o desejo forte será evocado em nossa mente, impregnando o Puro Caos com nossa vontade direcionada. Depois disso o rito termina e voltamos a nos agarrar nesta coisa inescapável chamada Ordem. A Crença Instrumental Tudo isso implica no uso instrumental da crença, algo que considero a grande contribuição filosófica da Magia do Caos: a força está na crença em si, e não no que se acredita . Isso faz com que qualquer crença possa ser utilizada, de acordo com a afinidade do operador. Assim, níveis mais profundos do subconsciente podem ser acessador através da empatia. Como afirmou o pai da personagem Elizabeth Shaw no filme Prometheus: "Acredito nisso pois escolhi acreditar." Existe um abismo de diferenças entre acreditar em algo imputado pela cultura e acreditar em algo de forma intencional. Se o Puro Caos de fato tiver essa natureza neutra (escolhi acreditar nisso), então algumas meditações esotéricas e orações religiosas acertam errando, gerando seus milagres e sincronicidades. Por exemplo: ao imaginar que uma certa energia mística é benéfica e atua em nossas vidas através de alguma crença ou técnica, na verdade, nós é que estamos carregando essa energia neutra do Puro Caos através da crença. A força da crença está na sua potencialização intencional (neste caso, realizada através do Puro Caos). Ela mesma não tem esse poder milagroso, a não ser como uma interface empática. Compreender esta ideia causaria terror em qualquer crente fanático de qualquer religião, por isso mesmo (e muito sabiamente) estas coisas estão inseridas em uma categoria chamada ocultismo, para satisfação geral de todos. Pensei em escrever um parágrafo final alertando que todas essas coisas que escrevi são pessoais e experimentais, mas não consegui encontrar palavras melhores do que um de meus filósofos favoritos. "Deste modo, não é propósito meu ensinar aqui o método que cada um deveria seguir para bem orientar sua razão, porém somente demonstrar de que modo eu procurei conduzir a minha. Os que se propõem a oferecer normas, devem considerar-se mais capacitados do que aqueles que a recebem. Contudo, propondo-se este escrito apenas a ser uma história ou, se quiseres, uma fábula, na qual dentre alguns exemplos que mereçam ser imitados, pode ser que se achem outros que seja melhor não seguir, espero que seja ele útil a alguém, sem causar mal a quem quer que seja, e que todos se sintam gratos a mim pela minha franqueza."

  • Movimento Resistência!

    Assim como nos EUA, vamos trazer este movimento para o Brasil. Estamos convocando todas as pessoas que queiram participar e espalhar este sigilo pelo país. O QUE É Resistência contra a opressão. A favor da liberdade de expressão de todas as pessoas. Por eleições transparentes. Por mais racionalidade na hora do voto. Pela liberdade de crença, de amor. Pelo diálogo. Por um país mais unido e melhor. Vamos espalhar esta ideia! Nós estamos na Idade Mídia. Portanto, informação é poder, é capital simbólico, uma das principais moedas de troca. A mídia tradicional reforça o poder de quem está no governo e se esforça para empurrar a ultrapassada e conhecida narrativa para a população em geral, de forma que a necessidade de muitos é sempre substituída pela vontade eleitoreira de poucos. Andamos pelas lojas de shoppings e raramente nos perguntamos de onde vem o que compramos. Com água encanada, que vem até nós como um passe de mágica, num simples abrir de torneira, não pensamos no problema da sede. Com as prateleiras cheias do supermercado, não pensamos como em é sentir fome. O que nos incomoda é quando a água acaba. Quando o calor é muito. Não percebemos que este problema está diretamente ligado à falta de árvores. São as árvores, seres tecnológicos, que melhoram a qualidade de água. A falta de árvores se dá por causa do desmatamento. E o desmatamento, por sua vez, está ligado diretamente à política nacional. Pagamos caro para ostentar marcas. Queremos parecer interessantes e com muito estilo. Viramos cabide para as mais importantes grifes. Sem saber como certos produtos são produzidos, acabamos financiando o trabalho escravo contemporâneo. Sem querer querendo. Mas a ignorância nem sempre é uma benção. Sim, a escravidão ainda sobrevive e muitas vezes não nos importamos em sequer fiscalizar ou pesquisar mais sobre o que compramos. Apenas aqui no Brasil, cerca de 500 empresas estão na lista suja do trabalho (humano) escravo. Para a pessoa desinformada, parece que alguns humanos são mais superiores que outros. O problema de nos acharmos superiores a tudo é que podemos justificar nossa face predatória e, consequentemente, a destruição de nós mesmos. Vivemos numa sociedade que há milênios vem oprimindo as mulheres, escravizando as pessoas negras e matando as comunidades indígenas em disputa por terras. Por outro lado, diversas vozes ocupam as ruas . Se há um ponto em comum entre as reivindicações é que as ações do Estado não representam a vontade popular. Nós nos posicionamos contra a moda escrava, o consumo exagerado, a apatia, a opressão . Queremos difundir o conhecimento: as práticas sustentáveis para a sobrevivência da espécie. Mas sobreviver não é tudo. Queremos dignidade, saúde, paz. A narrativa da Specula, assim como a Ou Seja , acompanha os alicerces da contracultura, contestando os meios de comunicação tradicionais e o conservadorismo vigente. É progressista por defender os direitos humanos a partir duma agenda política voltada para o público feminista, LGBT, negro, indígena e para qualquer minoria que se perceba prejudicada moral ou fisicamente. Então assim se faz uma dualidade: de um lado está a declaração dos direitos humanos, que é um pacto internacional para garantir que todas as pessoas nasçam livres e gozem de sua liberdade durante toda a vida. De outro, temos uma bancada a favor dos interesses de uma minoria. Não é à toa que a declaração dos Direitos Humanos é considerada, ao mesmo tempo, básica e utópica. Básica porque deveria abranger direitos para todas as pessoas, independente de gênero, orientação sexual, classes sociais, expressões fenotípicas e culturais. Utópica porque alcançar tais direitos parece ser algo tão inatingível justamente porque há uma agenda política que os considera um atraso econômico. O QUE FAZER Espalhe a notícia! Pinte camisetas, faça colagens, adesivos e o que você preferir para espalhar o sigilo, esta é a melhor forma de ativá-lo. Use o sigilo caso precise se conectar com aqueles que pensam como você. Mostre o sigilo para mais pessoas. Pinte o sigilo em si mesmo, na sua roupa. Faça bottons. Não deixe a ideia morrer, simplesmente espalhe por aí. Caso você use o sigilo em alguma manifestação artística, mande fotos para specula.magia@gmail.com #Ativismo #ResistênciaMágica

  • Resenha - Bruxaria Apocalíptica

    Décimo quinto dia de dezembro, o ano é 2017, a neutralidade da internet é derrubada nos Estados Unidos e com ela cai o sonho de que esta tecnologia corre para tornar a humanidade um sistema igualitário de conhecimento. Vendemos o sonho de nossa raça por pouquíssimos niqueis, retirados do ventre de nossa mãe à custa de outras tantas vidas nos campos de mineração. De certa forma, é disso que o Bruxaria Apocalíptica fala, da necessidade de nos levantarmos contra a vilipendiosa moral capitalística que nos atravessa — uma moral de dormidas sem sonhos, uma moral que nos impele a letargia, uma moral que cria uma geração de bruxos que conhecem muito bem os usos mais simples de uma lua minguante, mas é constantemente incapaz de nos dizer sem quaisquer meios de consulta em que fase da lua estamos. A moral que cria bruxos avesso as questões ambientais e políticas do mundo em que vivem, das cidades em que vivem; bruxos que não choram a extinção das espécies nativas solapadas pela lama da Samarco. Uma série de pessoas que cultuam a religião da natureza, mas que jamais acenderam uma vela para que as empresas responsáveis fossem punidas. O autor destaca: “É a política que permite a destruição da própria terra que o ser defende, o homem é um animal político, aqueles que dizem que estão fora ou acima da política são os esotéricos, cujas mãos Limpas são lavadas no sangue daqueles que não tem escolha a não ser colocar as mãos na maquinaria.” Quando eu comecei a ler Bruxaria Apocalíptica, achava em minha inocência que livro daria machadadas precisas na falta de ativismo político/cultural/ecológico dos bruxos em geral, ledo engano, o livro é um incêndio na floresta, Peter Gray não destrói falsas pretensões de ancestralidade, fugas da complexidade das divindades, reações de anulamento dos aspectos sombrios dos deuses e de nós mesmos e todo o resto a machadada; como no Apocalipse de João, o livro lança sobre nós uma estrela que nos queima e torna amarga a água que bebemos durante tanto tempo. E o que é essa água? É a água da conformidade. Bruxaria Apocalíptica é um chamado às armas, uma trombeta que nos desperta para a iminência do juízo final, um apocalipse que nós mesmos provocamos em nossa inércia. Nos escondemos por detrás de máscaras de inofensibilidade; quando muito, alardeamos poderes de vida e de morte sobre nossos inimigos, mas nos esquecemos que o verdadeiro inimigo quase nos venceu na era passada. “O que está bastante claro é que a caça às bruxas não começaram com as bruxas e, portanto, não podemos evitá-las tornando-nos inofensivos e integrados e vinculando-nos aos sistemas corruptos de governança. (...) as acusações são sempre as mesmas, o que conta é como reagimos a elas, que verdades escondem e podem ser usadas para nos revelar.” Enquanto nos digladiamos procurando pela tradição perfeita, a religião torna-se obrigatória nas escolas brasileiras; enquanto gritamos qual grupo de sagrado feminino é o melhor, Kyara Barbosa, uma mulher negra, nordestina, periférica e trans se mata, engolida pela depressão de anos de transfobia e tentativas de assassinato; uma voz que se cala em meio as estatísticas. Bruxaria Apocalíptica não trás uma gama de rituais, nem mesmo uma série de feitiços fáceis. Apesar da escrita fluida, a pouco de fácil na leitura deste livro; ele nos trás algo ainda mais necessário: um panorama das coisas que por anos nos permitimos abster-nos. E como o próprio autor alfineta: a abstenção é uma forma de privilégio . O mesmo que muitos de nossos irmãos não tiveram. No mais, é importante ressaltar a qualidade do acabamento da Penumbra neste livro, o que demonstra o respeito que a editora tem com seus leitores, trazendo um trabalho de excelente qualidade, livre de erros de digitação, com uma capa dura bastante sólida e, diga-se de passagem, bem condizente com o tema. Sem dúvidas um livro de cabeceira para todo aquele que deseja seguir o caminho da bruxaria. #Resenha #PenumbraLivros

  • Devaneios no mundo da magia e da música

    "Ela é um espírito inquieto em um vôo sem fim..." Witchy Woman, Eagles. Música é arte. Música é harmonia (seja lá o que isso pode significar pra você, qual é o ajuste ou o encaixe de sons perfeito? Que te faz viajar? Que te deixa em êxtase? Ou que te faz sangrar?). Mas, no meu ponto de vista, tem uma palavra que envolve todas essas e faz uma ponte mais forte com o que penso. MÚSICA É CONEXÃO! (e do que trata a magia, se não de conexão?) Basta um play e você pode facilmente se conectar ao seu passado, a sentimentos vividos que podiam estar há muito enterrados (não tão bem enterrados assim, né?). A música é um portal magnífico para dimensões diversas. Geralmente, quando montamos uma ritualística, usamos estímulos como odores, cores, instrumentos, visualizações, etc. Tudo isso visa criar uma atmosfera suficientemente forte para burlar as barreiras da mente consciente, abrindo portas para outras regiões do nosso cérebro mais aptas para a prática mágica. Aqui, o estímulo musical certo pode mostrar-se um trunfo de grandes proporções, já que a música é registrada pela parte do cérebro estimulada pelas emoções, contornando centros cerebrais que lidam com a razão e a inteligência. Temos aqui então o seguinte fato importante: a música, tal qual uma entidade que não precisa pedir passagem e permissão pra ninguém, tem acesso livre ao cérebro superior (ela não depende das funções superiores do cérebro para adentrar o organismo, pois alcançado o tálamo, acesso livre). Há um tempo atrás, eu li um livro chamado "Oráculo", de Catherine Fisher. Existe uma passagem no livro bastante emblemática de como eu penso e sinto a música e de como ela pode nos carregar, de fato, para outros mundos ou mudar radicalmente esse em que estamos. Ela fala de um momento em que um músico, uma espécie de bardo no livro, toca e canta uma canção e como isso parece mudar radicalmente a paisagem ao redor de todos: "Seus dedos criavam ondas de notas que iam se transformando em música, um som que parecia envolver cada um dos presentes e, de repente, aquele casabre miserável e horrendo se transformou num lugar diferente, uma espécie de refúgio; os rostos dos homens eram mais suaves agora, iluminados pela beleza do que ouviam. Oblek começou a cantar. Sua voz era profunda, ligeiramente rouca, e ele cantou em homenagem à Rainha Chuva, falando das belezas do seu jardim distante, onde fontes de águas limpas e cristalinas brotavam do solo, e lindas flores e árvores frutíferas cresciam por toda parte. De repente, era como se a música tivesse se transformado em suas próprias palavras, tornando-se gotas, riachos e lagos e por um momento teve-se a impressão de que o casebre inteiro estava se dissolvendo em água. Chegou quase a sentir-la molhando seus lábios secos, caindo sobre as folhas verdes, fazendo poças no chão, refrescando o corpo e a alma de todos por ali." O quanto você já viajou numa canção? O quão longe já foi, quantas terras distantes visitou? Que deuses, Deus ou deusas, espíritos ou demônios já sussurraram no seu ouvido através da influência poderosa do som? Nos tempos que vivemos, podemos dizer que música não tem limites. Tem pra tudo que é gosto, e essa musa inspiradora traz "dinheiro, poder e glória" (quase uma musa prostituída, muitas vezes, não?). Mas nem sempre foi tudo tão lindo e florido assim, a música e seus súditos já tiveram seus dias bem sombrios. Segue uma historinha.... Era uma vez.... opa, não, de novo não. Desde tempos idos, havia uma mulher estranha e ao mesmo tempo poderosa, chamada música, apesar de ser uma deusa, uma louca e uma feiticeira, ela tinha uma rotina meio enfadonha: ia nos ritos (eles falavam de um Deus, e ela não se dava muito bem com ele, achava ele mandão), visitava os trovadores (como ela gostava deles!), embalava sonos, sonhos e também agitava umas guerras aí (era um misto de medo, horror e adrenalina, mas ela se sentia excitada em andar nesse limiar de vida e morte) . Por muito tempo a música foi muito comportada, nem parecia musa, ninguém deixava ela explorar seus limites, ir além do conhecido e buscar novas zonas de prazer! Sufocavam a coitada com um cinto de castidade. Ela não podia isso, não podia aquilo. Era ordem, ordem, ordem! Ah, dava pra dar uma escapadinha aqui e ali. Mas sempre tinha alguém de olho nela. Muitas proibições, muitas proibições.... Ora ajoelhava, olhava pros céus.... depois pegava sua bebida e ia pro meio dos proscritos se entregar pra música secular, profana; deitava na cama no diabo, nessas horas ela era um trítono (combinação chamada de o som do diabo). Sim, a música não aguentava aquela pressão de céu, seja uma boa moça, seja pura, e ela costumava sair escondida, vestida de escarlate, cinta liga e batom cor de sangue. E ela tinha um olhar fatal, tão grande era seu poder de sedução, que alguns bons moços que gostavam de lhe prestar homenagens se empolgavam na criação, e quando iam dividir as novas zonas erógenas que a música lhes mostrou, acabavam virando churrasquinho! O tempo escorria pelos dedos e a música ganhava cada vez mais adoradores (ela sentia falta das adoradoras, mas vamos contar essa história em outro capítulo). Todos flertavam com ela, deitavam na cama dela e saíam de lá com ideias novas, o que deixava ela cada dia mais famosa! Ela gostava mais quando a convidavam para festas onde podia manter seu espírito livre, curtia muito umas festas fora da lei. Ela foi ficando cansada de tanta regra, e passou a fazer diferente: quando alguém vinha colocar ordem, ela simplesmente gargalhava e sumia, se dissipava numa nuvem sonora, para o desespero de muitos (ela tinha alguns poderes sim, até disseram que era uma bruxa! Ela gostou da ideia.) Tempo passa, e ela foi ficando dona do próprio nariz. Ia pra onde queria, cansou de cabresto. Ontem, num dos meus muitos passeios nos mundos oníricos, fui num bar meio diferente e lá dá pra falar com os mortos (que parada, hein? Mas eu precisava de uns conselhos, musicalmente tá foda aqui!). Vi velhos amigos, que ainda falam comigo, através dela, a música, claro: um rapazinho ligeiro, chamado Mozart, flertava aqui e acolá com umas moças jovens, bem galanteador; um cravista apresentava um prelúdio e, no meio do frenesi, ele levantou e saiu, deixou o acorde suspenso, maior tensão... logo Bach foi lá e concluiu tudo, levando a gente de volta pra casa, dando uma tônica na coisa toda. Beethoven estava num canto, sério e soturno, do nada, gritou: "garçom, traz mais uma dose!" Ele tinha um sorriso triste nos lábios, e estava tentando traduzir uma nova dor de amor numa peça para piano e cello. Ele estava impaciente, e chamou de novo o garçom, que acabou esbarrando e derrubando tudo, coitado. Nos sons de copos de cristal, caindo, sonhos ruindo, o pessoal da música moderna, que já esticou as canelas, esticou também o ouvido e já foi imaginando uma canção tresloucada com violinos e copos de cristal,quebrando, quebrando (padrões, limites, canções). E assim, a festa seguia, e a música, em seu trono de rainha, ouvia palmas e brados: "música nossa musa! tudo pela música, nossa rainha!" E ela, que nem uma aranha, sua teia tecia, envolvia todos com sonhos, magia e poesia.... e a noite, insana, não andava, corria!

  • Entrevistamos Vinicius Ferreira, fundador da Penumbra Livros!

    A pergunta que eu mais ouço é: onde encontro livros em português sobre ocultismo ? Já tenho até um bloco de notas aberto para passar meus links favoritos. A editora Penumbra Livros lança clássicos obscuros e participa de eventos literários sobre o assunto. Confesso que fiquei muito curiosa para entender mais sobre este mercado em franca expansão aqui no Brasil. Então entrevistei Vinicius Ferreira, fundador da editora, para saber mais. Confira! Lua Valentia: Como surgiu a ideia de criar a Penumbra? Vinicius Ferreira: Antes da Penumbra existir, eu já consumia muito desse tipo de conteúdo que hoje nós produzimos. E eu enxergava um buraco enorme no mercado editorial brasileiro. Se eu quisesse ler qualquer coisa que fugisse do feijão com arroz, tinha que trazer de fora. Isso para mim era só um inconveniente e um gasto a mais, mas eu sempre ficava pensando: e quem não consegue ler em inglês, ou francês, ou alguma outra língua que tenha produção literária relevante nesse campo de ocultismo e magia? E a resposta é muito clara: essa pessoa ou vai ficar sem ler, ou vai ter que recorrer aos PDFs que circulam por aí, normalmente com traduções muito ruins. Alguém precisava fazer alguma coisa. Então nós decidimos ir lá e fazer. Lua: Temos a velha afirmativa de que brasileiro não lê. O mercado editorial ocultista no Brasil é rentável? Vinicius: Vou responder sua pergunta em duas etapas: primeiro com fatos, depois com opinião. Vamos aos fatos: o gênero "religião" no Brasil só não vende mais do que livros didáticos, com cerca de 20% do mercado, segundo pesquisa CBL/FIPE para 2015/2016. O problema é que boa parte desse volume de "religião" é ocupado por padres, pastores e espíritos desencarnados. Portanto, há uma grande demanda por títulos relacionados à espiritualidade, mas o brasileiro ainda dá muita bola para cristianismo e espiritismo, e pouca importância para ocultismo. Agora, minha opinião: vá a uma livraria qualquer e passe um tempo olhando para as pessoas que vão na prateleira de ocultismo. Em comparação ao resto da livraria, tem muito mais gente comprando dessas prateleiras do que das outras (ficção, didáticos, etc.). Então, eu acho que o público ocultista no Brasil é pequeno, mas adora ler e está sempre consumindo. Lua: Vocês têm parcerias com grandes livrarias como a Cultura, certo? Como se deu a expansão deste mercado? Vinicius: Nós começamos vendendo nossos livros exclusivamente em nosso e-commerce, e continuamos assim até termos construído um catálogo minimamente interessante para as livrarias. Poderia até ser fácil colocar dois ou três títulos em uma livraria de bairro, mas as grandes, as redes, que atendem boa parte do Brasil, dificilmente se interessariam por uma editora tão pequena. Então, assim que nosso catálogo ganhou massa crítica, corremos atrás de colocar nossos livros na maior quantidade possível de prateleiras pelo Brasil. Isso facilita, por exemplo, a vida das pessoas que moram no Nordeste, que se fossem comprar pelo nosso e-commerce (enviamos de São Paulo) precisariam pagar mais caro no frete do que nos livros. Hoje nossos livros são bem fáceis de se encontrar por aí - tanto nas livrarias grandes (Cultura, Saraiva, Amazon, etc.) quanto nas pequenas. Liber Null e Psiconauta: livro clássico da literatura da Magia do Caos Lua: Como foi o contato com os autores para a publicação de livros clássicos? Estou especialmente interessada no contato com Peter Carroll... Vinicius: Nosso primeiro contato foi com a Starfire Publishing, na Inglaterra, que nos ajudou a intermediar o contrato com a viúva de Kenneth Grant, a Steffi Grant. Ainda não tínhamos nada de concreto para apresentar, mas tínhamos um plano, e nenhum livro do Kenneth Grant estava sendo publicado no Brasil. Então acho que a Steffi não tinha nada a perder, só a ganhar. O processo todo foi extremamente burocrático, com milhões de e-mails para um lado e para o outro, mas no fim das contas deu tudo certo. Com os demais autores e editoras, a qualidade dos livros que já havíamos lançado foi a chave que abriu várias portas. No caso do Peter Carroll, a negociação foi bem impessoal, tratamos com uma agência que representa a editora americana que publica os livros dele, e não diretamente com o autor. Mas cada caso é um caso. Lua: Imagino que seja bem difícil competir com a cultura do PDF que se instaurou aqui. Eu sempre tento passar o link para os livros físicos, diretamente da editora. Mas muitos preferem a facilidade do PDF. Como vocês fazem para tornar o livro físico mais atraente? Vinicius: Primeiramente eu quero agradecer você por sua postura de recomendar links para os livros físicos, porque é esse tipo de indicação que movimenta o mercado. Mas eu francamente não acho que os PDFs sejam realmente concorrência para nós. O leitor que se acostumou a ler PDFs normalmente já deixou o filtro de qualidade para trás há tempos. E o fato de ser grátis é muito atraente. É claro que tem que leia o PDF por falta de opção - e esse vai querer passar para o livro impresso assim que tiver a oportunidade. Mas eu não acho que uma pessoa que acredita que está se dando bem lendo uma tradução horrível em PDF, porque é de graça, vai comprar um livro físico, mesmo que custe cinco reais. O nosso objetivo, então, é fazer com que nossos livros sejam objetos de desejo para o leitor, uma coisa que fique bonita na estante, que dê gosto de mostrar para os amigos. Porque se nossos livros fossem "genéricos", digamos assim, não ia adiantar nada, eles seriam só peso morto nas livrarias por aí, ninguém ia querer comprar. Cthulhu na Mystic Fair de 2016 Lua: Vocês têm uma sede em algum lugar fixo no Brasil? Ocultistas interessados e profissionais da área podem enviar currículos para trabalhar para vocês? Vinicius: Não temos uma sede física, todos os colaboradores e freelancers trabalham em home office. Apesar do nosso produto ser low-tech, temos que pensar e agir como uma start-up de tecnologia para ter alguma chance de sucesso nesse ambiente tão complicado para empreender que é o Brasil. E sim, estamos sempre interessados em currículos - tradutores, revisores, ilustradores, etc. No momento, estamos correndo atrás de uma pessoa nova para tocar nosso site e nossas mídias sociais. Os interessados podem mandar o currículo (e porfólio, e qualificações, e a história da vida, se quiserem) por e-mail para contato@penumbralivros.com.br. Lua: Vocês aceitam novos autores? Como funciona a escolha para novos autores interessados em publicar com vocês? É preciso pagar algo? Vinicius: Estamos, sim de olho em novos autores. O processo de seleção de originais é constante e inacabável, e existe uma fila (então pode ser que demoremos um pouco para responder). Nesse momento estamos analisando tudo que recebemos de não-ficção, e estamos esperando alguma coisa realmente bombástica aparecer para nós. Não vamos cobrar nada de quem quiser publicar conosco, mas também não vamos aceitar qualquer coisa. Aliás, fica a dica: se você é autor ou autora, e alguma editora quiser cobrar para publicar seu livro, saiba que você está sendo vítima de um golpe. Se quiser mandar seu original para nossa avaliação, o e-mail também é contato@penumbralivros.com.br. Lua: Quanto à divulgação, em que áreas vocês mais investem? Vinicius: Hoje usamos basicamente três canais de divulgação: mídias sociais, nosso blog, e podcasts - principalmente o Mundo Freak e o Magic(k)ando. Outro clássico da Magia do Caos: Principa Discordia #Entrevista #Editora #EditoraPenumbra

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